A W7 começou em 2022, inicialmente no Sul do país, ainda com outra configuração. No mesmo ano, Mauro Cesar Campos e Lessandro Eduardo Capelo adquiriram a marca por meio de um conhecido e passaram a reestruturar a operação para Porto Feliz, no interior de São Paulo, onde o aplicativo atua hoje.
Quem conta a história do aplicativo é Larissa Capelo, responsável pela área financeira e pela comunicação da W7. Segundo ela, Mauro e Lessandro seguem próximos da rotina da operação: um mais voltado aos motoristas e outro à parte de sistema.
Operação ganhou força a partir de 2024
Embora Mauro esteja na operação desde 2022, Larissa e Lessandro entraram em 2024. Foi a partir desse período que a W7 deixou de funcionar como uma operação mais pessoal e passou a construir uma estrutura de empresa, com marca, processos e áreas mais definidas.
Até 2024, a W7 tinha cerca de 4 mil clientes cadastrados. De 2024 a 2026, a base saltou para quase 10 mil passageiros ativos. Para Larissa, esse crescimento marca a virada da operação em Porto Feliz.
“Hoje a gente trabalha para construir uma marca, independente de pessoas. A W7 tem que funcionar como um ecossistema sustentado”, afirma Larissa.
Captação começou de forma artesanal
No início, conquistar motoristas e passageiros exigiu equilíbrio. Larissa resume que a operação só funciona quando os dois lados crescem juntos: não adianta ter motorista sem passageiro, nem passageiro sem motorista.
A captação começou de forma artesanal, com mensagens, publicações em redes sociais, familiares baixando o aplicativo, indicações, panfletagem e os próprios proprietários indo às ruas para divulgar a marca.
“Se você tem motorista e não tem passageiro, não tem operação. E, se tem passageiro e não tem motorista, também não”, diz.
Mauro cuida dos motoristas e Lessandro do sistema
A divisão de tarefas entre os sócios é bem definida. Mauro fica mais próximo da gestão dos motoristas, do suporte à categoria e da organização de escalas, especialmente para cobrir turnos da noite e evitar falta de carros disponíveis. Lessandro cuida da parte de sistema, parametrizações e ajustes técnicos.
A W7 também mantém atendimento ao SAC para passageiros, uma área que se tornou parte importante da proposta de atendimento mais próximo.
Investimento inicial foi de cerca de R$ 5 mil
A implantação inicial da W7 exigiu investimento de aproximadamente R$ 5 mil, além de recursos colocados do próprio bolso até a plataforma começar a se pagar.
Segundo Larissa, a empresa só conseguiu respirar melhor a partir de 2025, quando recuperou o investimento inicial e passou a outro patamar. Antes disso, já havia custos complementares, como uma pessoa dedicada ao atendimento do SAC.
Reinvestimento mostrou que o app estava dando certo
O momento em que a equipe percebeu que o aplicativo estava dando certo foi quando a W7 passou a ter condições financeiras de reinvestir no próprio negócio. A empresa começou a patrocinar eventos, ganhar reconhecimento na cidade e atrair empresas como clientes.
Hoje, além do passageiro final que chama pelo app, a W7 também atende demandas corporativas, uma frente que ajudou a confirmar a consolidação da marca.
“Quando a gente percebeu que conseguia patrocinar mais eventos e que as empresas começaram a vir até nós, começamos a ver de verdade o que estava acontecendo”, afirma Larissa.
De operação pessoal para marca estruturada
Uma das maiores dificuldades no começo era transformar uma operação muito centralizada em uma pessoa em uma empresa com marca própria. Larissa afirma que, antes da nova fase, muita coisa não estava bem explicada e a operação tinha mais a cara de uma pessoa do que de uma empresa.
A partir de 2024, a W7 passou a buscar um modelo em que a marca fosse maior do que cada função individual da equipe. A ideia era que a empresa continuasse funcionando independentemente de quem estivesse no financeiro, no sistema ou na comunicação.
“A dificuldade antes era não ter uma marca consolidada. Era tudo muito pessoal”, diz.
Concorrência com Uber e 99 é maior desafio atual
A principal dificuldade hoje é competir com grandes plataformas como Uber e 99. Para Larissa, essas empresas têm capital de giro maior e conseguem bancar corridas muito baratas, como viagens promocionais de R$ 0,90, algo que um aplicativo regional não consegue sustentar.
A W7 também enfrenta concorrentes locais, mas a disputa com as grandes pesa mais pela diferença de capacidade financeira.
“Quando a gente fala de grandes empresas, é outra realidade. Elas têm um capital de giro muito maior”, afirma.
W7 atua em Porto Feliz e começa expansão
A operação consolidada da W7 está em Porto Feliz. A empresa também iniciou uma entrada em Rafard, cidade próxima, mas ainda de forma embrionária, com motoristas cadastrados e testes iniciais.
A expansão é a prioridade número um para os próximos anos. Segundo Larissa, a W7 entende que já tem bom share em Porto Feliz e agora concentra esforços para levar o modelo a outras cidades.
Base tem quase 10 mil passageiros
A W7 tem quase 10 mil passageiros ativos na base e trabalha com cerca de 60 a 65 motoristas, dependendo do mês.
O aplicativo realiza atualmente 9.836 corridas por mês, número citado por Larissa durante a consulta ao sistema.
Taxa cai conforme o motorista roda
A W7 trabalha com taxa progressiva, ou regressiva, conforme a performance do motorista. O condutor começa com taxa de 15%. Ao bater a meta de 150 km, a cobrança cai para 12%. Para quem roda na madrugada, a taxa pode chegar a 7%.
A proposta é estimular frequência, disponibilidade e cobertura de horários em que a cidade precisa de mais motoristas.
“O motorista que roda de madrugada cai para 7%”, explica Larissa.
Corrida mínima é de R$ 7,99
A corrida mínima da W7 é de R$ 7,99. A taxa do motorista é descontada por meio de carteira virtual: ele carrega saldo por crédito ou Pix, e o sistema vai abatendo conforme as corridas são realizadas.
Motorista já faturou R$ 16 mil
O maior faturamento registrado por um motorista da W7 foi de R$ 16 mil em dezembro, mês considerado fora da curva pela operação. Na média, motoristas que rodam com frequência costumam faturar entre R$ 6 mil e R$ 7 mil.
“Dezembro realmente é um mês fora da curva”, afirma Larissa.
Corrida por fora pesa na taxa
A W7 não consegue proibir informalmente que motoristas façam corridas por fora, mas criou uma regra para desestimular esse comportamento. O motorista responde a um questionário, e quem informa que roda fora da W7 ou em mais de uma plataforma paga taxa de 30%.
Segundo Larissa, o motorista que entra na plataforma começa com taxa de 15%, mas a condição muda quando há atuação paralela fora da operação.
Falta de união da categoria incomoda
No mercado regional, o que mais incomoda a W7 é a falta de união da categoria e a concorrência desleal, especialmente quando envolve grandes empresas com maior poder de investimento.
Larissa afirma que concorrentes locais também incomodam, mas a W7 consegue balizar valores e trabalhar dentro de uma margem confortável. O desafio maior está quando plataformas nacionais entram com preços muito agressivos.
Regionais precisam conversar mais
Para conquistar espaço diante de Uber e 99, Larissa acredita que os aplicativos regionais precisam conversar mais entre si, trocar ideias e conscientizar os motoristas. Um dos pontos centrais é mostrar que volume de corrida nem sempre significa mais ganho.
“Volume maior não quer dizer que você vai ganhar mais dinheiro. Às vezes, com volume menor e valor de corrida maior, você consegue ter uma qualidade de vida melhor”, afirma.
Tecnologia não é o problema
Para Larissa, a tecnologia não é o principal fator que impede aplicativos regionais de competir com Uber e 99. Ela avalia que a plataforma é intuitiva, fácil de mexer e oferece recursos de configuração suficientes para a operação.
“A plataforma tem vários recursos que você consegue configurar”, diz.
Marca e qualidade sustentam a concorrência
Larissa acredita que há espaço para todos no mercado, desde que a empresa tenha foco em marca e qualidade. A W7 não tenta atender apenas o cliente que busca a corrida mais barata. O foco também está no passageiro que quer atendimento personalizado, recorrência e confiança.
Esse público, segundo ela, é diferente do passageiro atraído apenas por promoções de grandes plataformas. É o cliente que prefere falar com o SAC, pedir um motorista conhecido e manter uma rotina de transporte mais personalizada.
“Existe o cliente que quer pegar todo dia o mesmo motorista, que quer ligar no SAC e falar: ‘quero que o seu João venha me buscar todo dia para ir trabalhar’”, afirma.
Atendimento personalizado foi uma dor identificada
A impessoalidade dos aplicativos foi uma das dores que a W7 identificou no mercado. Desde 2022, antes mesmo do crescimento recente, a empresa decidiu manter uma pessoa dedicada ao atendimento do cliente.
Segundo Larissa, há passageiros que até sabem usar o aplicativo, mas preferem chamar de forma mais personalizada. Esse atendimento virou diferencial da operação.
“Às vezes ele até sabe mexer no aplicativo, mas não quer. Ele quer chamar de uma forma mais personalizada”, afirma.
Legado é confiança na marca
O legado que a W7 quer deixar em Porto Feliz e nas cidades para onde expandir é a força da marca. Para Larissa, o objetivo é que as pessoas associem transporte por aplicativo local à W7, com confiança, credibilidade e qualidade de atendimento.
“A gente quer deixar a marca, a confiança na marca, a credibilidade na marca”, conclui.
