Criada por um ex-motorista de aplicativo e lançada recentemente em Itaberaí (GO), a Prime Move aposta em um modelo de mobilidade focado na valorização dos condutores e no atendimento próximo aos usuários. O aplicativo foi idealizado por Dierley Rodrigues, que decidiu empreender após vivenciar na prática desafios comuns da categoria, como taxas elevadas e falta de suporte por parte de algumas plataformas.
Em pouco mais de três semanas de operação, a Prime Move já alcançou cerca de 400 passageiros cadastrados e 22 motoristas, realizando em média 40 corridas por dia durante a semana e até 70 nos finais de semana. A corrida mínima custa R$ 8,99 para trajetos de até 1,5 km, enquanto a empresa optou por não cobrar taxas dos motoristas até o fim de 2026, como estratégia para fortalecer a operação e ampliar a base de parceiros.
Além das categorias Comum e Comfort, a plataforma prepara o lançamento de uma modalidade exclusiva para mulheres. Nos próximos meses, a empresa pretende intensificar os investimentos em marketing, ampliar sua presença digital e estudar a expansão para outras cidades, como Trindade (GO).
Nesta entrevista, Dierley fala sobre os desafios de criar um aplicativo regional, os primeiros resultados da Prime Move, a importância de ouvir os motoristas e sua visão sobre o futuro da mobilidade urbana nas cidades do interior.
Como surgiu a ideia de criar a Prime Move?
Dierley: Fui motorista de aplicativo e, durante esse período, percebi diversas dificuldades enfrentadas pelos profissionais da área. A partir dessa experiência surgiu a ideia de criar uma plataforma que valorizasse mais o motorista. Meu objetivo é construir um aplicativo que seja bom tanto para quem dirige quanto para quem utiliza o serviço.
Qual foi o principal problema do mercado que você identificou?
Dierley: As taxas cobradas pelos aplicativos foram um dos fatores que mais me incomodaram. Muitas plataformas priorizam volume e crescimento rápido. Eu acredito em qualidade de serviço, atendimento próximo e preços justos. Quero oferecer uma experiência melhor para passageiros e motoristas.
Quando a Prime Move foi lançada?
Dierley: O aplicativo foi lançado há três semanas.
O que você tem feito para atrair motoristas e passageiros?
Dierley: Estou conversando diretamente com motoristas e passageiros da cidade. Também tenho trocado experiências com gestores de aplicativos locais de outras cidades da região. Em breve vou intensificar os investimentos em marketing e trazer algumas ações que deram certo em outros mercados.
Vocês já investem em marketing?
Dierley: Ainda não de forma intensa. Estou organizando algumas questões pessoais e, a partir de agora, vou focar mais nisso. Quero trabalhar com influenciadores locais, fortalecer a presença no Instagram e até fazer uma promoção envolvendo o sorteio de uma moto para passageiros que utilizarem o aplicativo.
Do que você mais se orgulha na sua trajetória?
Dierley: Da minha persistência. Sou uma pessoa muito perfeccionista e gosto de fazer as coisas bem-feitas. Sei que resultados levam tempo e que é preciso plantar antes de colher.
Qual tem sido a maior dificuldade neste início?
Dierley: O principal desafio é ser uma empresa nova no mercado. Também estou trabalhando para migrar clientes que me conheciam como motorista para o aplicativo.
Quais eram seus maiores medos antes de lançar o app?
Dierley: Meu maior receio é crescer rápido demais e não ter motoristas suficientes para atender a demanda. Por isso, procuro equilibrar a divulgação com o crescimento da base de condutores.
Em qual cidade a Prime Move atua atualmente?
Dierley: Estamos em Itaberaí, em Goiás. Também estudamos levar o aplicativo para Trindade nos próximos meses.
Você possui sócios?
Dierley: Tenho apenas um sócio: Deus.
Quantos motoristas e passageiros estão cadastrados atualmente?
Dierley: Em cerca de três semanas já temos quase 400 passageiros cadastrados e 22 motoristas. Desses, entre 12 e 14 ficam online com frequência.
Você ainda trabalha como motorista?
Dierley: Sim. Neste início de operação continuo dirigindo e atendendo corridas.
Como funciona a corrida mínima?
Dierley: A corrida comum começa em R$ 8,99 para trajetos de até 1,5 km.
Vocês cobram taxa dos motoristas?
Dierley: Ainda não. Até dezembro não estamos cobrando taxa. Estou investindo na operação para atrair motoristas e fortalecer a plataforma.
Quantas corridas já foram realizadas?
Dierley: Estamos fazendo uma média de cerca de 40 corridas por dia durante a semana e entre 60 e 70 corridas por dia nos finais de semana.
Quando a taxa começará a ser cobrada?
Dierley: A partir de janeiro de 2027. A ideia é trabalhar com algo entre 8% e 10%.
Existe algum motorista que já se destaque na plataforma?
Dierley: Sim. Tenho um parceiro que veio comigo desde o início e já está faturando entre R$ 300 e R$ 400 por dia, principalmente com viagens para Goiânia.
Qual é o ticket médio das corridas?
Dierley: Hoje a média gira em torno de R$ 12.
A Prime Move trabalha com tarifa dinâmica?
Dierley: Sim. Entre meia-noite e seis da manhã temos valores diferenciados. Nesse período, a corrida mínima passa para R$ 18,90 na categoria comum.
Como você enxerga o futuro da mobilidade urbana?
Dierley: Acredito que veremos cada vez mais aplicativos locais ganhando espaço. Muitos mercados estão percebendo que modelos regionais conseguem oferecer atendimento mais próximo e entender melhor as necessidades de cada cidade.
Qual legado você quer deixar com a Prime Move?
Dierley: Quero que a Prime Move seja reconhecida pela qualidade, pela confiança e pelo preço justo. Quero que as pessoas associem a marca a um serviço seguro e eficiente.
O que você não tolera nesse mercado?
Dierley: A falta de suporte aos motoristas. Eles são responsáveis pela maior parte da operação e precisam ser ouvidos. Sem motoristas satisfeitos, não existe serviço de qualidade para os passageiros.
A Prime Move possui diferentes categorias?
Dierley: Sim. Temos as categorias Comum e Comfort. Também estamos preparando uma categoria exclusiva para mulheres.

