A história da MobJÁ começou há sete anos, em Alegrete (RS), quando Rogério Gargaro Machado, gestor da plataforma e economista de formação, decidiu transformar uma inquietação em negócio.
Na época, Rogério trabalhava com um sistema de cartões private label voltado para sindicatos e associações e viajava com frequência pelo Rio Grande do Sul. Foi durante uma dessas viagens, ao ouvir no rádio as primeiras discussões envolvendo a chegada da Uber ao Brasil, que percebeu que aquele mercado poderia representar uma nova oportunidade.
“Eu estava escutando a Rádio Gaúcha e pensei: ‘Será que dá certo esse negócio de aplicativo?’”, relembra.
Ao lado de um parceiro responsável pela parte técnica, iniciou a busca por empresas que desenvolvessem uma plataforma própria de mobilidade. O mercado ainda era novo, com poucas opções disponíveis e praticamente nenhuma solução robusta.
Após encontrar um fornecedor, deu início ao projeto que, anos depois, se tornaria a MobJÁ.
O desafio durante a pandemia
A empresa atravessou os primeiros anos aprendendo a operar o novo modelo de negócio até enfrentar seu maior desafio: a pandemia de Covid-19. Enquanto grande parte da demanda desaparecia e concorrentes reduziam suas operações, Rogério decidiu manter o aplicativo funcionando.
“Eu pensei: ‘Acho que vai acabar o mundo, mas vamos trabalhar. Eu vou morrer trabalhando’”, conta.
Com apenas alguns motoristas ativos, a plataforma passou a atender principalmente deslocamentos entre residências e hospitais. Ao fim da pandemia, a redução da concorrência abriu espaço para o crescimento da MobJÁ.
“Passaram cinco anos e eu pensei: ‘Agora eu acho que não vou quebrar mais. Se eu passei pela pandemia, eu passo por qualquer coisa’.”
Expansão com carros elétricos
Ao invés de acelerar a expansão, o gestor optou por um crescimento gradual. A estratégia foi investir primeiro na estrutura da operação para, só depois, ampliar a presença em outras cidades. “Vamos deixar tudo redondinho primeiro. Quando entrar em outra cidade, a gente já vai ter o know-how.”
A aposta na inovação se tornou uma das marcas da empresa. A MobJÁ foi uma das primeiras plataformas regionais a oferecer cashback aos passageiros e, mais recentemente, passou a investir na eletrificação da frota. Há cerca de um ano, lançou a categoria EcoMob, voltada exclusivamente para carros elétricos.
Segundo o fundador da plataforma, a iniciativa provocou resistência no mercado local. “Quando eu trouxe o carro elétrico para a minha cidade foi uma briga. Diziam: ‘Carrinho à pilha, será que vai funcionar?’.”
A aceitação, porém, veio rapidamente quando a população notou os benefícios. Atualmente, a plataforma reúne cerca de 80 motoristas com veículos elétricos apenas em Alegrete e mais de 210 condutores cadastrados na cidade.
O tamanho da operação
Somando todas as operações, a MobJÁ possui aproximadamente mil motoristas e mais de 40 mil passageiros cadastrados.
Hoje, além de Alegrete, o aplicativo também opera em municípios como Santa Maria, Uruguaiana e Ijuí, todos no Rio Grande do Sul. A plataforma oferece categorias como Executivo, EcoMob, Executivo Plus, EcoMob Plus e Mob Pink, categoria específica para mulheres.
Além disso, o gestor afirma que está em preparação o lançamento da categoria Mob Rural, voltada para deslocamentos em estradas de chão.
A corrida mínima para os passageiros custa cerca de R$ 9,50 para até 1,5 km. Já os motoristas podem escolher entre três modelos de cobrança: diária de R$ 20, mensalidade de R$ 400 ou comissão de 15% por corrida.
Segundo Rogério, o motorista com melhor desempenho chega a faturar aproximadamente R$ 16 mil por mês.
Atualmente, a MobJÁ realiza mais de 40 mil corridas mensais apenas com veículos elétricos em Alegrete e movimenta cerca de R$ 1 milhão por mês.
Apesar dos números, Rogério afirma que nunca teve pressa para crescer. “A gente prefere fazer um trabalho bem formiguinha. Menos incômodo, menos estresse e um bom serviço.”
Investimento em um ecossistema de mobilidade
Além do aplicativo, a empresa passou a atuar em outras frentes ligadas à mobilidade elétrica.
A MobJÁ criou uma operação de financiamento de veículos para motoristas parceiros e está finalizando seu primeiro eletroposto, que contará com estrutura de apoio para usuários, incluindo sala de espera, café, televisão, banheiro e espaço para descanso durante o carregamento dos veículos.
O investimento faz parte de um plano mais amplo: a meta é inaugurar 25 eletropostos até o fim do ano e transformar o projeto em um modelo de expansão para outras cidades.
Concorrência e visão de mercado
Mesmo convivendo com concorrentes regionais e com a presença de grandes plataformas nacionais, ele acredita que ainda há espaço para aplicativos locais. “Tem espaço, sim. Só depende de fazer um bom trabalho junto com os motoristas e com as cidades”.
Sete anos depois, Rogério vê sua marca circulando pelas ruas do Rio Grande do Sul e prepara uma nova etapa da empresa, unindo mobilidade, infraestrutura para veículos elétricos e expansão regional.
“A gente vê ali a nossa marca crescendo e agora com o eletroposto que a gente está colocando, então vai estar espalhando o MobJÁ em quase todo o Rio Grande do Sul. Então, isso é importante para vermos nossa marca no mercado.”
