Criada em agosto de 2025, a Loyal Driver surgiu com a proposta de buscar equilíbrio entre o que o passageiro paga e o que o motorista recebe. À frente do projeto, a CEO Denise Galvão afirma que a plataforma nasceu da percepção de que o mercado de mobilidade precisava ser mais justo para os dois lados da corrida.

Hoje presente em cidades como Petrópolis, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Nilópolis, Nova Iguaçu, Macaé e Cabo Frio, a empresa ainda está em fase de consolidação, mas já projeta expansão e aposta em uma taxa de retenção de 10% como diferencial para atrair parceiros. Segundo Denise, o motorista que mais faturou na plataforma já chegou a cerca de R$ 4,5 mil, enquanto a Loyal Driver busca ganhar espaço em um setor dominado por gigantes como Uber e 99.

Antes de falar da Loyal Driver, conta um pouco da sua história. O que te levou até a mobilidade urbana?

Denise Galvão: Na verdade, eu não venho da mobilidade como motorista, mas como usuária. Foi justamente dessa posição que comecei a observar várias falhas do setor. Como passageira, eu via o impacto das tarifas dinâmicas em horários de pico, em dias de chuva ou em situações atípicas. E isso sempre me incomodou, porque eu entendo que a mobilidade precisa ser justa para os dois lados: para o usuário e para o motorista parceiro.

O que me levou a entrar nesse mercado também foi uma necessidade de recomeço. Todo mundo tem uma história, passa por momentos difíceis, desemprego, necessidade de buscar algo novo. E eu comecei a enxergar nesse setor uma oportunidade de fazer diferente. Pensei que poderia existir um aplicativo que fosse bom para o motorista, mas que também respeitasse o usuário.

Foi assim que nasceu a ideia da Loyal Driver: um aplicativo que se preocupasse com quem usa e com quem trabalha.

Qual problema do mercado você identificou e quis resolver com a Loyal Driver?

Denise Galvão: O principal problema que eu identifiquei foi justamente esse desequilíbrio entre usuário e motorista. De um lado, o usuário sofre com tarifas que sobem muito em momentos de maior demanda. Do outro, o motorista também tem custos reais com combustível, manutenção e desgaste do próprio veículo. Então, eu sempre entendi que a solução não era favorecer apenas um lado.

Na Loyal Driver, a gente tenta construir esse equilíbrio. Nossa proposta sempre foi trabalhar com uma tarifa justa para o passageiro e uma taxa acessível para o motorista. A ideia é permitir que o motorista consiga manter o carro, trabalhar com dignidade e, ao mesmo tempo, que o usuário não seja penalizado por uma lógica de preços abusivos.

Desde quando o aplicativo existe?

Denise Galvão: A Loyal Driver começou em agosto de 2025. Desde então, estamos em processo de divulgação, captação de motoristas, fortalecimento da marca e entrada gradual no mercado. É uma empresa muito nova, mas que já vem tendo um retorno interessante em relação ao tempo de operação.

Como foi o processo entre ter a ideia e colocar o app para funcionar?

Denise Galvão: Foi um processo longo de pesquisa e planejamento. Eu procurei estudar bastante o setor, conhecer a tecnologia necessária, entender o funcionamento de outras plataformas e observar a realidade das cidades. Também pesquisei muito sobre quantidade de habitantes, necessidade de transporte e comportamento do público.

Além disso, a gente teve um cuidado especial na escolha da empresa de tecnologia, porque o aplicativo precisava realmente atender à necessidade do usuário e do motorista. Foram feitos vários testes, várias provisões, vários ajustes. Não foi uma coisa feita de qualquer jeito. Eu venho estudando esse setor há quase dois anos.

Qual foi o investimento inicial da Loyal Driver?

Denise Galvão: Até agora, o investimento gira em torno de R$ 150 mil, e ele ainda continua. Eu sigo investindo na empresa. Como sou formada em contabilidade e administração, tenho uma visão muito racional disso: o retorno vem, mas ele é gradual. É uma construção.

Em quais cidades a Loyal Driver está presente hoje?

Denise Galvão: Hoje a Loyal Driver está em Petrópolis, que é uma base importante para nós, e também no Rio de Janeiro. Além disso, temos presença em cidades da Baixada Fluminense, como São João de Meriti, Nilópolis e Nova Iguaçu. Também temos franquia em Macaé e Cabo Frio.

Você tem sócia? Como vocês dividem o trabalho?

Denise Galvão: Tenho, sim. Minha sócia é a Mônica Sodré. Só que ela é uma pessoa mais reservada. Na prática, a maior parte das tarefas fica comigo. Sou eu que cuido de marketing, divulgação, publicações, atualizações no site, organização da estrutura e da maior parte das decisões operacionais.

Qual foi o momento mais difícil desde o lançamento do app?

Denise Galvão: O momento mais difícil continua sendo conquistar a confiança. Essa é a parte mais árdua. O motorista parceiro e o usuário são muito desconfiados, e com razão, porque o mercado já machucou muita gente.

O motorista quer saber se a empresa é séria, se vai repassar corretamente os valores, se não é golpe. O usuário também quer saber se pode confiar, se o aplicativo vai funcionar, se vai ter segurança. Então, o grande desafio de uma empresa nova é esse: fazer as pessoas acreditarem.

A montagem da estrutura, a tecnologia, a equipe, tudo isso foi difícil, claro, mas o mais difícil mesmo é conquistar credibilidade.

Quais críticas você mais ouviu no começo?

Denise Galvão: A principal crítica sempre foi a desconfiança. As pessoas diziam: “Aplicativo novo não vinga”, “sempre começam prometendo taxa baixa e depois somem”, “não dá para confiar”. Isso é muito comum.

Quando minha equipe vai para a rua divulgar, escuta muito isso. As pessoas não dão um voto de confiança logo de início. Mas eu entendo, porque o mercado ensinou elas a desconfiarem.

Qual era o seu maior medo quando decidiu lançar a Loyal Driver?

Denise Galvão: Eu costumo dizer que, quando você entra em um negócio, não pode entrar com medo. Tem que entrar disposto a enfrentar. Claro que existe a preocupação de saber se vai dar certo, se o mercado vai aceitar, se o público vai entender a proposta. Mas medo, no sentido de paralisar, eu não tive.

Eu sempre pensei assim: se eu estou trazendo algo novo, uma proposta diferente, então preciso sustentar isso e enfrentar o desafio. O tempo é que vai mostrar se aquilo tem consistência ou não.

Em que momento você percebeu que a Loyal Driver estava começando a andar?

Denise Galvão: Foi principalmente pelo retorno nas redes sociais e pelo crescimento do número de cadastros. A rede social tem uma força muito grande. A cada anúncio, a cada divulgação, a gente percebe que mais pessoas conhecem a marca.

Eu não esperava que, em tão pouco tempo, já tivéssemos uma base razoável de motoristas cadastrados. Ainda é um número pequeno para o tamanho do projeto, claro, mas para uma empresa que começou em agosto de 2025, eu considero positivo.

Como é a sua rotina hoje como gestora? Você já chegou a rodar no próprio aplicativo?

Denise Galvão: Já, sim. Eu mesma já rodei no aplicativo. A rotina hoje é puxada. Eu acompanho aprovação de motoristas, ajudo em divulgação, organizo equipe, cuido de estratégia e também observo o funcionamento da plataforma na prática.

Hoje a Loyal Driver ainda tem pouca demanda, porque é uma empresa em fase inicial. Então, acompanhar o funcionamento de perto é essencial. Eu gosto de entender como as coisas estão acontecendo, tanto do lado do motorista quanto do lado do usuário.

Do que você mais se orgulha na sua trajetória até aqui?

Denise Galvão: Eu me orgulho muito da mudança que isso trouxe para a minha vida. Antes eu atuava na contabilidade. Hoje, eu trabalho com outra dinâmica, outro setor, outro ritmo. É totalmente diferente.

Me sinto muito melhor fazendo isso. Sinto que estou construindo algo. É desafiador, mas também muito gratificante.

Quantos motoristas e passageiros a Loyal Driver tem hoje?

Denise Galvão: Hoje temos cerca de 170 motoristas cadastrados e em torno de 100 passageiros na plataforma.

Quantas corridas vocês realizam por mês?

Denise Galvão: Ainda é um volume pequeno, porque a empresa está no começo. Hoje fazemos em média entre 200 e 300 corridas por mês. Para uma empresa ainda tão nova, eu considero um começo aceitável.

Qual é o valor da corrida mínima na Loyal Driver?

Denise Galvão: Na categoria mais simples, a corrida mínima gira em torno de R$ 8,90. No caso das motos, o valor mínimo é de R$ 4,50.

Qual é a taxa cobrada do motorista?

Denise Galvão: A taxa da Loyal Driver é de 10%, e nossa intenção é manter esse percentual. Nós não temos projeto de aumentar essa taxa. Ela foi calculada pensando em permitir que o motorista consiga trabalhar, manter o carro e ainda ter retorno financeiro.

Quanto o motorista costuma receber por quilômetro?

Denise Galvão: Hoje, na média, a Loyal Driver trabalha com cerca de R$ 2,90 por quilômetro no carro. No caso da moto, a média gira em torno de R$ 1,60 por quilômetro. Claro que há variações, mas essa é uma base aproximada.

Como funciona o pagamento para os motoristas?

Denise Galvão: Hoje a Loyal Driver já trabalha com carteira digital. O usuário pode pagar por Pix, cartão e outras formas digitais. Estamos implementando um sistema para que a parte do motorista já entre automaticamente para ele.

No caso do dinheiro, existe uma tratativa específica, porque o pagamento é feito na hora e depois há o ajuste correspondente à taxa da plataforma. Mas, no geral, trabalhamos com carteira digital e meios eletrônicos de pagamento.

Quanto um motorista costuma faturar na plataforma?

Denise Galvão: Como ainda temos pouca demanda, os valores ainda são modestos. O motorista que mais faturou fez algo em torno de R$ 4.500. Outros ficaram na faixa de R$ 2 mil e pouco.

Para o estágio atual da empresa, é o que temos. A intenção é crescer e aumentar essas possibilidades de ganho.

Quanto a Loyal Driver movimenta hoje e qual é o faturamento da empresa?

Denise Galvão: Hoje a movimentação geral gira em torno de R$ 200 mil. Já o faturamento da empresa, considerando nossa taxa, fica entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.

Vocês têm meta de faturamento para 2026?

Denise Galvão: Temos, sim. A meta seria chegar a algo entre R$ 100 mil e R$ 150 mil só em taxa. Estamos trabalhando para isso.

Quais são os seus planos para os próximos cinco anos?

Denise Galvão: Primeiro, consolidar a empresa de verdade, fazer a Loyal Driver crescer. Um faturamento de R$ 20 mil ainda é pequeno para o tamanho do projeto. Então, o plano é alavancar mesmo.

Também temos projetos de incentivo. Quero, por exemplo, no futuro, liberar o mês de dezembro sem cobrança de taxa para o motorista, como uma forma de presente de Natal. Também penso em premiações para os motoristas com melhor desempenho e em programas de fidelidade para os usuários, com acúmulo de pontos e descontos maiores nas viagens.

Projeto é o que não falta. O que precisamos é ir avançando passo a passo.

Como você avalia o futuro da mobilidade regional?

Denise Galvão: Eu vejo com bons olhos. A mobilidade melhorou muito no Brasil. Ainda existem dificuldades, claro, mas hoje uma pessoa consegue sair de casa e chegar ao destino com muito mais facilidade do que antes. Isso é um ganho enorme, especialmente em lugares onde o transporte público não atende bem.

O que os aplicativos regionais precisam fazer para conquistar mais espaço no mercado?

Denise Galvão: Eu acredito que precisam insistir e resistir. Precisam ter persistência. Também acho importante ter mais sensibilidade com o motorista.

Eu, por exemplo, não concordo com certas exigências de idade do veículo quando elas tiram da plataforma justamente o carro que é o ganha-pão da pessoa. Claro que é preciso cumprir a legislação e garantir segurança, mas também é preciso ter bom senso.

Se um motorista não consegue trocar o carro naquele momento, talvez a empresa precise buscar uma alternativa, em vez de simplesmente excluí-lo. Acho que o aplicativo regional precisa olhar mais para a realidade do parceiro.

Vocês enfrentam problemas com corridas por fora?

Denise Galvão: Por enquanto, ainda não tivemos esse problema de forma relevante. Mas é claro que pode acontecer. Se acontecer, eu considero desonesto. E, se houver esse tipo de prática, o motorista terá que ser advertido ou até desligado da plataforma. A nossa taxa é justa. Não faz sentido agir dessa maneira.

Quais são seus medos ou inseguranças para o futuro?

Denise Galvão: Eu não gosto de dizer que tenho medo. Eu tenho desafios. O que me preocupa é a regulamentação e os rumos que o setor pode tomar. Mas eu não sou uma pessoa que se paralisa com isso. Eu sigo em frente.

Qual legado você quer deixar com a Loyal Driver?

Denise Galvão: Força, perseverança e resistência. Desistir nunca. Eu não tenho medo de gigante. Quero mostrar que é possível construir algo diferente, com lealdade, com respeito e com uma proposta mais justa para todos.

Foto de Giulia Lang
Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.