A MaxCar é uma plataforma regional de mobilidade que atua em 14 cidades do Noroeste do Espírito Santo e do Leste de Minas Gerais. Por trás da criação da MaxCar está Rodrigo Lirio, que transformou uma curiosidade casual em motivo para empreender. “Antes do aplicativo eu trabalhava com caminhão. Eu era caminhoneiro e nunca tinha feito uma corrida de aplicativo na vida”, relembra.
A ideia surgiu durante uma conversa informal com um profissional que trabalhava com limpeza de tanques e também atuava como motorista de aplicativo. “Ele me contou que não existia só Uber e 99, que existe aplicativo regional também. E falou que montava um pra mim.” A semente plantada ficou na cabeça de Rodrigo, que, ao deixar seu emprego, mergulhou nos estudos sobre plataformas de mobilidade e decidiu arriscar.
A criação da MaxCar e os primeiros desafios
O início, porém, esteve longe de ser simples. Quando começou em 2019, Rodrigo contratou uma primeira tecnologia que apresentou problemas graves. Os passageiros baixavam o app, mas as corridas não eram repassadas aos motoristas. “Eu gastei muito dinheiro com propaganda e não tive retorno. Depois de seis meses fui entender que o aplicativo não chamava para o motorista”, conta.
Rodrigo então abandonou a plataforma e migrou para outra tecnologia em 2021, o que marcou o recomeço da operação. Ainda assim, enfrentou forte concorrência: a cidade onde tentava crescer tinha 20 aplicativos disputando o mesmo público. Foi então que percebeu uma oportunidade: as cidades pequenas. “Eu resolvi fazer as cidades pequenas que tem ao redor e deu certo”, explica.
A expansão pelo interior e o modelo de gestão
Hoje, a MaxCar opera em municípios como Baixo Guandu, Aymorés, Resplendor, Itueta, Conselheiro Pena, Mantena, Barra de São Francisco, Colatina, Divinópolis e outros. A gestão é totalmente familiar: Rodrigo cuida da administração geral, operação e estratégias, enquanto sua esposa é responsável pela área financeira. Apesar de contar com líderes em algumas cidades, o modelo não é de franquia. “Tudo eu que comando, eu e minha esposa. Tenho gestores nas cidades, mas é motorista líder, não franquia”, afirma.
A plataforma já alcançou mais de 37 mil passageiros cadastrados, aproximadamente 10 mil corridas realizadas por mês e um time de 432 motoristas ativos que garantem o funcionamento da plataforma. Com esse volume crescente de usuários e viagens, o aplicativo mantém um faturamento médio de R$ 40 mil mensais.
O modelo de cobrança: mensalidade e porcentagem adaptadas à realidade local
A MaxCar desenvolveu um modelo híbrido de cobrança para motoristas, adequado ao perfil econômico de cada cidade. Nas cidades pequenas, a empresa adota uma mensalidade fixa, em média R$ 160, valor que considera acessível quando comparado às taxas dos grandes apps. Nas cidades maiores, a cobrança é por porcentagem, variando de 15% a 12% conforme o motorista aumenta o volume de corridas. A rentabilidade se mostra atraente. “O motorista que leva a sério faz de R$5 mil a R$6 mil livres”, destaca Rodrigo.
Categorias, bandeiras e dinâmica exclusiva
A engenharia de preços é um dos diferenciais da MaxCar. As tarifas iniciais variam entre R$ 9 e R$ 13, mas mudam conforme horário, fluxo e comportamento da cidade. “Nos horários de pico esse valor sobe um pouco. Final de semana tem bandeira própria. E nas cidades pequenas eu aplico dinâmica na cidade inteira 24h”, explica Rodrigo.
Essa estratégia garante equilíbrio financeiro nas cidades menores, onde a demanda é mais limitada. A empresa opera com bandeiras distintas para horários comerciais, noturnos e finais de semana, além de tarifas extras em horários específicos, o que torna a estrutura mais eficiente e difícil de copiar pela concorrência.
Para atender diferentes perfis de passageiros, a MaxCar disponibiliza categorias como Max X, Comfort, Max Mulher, Mototáxi, Moto Entrega e Supermercado. A oferta varia conforme a disponibilidade de profissionais e veículos em cada cidade, especialmente no caso de motos e categorias específicas.
Marketing e parcerias para fortalecer a marca
No início, toda a estratégia de divulgação da MaxCar era feita pelo próprio Rodrigo, que reconhece que aprendeu na prática e muitas vezes da forma mais difícil. “Eu gastei muito dinheiro à toa com propaganda volante. Depois aprendi que download vem de Facebook e Instagram”, lembra. Sem experiência na área e sem referências específicas sobre marketing para aplicativos regionais, ele testou formatos, apostou em campanhas que não trouxeram retorno e precisou entender, por conta própria, onde realmente valia investir.
Agora, em uma nova fase da empresa, a MaxCar passa a contar com uma agência de marketing especializada, contratada recentemente por R$ 3 mil mensais, além de um orçamento destinado exclusivamente para anúncios digitais. A parceria está começando agora, então Rodrigo aposta que os resultados mais expressivos virão nos próximos meses e que o impacto será ainda maior em 2026, quando o trabalho da agência já estiver consolidado.
Paralelamente, a empresa fortalece sua presença regional por meio de parcerias com bares, supermercados e estabelecimentos de grande circulação, ampliando o alcance da marca nos municípios atendidos. Em várias cidades, o uso de adesivos nos carros é incentivado como estratégia de visibilidade constante. “Se não é visto, não é lembrado. Eu falo que é vantagem para os motoristas mesmo, porque a corrida vai para eles”, reforça o gestor.
Regulamentações, fiscalização e desafios municipais
Em cidades como Colatina e Barra de São Francisco, há regulamentações específicas para aplicativos de transporte, mas o cumprimento das normas nem sempre ocorre como deveria. Rodrigo destaca especialmente a situação de Barra de São Francisco: “Criaram uma lei, os motoristas pagam taxas, eu tive que abrir sede lá, mas não há fiscalização.” Segundo ele, a falta de controle tem favorecido o aumento de motoristas clandestinos, enquanto os profissionais regularizados continuam arcando com as taxas exigidas pela prefeitura. Por isso, a empresa vem cobrando providências para que a legislação seja aplicada de forma justa.
Planos de expansão e metas da empresa para 2026
Rodrigo garante que a empresa começou com dificuldades, mas hoje beneficia milhares de passageiros e garante renda estável para centenas de motoristas. Ele resume o espírito que move o negócio: “Tomei pancada, quebrei a cara, mas aprendi. E agora está dando certo. Estamos crescendo todo ano e 2026 vai ser muito maior.”
A MaxCar planeja abrir mais duas cidades ainda este ano. O grande salto, no entanto, está previsto para 2026, com o apoio da equipe de marketing. Rodrigo quer dobrar o número de cidades, mas sem perder qualidade: “Não é só abrir por abrir. Quero entrar com eficiência, igual fazemos hoje. Cidades grandes ou pequenas, todas com excelência.” A empresa pretende consolidar sua marca como principal referência de mobilidade no interior capixaba e mineiro.

