A história da VTX começou antes mesmo da criação do aplicativo, em São Sebastião do Caí, município do Rio Grande do Sul.
O negócio surgiu a partir do trabalho de Valdo, pai de Israel Lackman de Matos, que atuava como taxista e havia construído uma carteira de clientes na região.
Uma parceria com um supermercado local aumentou a demanda por transporte, criando a necessidade de organizar os atendimentos e ampliar a quantidade de veículos disponíveis.
Inicialmente, o serviço era realizado por Valdo e seus filhos, Israel e Rafael.
Com o crescimento da operação, a família decidiu desenvolver uma marca própria.
“A VTX seria a abreviação do nome do meu pai, Valdo Táxi. Ele era bastante conhecido aqui na cidade”, explica Israel.
Posteriormente, Rafael passou a trabalhar em outro ramo, e Israel convidou João Paulo Marimon Restel para participar da gestão da empresa.
João, que já havia trabalhado como motorista da Uber e com transporte de táxi, trouxe experiência no setor e conhecimentos de programação e tecnologia.
Aplicativo foi lançado após falecimento do fundador
Embora o serviço de transporte já fosse conhecido na cidade, a implantação do aplicativo aconteceu em 2023.
O período foi marcado por uma perda familiar.
Segundo Israel, seu pai faleceu aproximadamente um mês antes do lançamento da plataforma.
“Um mês antes de fazer o lançamento do aplicativo, meu pai acabou falecendo. Daí começamos a implantar o aplicativo na cidade como forma de preservar a trajetória construída por ele.”, relembra.
A marca aproveitou a confiança conquistada durante os anos de atendimento de Valdo para apresentar a nova tecnologia aos passageiros.
Atualmente, a empresa mantém sua sede em São Sebastião do Caí e procura ampliar a presença em outros municípios da região.
Experiência na Uber motivou críticas às taxas das grandes plataformas
Antes de integrar a VTX, João Paulo trabalhou como motorista da Uber, realizando corridas urbanas e viagens de longa distância.
Segundo ele, a redução da remuneração dos profissionais e os custos crescentes dos veículos foram fatores que o levaram a buscar uma alternativa.
O gestor relata uma experiência em uma viagem entre Bento Gonçalves e o Aeroporto de Porto Alegre.
Na ocasião, afirma ter recebido uma oferta de aproximadamente R$ 368 pelo deslocamento.
Ao conversar com o passageiro, descobriu que ele havia pago R$ 849.
“Quase chegando ao aeroporto, o cara ficou indignado porque tinha pagado R$ 849. A Uber ficou com praticamente 60% da corrida”, relata.
João afirma que a diferença entre o valor pago pelo usuário e o recebido pelo motorista contribuiu para sua insatisfação com o modelo de remuneração.
Na avaliação dele, as despesas com combustível, pneus, seguro e manutenção precisam ter maior peso na definição das tarifas.
“Acho que uma remuneração próxima de R$ 2,60 por quilômetro seria mais adequada como referência mínima para os profissionais, embora eu reconheça que os custos variem conforme o veículo e a operação”, afirma.
VTX cobra apenas 10% sobre as corridas
Um dos principais diferenciais da VTX é a política de cobrança dos motoristas.
A plataforma retém 10% do valor de cada viagem, enquanto os 90% restantes ficam com o profissional.
Segundo os gestores, a taxa foi definida para permitir que os condutores recebam uma parcela maior do valor pago pelos passageiros.
A cobrança funciona no modelo pós-pago, com acerto quinzenal.
João considera que o percentual reduzido também representa um desafio financeiro para a própria empresa.
“A VTX sobrevive. A nossa expectativa é sempre favorecer o motorista”, afirma.
Segundo ele, o aplicativo ainda não recuperou integralmente o investimento realizado em sua implantação.
“A empresa precisa de um volume maior de corridas e profissionais ativos para ampliar a receita”, explica.
Investimento inicial foi de aproximadamente R$ 10 mil
O desenvolvimento da VTX exigiu um investimento inicial de cerca de R$ 10 mil.
O valor foi utilizado na implantação da plataforma e na estruturação da operação.
Segundo os gestores, o negócio ainda não recuperou esse investimento.
João explica que a empresa procura manter uma taxa reduzida, mesmo com a necessidade de ampliar sua receita.
Como consequência, o crescimento depende principalmente do aumento da quantidade de viagens realizadas.
“A operação precisa atingir um volume consideravelmente maior para começar a gerar uma remuneração consistente aos administradores”, afirma.
Corrida mínima custa R$ 10 e motorista recebe R$ 9
Na categoria convencional, a VTX trabalha com corrida mínima de R$ 10 para deslocamentos de aproximadamente 2 quilômetros.
Desse valor, R$ 9 ficam com o motorista, após o desconto da taxa de 10%.
A tarifa também considera a distância percorrida e o tempo de viagem.
Segundo João, o cálculo da categoria convencional utiliza uma tarifa de R$ 2,20 por quilômetro, além de R$ 0,50 por minuto e uma bandeirada de R$ 4.
O gestor afirma que a remuneração efetiva por quilômetro pode ser maior quando o tempo da viagem é considerado.
Na avaliação dele, o modelo procura remunerar tanto o deslocamento quanto o período em que o profissional permanece atendendo o passageiro.
Categoria Comfort pode render cerca de R$ 3,50 por quilômetro
Além da modalidade convencional, a VTX oferece uma categoria Comfort.
Segundo João, nessa opção, a tarifa inclui R$ 3,10 por quilômetro e R$ 0,60 por minuto.
Considerando a composição do preço e o desconto da plataforma, o gestor estima que o motorista consiga receber aproximadamente R$ 3,50 por quilômetro, em média.
Na categoria convencional, a estimativa informada é de cerca de R$ 2,60 por quilômetro, também considerando o componente relacionado ao tempo de viagem.
Os valores são referências apresentadas pelo gestor e podem variar conforme as características de cada corrida.
Parceria com supermercado pode pagar até R$ 5 por quilômetro
Uma das principais fontes de demanda da VTX é a parceria com o Mercado Fla, estabelecimento localizado na região de São Sebastião do Caí.
O serviço surgiu ainda na época em que Valdo trabalhava como taxista.
Segundo João, o supermercado participa do pagamento do transporte, enquanto o cliente arca com outra parte do valor.
O formato permite oferecer viagens aos consumidores e criar oportunidades de trabalho para os motoristas.
“Essas corridas no mercado chegam a pagar até R$ 5 por quilômetro rodado, dependendo da distância”, afirma.
O gestor explica que a remuneração mínima informada para esses serviços é de aproximadamente R$ 3,10 por quilômetro.
“As viagens realizadas para o supermercado são contabilizadas separadamente das corridas registradas no aplicativo”, conta.
Isso significa que parte relevante do trabalho realizado pelos profissionais não aparece nos relatórios de viagens da plataforma.
Motoristas chegam a faturar R$ 3,2 mil por semana
Segundo João, alguns profissionais que atendem pela VTX e também realizam viagens vinculadas ao supermercado alcançam faturamentos semanais entre R$ 1,8 mil e R$ 3,2 mil.
O resultado depende do volume de trabalho e da combinação de serviços realizados.
O gestor destaca que a parceria comercial contribui para complementar a demanda tradicional dos passageiros.
“Tem motorista que está faturando, em média semanal, de R$ 1.800 a R$ 3.200. Isso juntando o aplicativo mais o mercado”, afirma.
Os valores representam faturamento bruto, antes das despesas dos motoristas, e não uma média comprovada de todos os profissionais cadastrados.
VTX possui mais de 5 mil passageiros cadastrados
Atualmente, a plataforma reúne mais de 5 mil passageiros cadastrados.
Na região de São Sebastião do Caí, a operação conta com 19 motoristas.
Já na região de Dois Irmãos, são aproximadamente 42 profissionais cadastrados, embora os gestores reconheçam que nem todos utilizam o aplicativo regularmente.
Segundo João, a dificuldade de manter os motoristas ativos é um dos principais obstáculos para ampliar os atendimentos.
A empresa possui demanda de passageiros, mas nem sempre encontra veículos disponíveis para aceitar as solicitações.
“Você pode ter 10 milhões de clientes. Se não tiver motorista na plataforma para atender, você não tem um serviço para prestar”, afirma.
Para os gestores, o crescimento depende diretamente da adesão dos profissionais.
Aplicativo registra aproximadamente 2,5 mil corridas por mês
A VTX realiza cerca de 2.500 corridas mensais, segundo o último relatório mencionado pelos gestores.
O volume considera as viagens registradas diretamente na plataforma.
As corridas realizadas em parceria com o supermercado não estão incluídas nesse número, porque são organizadas e faturadas separadamente.
Ao falar sobre a movimentação financeira, os gestores estimaram um valor de aproximadamente R$ 30 mil mensais, considerando também os serviços dos mercados.
Falta de motoristas limita crescimento do aplicativo
Embora a empresa tenha uma base consolidada de clientes em São Sebastião do Caí, João e Israel afirmam que a dificuldade de conquistar motoristas continua sendo o maior problema.
“Muitos profissionais permanecem concentrados nas grandes plataformas, mesmo quando encontram oportunidades com tarifas mais elevadas nos aplicativos regionais”, contam.
João relata que já houve períodos com diversas solicitações sem atendimento por falta de condutores disponíveis.
Na avaliação dele, isso prejudica a experiência dos passageiros e dificulta os investimentos em publicidade.
“A gente precisa dos motoristas para começar a investir em propaganda e atrair clientes. Às vezes, pego o relatório e são várias chamadas não atendidas porque não tenho motorista”, explica.
Os gestores consideram que o aplicativo só conseguirá expandir de maneira consistente se aumentar a quantidade de profissionais dispostos a atender regularmente.
Expansão para Dois Irmãos enfrentou dificuldades
A VTX começou a ampliar sua presença na região de Dois Irmãos, no Vale dos Sinos.
Segundo João, a operação teve uma boa aceitação inicial, especialmente após investimentos em publicidade digital e divulgação com influenciadores locais.
Entretanto, a empresa enfrentou dificuldades para manter os motoristas ativos.
O gestor relata que parte dos profissionais voltou a priorizar as grandes plataformas, reduzindo a disponibilidade de veículos no aplicativo regional.
“Como consequência, passageiros que haviam começado a utilizar a VTX passaram a encontrar menos opções de atendimento”, lamentam.
A experiência reforçou a percepção dos gestores de que conquistar usuários não é suficiente sem garantir uma base regular de motoristas.
Confiança dos passageiros é prioridade
Além da remuneração, Israel e João destacam a confiança dos passageiros como um dos principais diferenciais da VTX.
Segundo eles, a empresa procura avaliar os profissionais antes de permitir que realizem viagens pela plataforma.
A relação construída com a comunidade também contribuiu para a procura por serviços específicos, como transporte de estudantes e deslocamentos de funcionários de empresas.
“Acontece de mães ligarem para buscar os filhos na escola e, muitas vezes, a gente nem sabe quem é o filho. Temos que ir à secretaria buscar”, conta.
Segundo o gestor, a confiança construída pela marca é resultado da trajetória familiar e do atendimento prestado ao longo dos anos.
Alguns passageiros exigem motoristas específicos
João também relata situações em que passageiros procuram diretamente um profissional com quem já possuem uma relação de confiança.
“Alguns clientes não aceitam substituir o motorista escolhido por outro, mesmo quando existe disponibilidade de veículos”, afirma.
O gestor cita o caso de uma família que o procurou para levar um adolescente a uma festa.
Na ocasião, João havia planejado não trabalhar, mas decidiu atender ao pedido.
“Era assim: ou ele vai comigo ou não vai para a festa”, relembra.
Para os gestores, esse comportamento demonstra a importância da confiança pessoal no transporte de passageiros, especialmente em municípios menores.
Corridas realizadas fora da plataforma preocupam gestores
Outro problema enfrentado pela VTX é a realização de viagens sem registro no aplicativo.
Segundo João, a empresa já identificou situações em que motoristas captavam passageiros por meio da estrutura da plataforma, mas realizavam os serviços diretamente.
Os gestores afirmam que procuram orientar os profissionais sobre a importância de manter as corridas registradas.
João relata que também houve casos de fiscalização envolvendo motoristas que não estavam com uma viagem ativa no aplicativo.
“A regularidade de cada situação depende das normas aplicáveis, mas o registro das viagens ajuda a organizar a operação e comprovar os atendimentos realizados”, explica.
Segundo ele, a empresa conseguiu reduzir parte dessas práticas após conversar diretamente com os condutores.
Gestores criticam falta de união entre motoristas
Para João, a falta de organização coletiva é uma das principais dificuldades enfrentadas pela categoria.
O empresário afirma que já participou de manifestações em defesa dos motoristas, mas considera que a adesão dos profissionais costuma ser insuficiente.
Segundo ele, muitos trabalhadores reconhecem os problemas do setor, mas não conseguem deixar de realizar corridas para participar de mobilizações.
“Enquanto uns estão lutando, os outros estão aproveitando”, critica.
João acredita que essa postura dificulta a construção de alternativas às grandes plataformas.
“Os aplicativos regionais precisam do apoio dos motoristas para conquistar espaço no mercado”, afirma.
Tecnologia é positiva
Segundo João, a empresa começou com uma fornecedora de sistemas, mas enfrentou dificuldades técnicas que motivaram a mudança.
Como possui conhecimentos de programação e desenvolvimento de software, o gestor participou da avaliação das alternativas disponíveis.
Ele relata que a possibilidade de testar a plataforma antes da contratação foi importante na decisão.
“Eles falaram: ‘João, testa’. Me forneceram um aplicativo de teste para baixar e olhar. Realmente era muito mais fluido”, afirma.
Apesar da avaliação positiva, João considera que os aplicativos regionais ainda poderiam oferecer mais opções de personalização visual e de funcionalidades.
VTX pretende expandir pelo Vale do Caí e Vale dos Sinos
Os gestores pretendem ampliar a operação para outros municípios do Rio Grande do Sul.
A estratégia envolve fortalecer a presença no Vale do Caí e avançar para cidades do Vale dos Sinos.
Entre os municípios mencionados estão Feliz, Bom Princípio, Harmonia, Montenegro, Capela de Santana, Portão, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha e Ivoti.
A expansão, entretanto, depende da formação de equipes de motoristas dispostas a trabalhar regularmente pela plataforma.
Israel e João afirmam que preferem desenvolver o crescimento de maneira gradual, preservando a qualidade do atendimento.
Legado é manter a confiança construída pela família
Ao comentar o futuro da VTX, Israel e João destacam que desejam preservar a reputação construída pelo serviço de transporte familiar.
Para Israel, a marca carrega a trajetória de seu pai, que conquistou a confiança dos moradores de São Sebastião do Caí durante os anos em que trabalhou como taxista.
João considera que o principal legado será manter essa credibilidade enquanto a empresa amplia sua atuação.
“A questão é deixar a confiabilidade dos passageiros com a marca, sabendo que os motoristas passam por uma entrevista conosco e que podem confiar nos motoristas da VTX”, afirma.
O objetivo é construir uma plataforma reconhecida tanto pelas oportunidades de remuneração oferecidas aos profissionais quanto pela qualidade do transporte.
“A expansão deve acontecer sem perder a proximidade com a comunidade que deu origem ao negócio”, conclui.
