O taxiuberlandia nasceu de uma leitura simples sobre o futuro das centrais de táxi: o rádio comunicador e o telefone já não bastavam. A antiga lógica da rádio táxi, baseada em antena, central telefônica e comunicação por rádio, precisou dar lugar às plataformas digitais. Foi nesse movimento que a operação começou, ainda como Central de Táxi e Eurotax, antes de passar pela transição para a marca taxiuberlândia.

A proposta dos gestores não era abandonar o táxi, mas modernizar o serviço com tecnologia. Para eles, o aplicativo funciona como a nova ferramenta de gestão e comunicação entre passageiro, motorista e central.

“O táxi é confiável, as pessoas confiam e querem continuar com o serviço. O que faltava era mostrar que, aliado à tecnologia, ele pode ser muito melhor”, afirma Weuro Barcelos de Sousa.

Da rádio táxi ao aplicativo

A transformação começou por volta de 2018, quando os gestores perceberam que o modelo tradicional de central precisava mudar. A chegada dos aplicativos à região, intensificada entre 2018, 2019 e o período da pandemia, pressionou o setor de táxi e tornou a digitalização uma reação necessária.

O objetivo era preservar a confiança associada ao táxi e, ao mesmo tempo, oferecer ao passageiro as facilidades de um aplicativo.

“Central de táxi e rádio táxi eram vistas como coisa antiga, retrógrada. Então a gente quis mostrar que o serviço é bom, mas precisava da tecnologia”, diz.

Mudança cultural foi o maior desafio

Convencer taxistas a adotar uma plataforma digital foi uma das partes mais difíceis do processo. Segundo Weuro, muitos profissionais tinham medo da tecnologia ou simplesmente não queriam aprender a usar novas ferramentas, como aplicativo e WhatsApp.

A estratégia foi respeitar quem não queria mudar e concentrar esforços em quem estava disposto a experimentar. A partir daí, outros motoristas passaram a observar os resultados e se aproximar aos poucos.

“Quem não quer, a gente respeita. Quem quer, a gente coloca em cima, mostra funcionando, e os outros também vão mudando”, afirma.

Passageiros vieram pelo digital e pelo boca a boca

Para captar passageiros, a central apostou em marketing digital, tráfego pago e boca a boca. A divulgação também acontecia dentro do próprio atendimento: quando o passageiro usava o táxi e descobria que havia aplicativo, passava a entender que o serviço tradicional tinha ganhado uma nova forma de acesso.

Além dos taxistas, a empresa também passou a trabalhar com drivers, motoristas particulares que atuam em aplicativos como Uber e 99, mas que podem prestar serviço em uma categoria própria dentro da plataforma taxiuberlândia.

A ideia foi preservar a identidade visual da central de táxi e levar esse padrão também aos carros comuns.

Três gestores dividem a operação

A gestão é feita por Weuro Barcelos de Sousa, Carlos Eduardo Sousa e Luiz Carlos Cunha. Entre os sócios, há divisão de funções. Um atua mais na parte operacional, com captação de motoristas e organização do serviço. Outro fica mais ligado ao marketing e à busca de contratos e empresas. Weuro concentra a gestão geral e demais frentes do negócio.

Um dos sócios é taxista e coordenador dos táxis no aeroporto de Uberlândia. Outro entrou inicialmente como driver da Eurotax, acreditou no projeto e passou a fazer parte da nova etapa da empresa.

“A gente está numa transição de Eurotax para taxiuberlândia porque acredita que esse nome representa melhor a cidade e os motoristas que estão com a gente”, explica Weuro.

Aplicativo é ferramenta, não ruptura com o táxi

Diferentemente de outros apps regionais, o taxiuberlândia não se apresenta como uma plataforma criada para disputar diretamente com Uber, 99 ou outros aplicativos locais. A visão dos gestores é que o aplicativo é uma ferramenta moderna para uma central de táxi, substituindo o rádio e ampliando os canais de atendimento.

A empresa segue tendo o táxi como primeiro serviço, mas agrega categorias complementares e motoristas particulares.

“A gente não está aí para disputar com ninguém. Queremos prestar o nosso serviço da melhor maneira, com a melhor tecnologia”, afirma.

Passageiro pode pedir por app, site, WhatsApp e quiosque

A central disponibiliza diferentes meios de contato para o passageiro. Além do aplicativo, é possível pedir carro pelo site, por WhatsApp e por quiosque. A empresa também usa uma solução integrada ao WhatsApp, que permite ao cliente solicitar corrida sem necessariamente baixar o aplicativo.
Essa estratégia surgiu porque muitos passageiros já têm aplicativos globais no celular e resistem a baixar mais uma plataforma para usar em uma cidade específica.

“Você tem que mostrar outros caminhos. É realmente difícil fazer a pessoa baixar mais um aplicativo”, diz Weuro.

Táxi usa tabela municipal no aplicativo

Quando o passageiro chama a categoria táxi pelo aplicativo, o valor segue a tabela taximétrica do município em formato virtual. Segundo Weuro, isso precisa ser feito dessa forma por lei. Se o passageiro entra no táxi na rua, pode pedir o taxímetro físico; se chama pelo aplicativo, usa o taxímetro virtual.

A tarifa mínima do táxi aparece como o valor da bandeirada, em torno de R$ 5,26. O quilômetro segue a tabela municipal, com valores citados entre R$ 3,50 e R$ 3,60 na bandeira 1, e R$ 4,26 na bandeira 2.

Categorias incluem agendamento, executivo e carro adaptado

O aplicativo tem categorias como táxi comum, agendamento, executivo e carro adaptado para cadeirantes. O agendamento tem valor mínimo próprio, porque exige deslocamento e garantia de que o motorista estará no local no horário combinado.
A categoria de carro adaptado é um dos diferenciais da operação. O veículo permite transportar cadeirantes sem que precisem sair da cadeira de rodas, oferecendo mais conforto e acessibilidade.

“É qualidade de vida para quem é cadeirante poder entrar no veículo para ser transportado sem precisar sair da cadeira de rodas”, afirma.

Drivers precisam passar por cadastro e entrevista

Para os taxistas, o cadastro segue exigências ligadas ao alvará municipal. Já o driver, motorista particular, não tem esse alvará, mas passa por análise cadastral, entrevista e precisa identificar o carro com a central para poder trabalhar.

O processo não é automático. O motorista baixa o aplicativo, envia o cadastro, passa por avaliação e, se aprovado, conversa com a central.

“Ele não só baixa e começa a rodar. O carro precisa estar identificado com a central, senão não tem como trabalhar”, explica Weuro.

Base tem 60 motoristas

O taxiuberlândia reúne cerca de 60 motoristas, somando taxistas e drivers. A empresa não informou o número de passageiros cadastrados, mas reconhece que a base ainda está em crescimento e que o aplicativo vem “arranhando” mercado aos poucos.

O público mais frequente, segundo Weuro, é o de agendamentos. Muitas corridas são para aeroporto, rodoviária, consultas, serviços e situações em que o passageiro precisa garantir horário.

“Não é transporte de massa. A grande maioria é agendamento, gente que precisa garantir o horário”, afirma.

Não há dinâmica, mas há bandeira 2

A plataforma não trabalha com tarifa dinâmica. A gestão preferiu não adotar esse modelo para não descaracterizar a proposta do serviço. O que existe é a bandeira 2, como no táxi tradicional, aplicada fora do horário comercial. No aplicativo, ela começa a valer a partir das 20h.

Para os gestores, isso mantém o serviço mais próximo da lógica do táxi, com regras conhecidas pelo passageiro.

Cobrança do motorista é por porcentagem

A empresa não cobra mensalidade dos motoristas. A cobrança funciona por porcentagem, mas apenas a partir de determinado valor de corrida. Em viagens pequenas, como corridas de R$ 15 ou R$ 20, não há desconto. Acima desse patamar, a taxa é de 20%.

O modelo vale tanto para taxistas quanto para drivers. A central também atende empresas, transportes de funcionários e executivos.

O dinheiro em espécie vai direto para o motorista. Pagamentos por cartão ou Pix entram na carteira de crédito do condutor, sem distinção entre táxi e driver.

Motoristas faturam de R$ 6 mil a R$ 8 mil livres

Segundo Weuro, um motorista que roda com frequência consegue faturar, livre, entre R$ 6 mil e R$ 8 mil por mês.

A empresa ainda não tem parcerias com postos, oficinas ou eventos locais, mas pretende desenvolver esse tipo de benefício futuramente.

Central realiza até 4 mil corridas por mês

O taxiuberlândia realiza aproximadamente de 3 mil a 4 mil corridas por mês. O volume ainda é considerado modesto pela gestão, mas faz parte de uma fase de reconstrução e adaptação do serviço de táxi ao ambiente digital.

A central foi criada antes, mas o aplicativo passou a ser usado de forma mais efetiva por volta de 2020 ou 2021.

Convencer taxistas foi o período mais difícil

O momento mais desafiador foi convencer os próprios taxistas de que era preciso mudar. Para Weuro, muitos profissionais esperavam que a prefeitura, o mercado ou os passageiros mudassem sem que o setor precisasse se adaptar.

A adoção da plataforma exigiu mostrar que a tecnologia não iria embora e que o táxi precisava aprender a usá-la a favor do próprio serviço.

“A gente precisava convencer os taxistas de que não dava para ficar esperando as coisas mudarem sem fazer nada”, afirma.

Weuro é taxista desde 2006

Weuro nasceu em Goiânia, foi criado em Uberlândia e passou a maior parte da vida na cidade mineira. Antes de entrar no táxi, trabalhou com armazéns gerais e armazenamento de grãos. Em 2006, após sair da empresa onde trabalhava em Araguari, mudou-se para Uberlândia, onde já tinha irmãos taxistas, e entrou definitivamente no setor.

Ele segue taxista até hoje e é responsável direto pelo transporte em carro adaptado para cadeirantes.

“Eu acredito no serviço de transporte. Em vez de desistir, quando vi que ninguém ia fazer nada, corri atrás para eu fazer”, conta.

Resiliência virou palavra-chave

Ao olhar para a própria trajetória como taxista e empreendedor, Weuro resume o aprendizado em uma palavra: resiliência. Para ele, sem essa capacidade, as dificuldades do setor acabam paralisando qualquer tentativa de mudança.

“Se você não consegue ser resiliente, as coisas te prendem e você não consegue sair daqui”, afirma.

Passageiro também resiste a baixar novos apps

A dificuldade não está apenas nos motoristas. A central também enfrenta resistência de passageiros em baixar mais um aplicativo. Por isso, a empresa ampliou canais de atendimento, com site, WhatsApp e outras ferramentas além do app.

Weuro avalia que muitos usuários já têm aplicativos globais instalados e não veem sentido em baixar plataformas diferentes em cada cidade. O desafio, então, é mostrar que Uberlândia tem uma solução própria para táxi e outras categorias.

“A grande massa ainda não sabe que Uberlândia tem um aplicativo de táxi em que pode pedir todas as categorias”, diz.

Falta de táxis na periferia motivou entrada dos drivers

Um dos problemas de Uberlândia é a distribuição dos táxis. Segundo Weuro, há carros concentrados no aeroporto, na Praça Tubal Vilela e na rodoviária, mas falta disponibilidade em regiões periféricas. Quando um passageiro pede um táxi longe desses pontos, o motorista muitas vezes não se desloca para atender.

Foi nesse contexto que a central passou a buscar drivers que já estavam em outros aplicativos e poderiam atender essas regiões com um valor diferenciado, complementando o serviço de táxi.

“Foi aí que sentimos a necessidade de buscar motoristas que já estão nos outros aplicativos”, explica.

Meta é ser a maior da região

O objetivo da empresa é se tornar a maior central da região, unindo o mundo do táxi e o dos drivers em uma mesma estrutura. Para isso, os gestores querem investir mais em reconhecimento de marca, contratos e ampliação da frota disponível.

Um entrave ainda é a dependência de permissões municipais para ampliar a presença de táxis em áreas mais afastadas. Enquanto isso não avança, os drivers funcionam como complemento para atender onde o táxi tradicional não chega com facilidade.

“A gente quer buscar o mercado que acredita existir nesses dois mundos”, afirma Weuro.

Foco seguirá em Uberlândia

Apesar do plano de crescimento, a empresa não pretende expandir para outras cidades. A escolha do nome taxiuberlândia reforça a estratégia de concentrar esforços no município, considerado grande o suficiente para sustentar a operação.

Para os gestores, o caminho é consolidar a marca localmente antes de qualquer outra possibilidade.

Legado: segurança e tecnologia

O legado que o taxiuberlândia quer deixar é a associação entre segurança e tecnologia. Para Weuro, esse deve ser o principal pensamento do passageiro ao ver um carro identificado com a marca.

A frase que resume a proposta é direta:

“Segurança não tem preço.”

Com esse posicionamento, a empresa tenta mostrar que o táxi pode continuar relevante em uma cidade grande como Uberlândia, desde que use a tecnologia como aliada e não como ameaça.

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