Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do 55content
No meu último texto aqui no canal 55content, eu falei sobre a questão do ganho por tempo versus ganho por quilômetro. Contei o caso de um motorista que disse pra mim que ganhava de 500 a 600 reais por dia, rodando de 400 a 500 quilômetros. Porque, pra ele, o negócio era dinheiro rápido. Mas, gente, quilômetro não paga conta! E essa não é só a opinião dele — muitos motoristas pelo Brasil pensam assim.
Quando esse texto foi ao ar aqui no portal 55content, teve comentário pra tudo quanto é lado. Uns concordaram, outros discordaram. Mas alguns comentários específicos me chamaram muito a atenção. Especialmente um, que dizia o seguinte: “Ah, eu não pago as suas contas, você não paga as minhas, então é cada um por si e ninguém tem nada com a vida de ninguém.”
Quando eu li esse comentário, caiu a ficha. Aí eu entendi onde tá o problema. É exatamente por isso que a tarifa não sobe, entendeu? Não? Então vem comigo que eu vou te explicar.
Fala aí, motorista! Vim aqui pro espaço do portal 55content pra gente bater um papo sobre mentalidade de motorista, sobre por que a tarifa não sobe e o que isso tem a ver com a forma como a gente pensa.
Você sabe por que isso acontece? Então senta aí que eu vou te explicar direitinho.
Há anos a gente vem lutando por melhores condições de trabalho. A gente quer tarifas mais dignas, mais decentes, valores justos que acompanhem os nossos custos — que, aliás, só aumentam. A gasolina, por exemplo, tá batendo na porta dos sete reais. E aí, como tá aí na sua cidade? Aqui, por exemplo, já tá seis e oitenta o litro. E a tarifa mínima? Cinco e cinquenta. E o ganho por quilômetro?
Se o motorista só olha o tempo e ignora o KM, vai acabar fazendo corrida por um real o quilômetro — isso aqui na minha cidade. E na sua, como é que tá? Já comenta aí, quero saber como anda a situação por aí também.
Pois aqui é assim: tarifa mínima de cinco e cinquenta e um real por quilômetro, se você não souber escolher as corridas. Se não tiver paciência, vai passar horas e horas parado, esperando aparecer uma boa.
Hoje em dia, pra trabalhar bem, precisa ter paciência. Pra conseguir um bom ganho por KM e também um rendimento razoável por tempo. Só que tem uma galera que só olha o tempo. Quer sair, fazer dinheiro rápido, voltar pra casa e viver feliz pra sempre. Mas com o carro destruído, com um milhão de quilômetros rodados, roda caindo, tudo despedaçado.
Tem gente que pensa assim. Não cuida do carro. Não entende que quanto mais roda, mais manutenção vai ter. Mais troca de óleo, mais pneu, mais freio. O motor vai pro espaço. E quando for vender, o carro não vale mais nada.
Falei disso no último texto e, acredita, fui criticado. Criticado pela turma que acha que é “cada um por si e Deus por todos”.
Mas esse pensamento só beneficia as empresas. É exatamente isso que os aplicativos querem. Você já percebeu que os apps nunca se deram ao trabalho de reunir os motoristas? Nunca promoveram troca de boas práticas, de experiências? Nunca fizeram um evento pra galera se juntar, conversar, interagir, se ajudar?
Porque se os motoristas estiverem unidos, vão trabalhar com mais segurança, com mais eficiência. Vão se tornar profissionais melhores. Um ensina o outro. Um ajuda o outro. E no final, todo mundo sai ganhando.
Mas não. A lógica que impera é “cada um por si”. E quanto menos os motoristas se unirem, menos vão trocar informações, menos vão melhorar, e mais viagens ruins vão acabar fazendo.
Porque se o cara não tem noção, se não sabe trabalhar, ele aceita qualquer corrida. Trabalha de qualquer jeito. E aí a gente volta pra aquela mentalidade de “vamos aceitar corrida, vamos fazer viagem, vamos ganhar dinheiro rápido, vamos ganhar dinheiro rápido”.
Essa mentalidade de cada um por si só favorece os aplicativos. E a gente vê isso o tempo todo na rua.
Você conversa com o motorista e ele já vem com aquele papo: “Eu trabalho do meu jeito, faço como quero, sei o que é melhor pra mim.” Mas será mesmo? Tem certeza?
Você já parou, pelo menos, pra fazer as contas?
Quando o cara começa com esse discurso, eu tento abrir o olho dele e falo: “Amigo, faz as contas. Quanto você ganha? Quanto você gasta? Vê o que realmente sobra no final.”
Porque, olha, a maioria não tem essa noção. O cara vê só o ganho bruto do dia. Ganhou R$500, R$600, rodou 400km, gastou R$300 de combustível. Aí pensa: “Beleza, botei R$300 no bolso.” E segue nessa: em 10 dias, R$3.000; em 20 dias, R$6.000. “Poxa, antes eu ganhava um salário mínimo, agora tô ganhando R$6.000!” Mas… será mesmo que está?
Desses R$6.000, quanto é de fato seu? Quanto é do carro? Quanto é da manutenção? Do seguro? Quanto é de verdade e quanto é só parte do seu negócio, que você ainda tem que tirar?
A maioria não faz essa conta. Não separa a grana. Acha que tirando o valor do combustível, o resto é lucro. E aí esquece que, com o tempo, as coisas começam a pesar. E o que a gente vê depois? Muito motorista frustrado, reclamando que tá difícil, que não tá dando mais.
Aí a culpa, claro, vai toda pro aplicativo. Mas, na real, foi ele mesmo que procurou essa situação. Quando decidiu que era “cada um por si”. Quando achou que não precisava ajudar ninguém. Que bastava “fazer o meu”.
E é aí que eu te pergunto: o que você acha disso tudo?
Comenta aí, quero saber a sua opinião. Porque eu, sinceramente, sou totalmente contra essa ideia. Eu acredito na união. Acredito que os motoristas precisam se unir, trabalhar juntos, pra conquistar alguma coisa. Porque hoje, no mundo dos aplicativos, a “parceria” virou praticamente uma sociedade — onde metade do que a gente ganha fica com o aplicativo, e a outra metade a gente usa pra cobrir os custos e torce pra sobrar alguma coisa.
E esse cenário só vai mudar quando a gente tiver força. Quando a gente tiver união.
Ou você acha que, do nada, um dia a empresa vai acordar e pensar: “Ah, já estou ganhando dinheiro demais em cima dos motoristas, vamos reduzir a taxa, pagar melhor pra todo mundo ficar feliz…”?
Isso não vai acontecer.
E sabe por quê?
Porque não falta carro. Não falta motorista. Todos os dias, milhares de motoristas saem às ruas, ficam online e trabalham. Com tarifa ruim, tarifa mais ou menos, com ou sem dinâmico, pagando metade do valor em taxa ou não… Os motoristas continuam saindo.
Se não falta carro, por que eles aumentariam a tarifa? Por que iriam mudar a situação?
Não falta carro. E como é que a gente vai fazer outros motoristas entenderem o que está acontecendo, se a gente não se une? Se for cada um por si, como vamos conversar, trocar ideia, abrir os olhos uns dos outros e mostrar que esse modelo de trabalho, do jeito que está, não é sustentável no longo prazo?
Sem união, a gente não consegue nada. Nem força política.
A gente não consegue nem colocar alguém lá em Brasília pra defender os nossos interesses. Enquanto a gente conversa aqui, lá nos bastidores tá rolando a regulamentação dos aplicativos. Os políticos estão decidindo junto com as empresas. E cadê o motorista lá?
Não tem.
Cadê o político defendendo o motorista?
Também não tem.
E por que não tem?
Mais uma vez: por falta de união. Por causa desse pensamento de “cada um por si”.
Você entende como essa mentalidade não nos ajuda em nada? Como ela só fortalece as empresas, os políticos, todo mundo… menos a gente?
Porque sozinho, ninguém muda nada. Mas juntos, todos nós, temos uma força que a gente nem imagina. Uma força capaz de transformar o trabalho do motorista de aplicativo no Brasil.
E aí? Concorda comigo ou não?
Sou maluco ou faz sentido o que eu tô falando?
Comenta aí, quero muito saber a sua opinião.
Respostas de 14
Fernando, eu concordo plenamente com seu comentário. Sem dúvidas eu tbm penso assim como vc e só aceito corrida menos de R$2.00/km quando não tenho outra alternativa.
Carro parado não, gasta gasolina, não desgaste peças e leva mais tempo pra manutenção.
É exatamente isso, vai piorar ainda mais pq os motoristas só olham o valor alto e não vê o qto vai ganhar realmente….
Essa paralisação dos motoboy mostrou o qto somos desunidos com motorista fazendo entrega pq tava um valor bom por falta de motoboy
Srs., não há como manter esse”negócio” com menos de 2 reais por Km rodado. Hj defini que só aceito corridas Comfort para chegar nesse mínimo. É uma vergonha o que esses Apps estão fazendo com o Motorista! Há anos não reajustam o km rodado! Sabe pq? Pra eles o que importa é conseguir o maior número de corridas para aumentar o faturamento deles. Como não participam do custo de manutenção do veículo, dos Impostos, do seguro… Reajustar o km rodado significa que as corridas ficarão “mais caras” e consequentemente diminuirão as corridas e assim seu lucro! É simples! Não enxerga quem não quer! Como a categoria é desunida, não há pressão para mudar isso. Talvez, se esses deputados que estão sentados em cima do projeto de lei para regulamentar essa relação, tornando-a mais justa, resisti$$em ao lobby das empresas de App, nós já teríamos uma proteção da lei, acabando com essa exploração covarde! Só seremos Fortes se formos Unidos!
Eu concordo plenamente com vc, Fernando Floripa, nós motoristas unidos a gente consegue virar o jogo, eu sou de Jundiaí SP aqui até que toca corrida de 1,70, 1,88, 2,05, isso no horário certo da minha cidade, se não for no horário certo é 1,00,095, 125, 1,32, entendeu tem que saber escolher as corridas por isso eu uso o Gigu, aqui na minha cidade ninguém fica mais sem Uber, e com certeza no Brasil inteiro, imagina se todos nós motoristas parar, deixar todo mundo sem a opção de chamar um motorista, porque não vai ter motorista trabalhando, sem querer exagerar, o Brasil para porque eles depende de nós, a maioria não vai ir a pé ou de ônibus, porque não ia ter ônibus pra todo mundo, e eles já estão viciados nós aplicativos, seria nós no comando!!!
Exatamente
Infelizmente no app tem muitos que por ignorância infelizmente tem esses pensamentos de que cada um por si
Eu faço mas fico parado e não pego corrida ruim, mesmo no Black
Até porque trabalho com CLT
Não aceito nada abaixo de 2 reais por km, 60 reais por hora e 1 real por minuto. Meu dia sempre termina com, no mínimo, 100% de faturamento acima da quilometragem. Além disso, sempre recebo os bônus das campanhas de número de viagens. Trabalho no máximo 9 horas por dia, 5 dias por semana. Não aceito viagens médias, nem longas, porque o valor do km é muito baixo. Além disso, boa parte do meu dia está focado nos horários em que há dinâmico. Se os aplicativos exploram motoristas e passageiros, e a categoria de motoristas não é unida por falta de consciência de classe, eu tô fazendo a minha parte. Uso um aplicativo externo, e recomendo que todos usem. Não sou a favor de paralisações, mas apoio um boicote estratégico. Se nenhum motorista aceitar viagem ruim, acredito que o sistema entraria em colapso.
Faço minha suas palavras na íntegra, sou motorista de app desde janeiro de 2016, e hoje é um absurdo o que estao fazendo com nós, mas isto mais por causa da própria classe (se é que dá para chama-la assim) que se submete a valores ridículos de viagens a preço de passagens de ônibus e taxas exorbitantes.
Concordo com os parceiros acima, aqui em Porto Alegre/RS corrida de R$ 8,00 prá baixo (devido a topografia da cidade, condições das vias e horários de movimento, entre outros fatores) não compensam, cobrem os custos, nem aceito. O problema é que se pensarmos assim somos penalizados pela taxa de aceitação, é uma sinuca de bico, se aceitar não ganha, se recusar, perde, no mínimo empata.
No mínimo 1,60 se for pouco km caso contrário não aceito
Olá pessoal, bom dia
Concordo plenamente com você, se não nos unirmos os aplicativos vão continuar pagando esses valores absurdos, eu por exemplo não pego corrida por menos de 2 reais o km e observando também o tempo gasto na corrida.
Concordo, os motoristas é uma classe desunida, algum estão só para encher linguiça, não usam como profissão e dão esses que acabam prejudicando a classe, brasil e o maior país que tem motorista para Uber, se um dia todos pararem quanto que não irá impactar no bolso da Uber? Acham que não iria analisar melhor? Pena que esses mela cueca não pensam assim.
Sou da cidade de Fortaleza-CE e aqui a taxa mínima é R$ 5,80. Vcs acreditam que ontem tocou uma dessas com duas paradas! Kkkkkk! Achei um absurdo! E como há solicitações com valores baixo! Eu não aceito! É isso que o aplicativo quer! Não aceitem!!!
Concordo com suas observações. Infelizmente, essa questão custo benefício não está equalizada.
De um lado os aplicativos quererem lucros astronômicos do outro, motoristas que precisam levar o sustento de cada dia para suas famílias e muitas delas sobrevivendo somente com os recursos do motorista fazendo as corridas diárias e muitos desses motoristas dirigindo 12 horas ou mais com dois ou mais aplicativos, o que além de gerar um custo altíssimo de combustível, também para as manutenções. E dependendo do horário e dos percursos com vias deterioradas, esse custo de combustível e manutenção aumenta ainda mais.
É preciso que tanto os aplicativos quanto os motoristas sentarem e apresentarem os custos e ganhos para cada categoria e no caso da UBER, categoria UBER X, CONFORT, BLACK, ENTREGAS, ETC. Outro detalhe importante é que não há destinação de categorias de carros como, automóveis de menores porte e valor, SUV, CAMINHOTES, CARROS BLINDADOS, Etc.
Todos precisam ter seus ganhos para cobrirem as despesas e terem lucro para darem continuidade no dia a dia de suas atividades.
Não faz sentido se montar uma empresa e não obter lucros, assim, como não faz sentido um motorista usar seu veículo assumindo com todos os custos e não ter lucro ou se o mesmo estiver muito próximo do ponto de equilíbrio, igual ou abaixo. Por isso que é extremamente necessário se fazer contas, saber a margem de contribuição (quanto preciso faturar por dia para cobrir todos os custos mensais com consumo, manutenção e mão de obra).
Acredito que que seja neste ponto que se deveria ter uma comissão com todos os estudos, planilhas de custos e lucratividade.
Tendo em vista que a necessidade na maioria das vezes fala mais alto que razão, muitos motorista acabam seguindo o raciocínio de “cada um por si”. Do exposto, acredito que é saudável os dois lados (aplicativos e motorista), buscarem esse ponto de equilíbrio.
Não adianta nada um motorista trabalhar dias exaustivos e após adoecer ficando dias parado ou até mesmo sob risco de graves acidentes. É preciso se buscar entendimentos entre as partes. Ganância não é saudável para nenhum dos lados. Equilíbrio, SIM, esse é o melhor caminho.
Srs. Não há interesse das empresas de App em reajustar o km rodado + tempo de deslocamento.!!
Isto significaria aumentar o valor das corridas para os passageiros (como se eles já não fizeram várias vezes, né?).. consequentemente reduzindo a quantidade de corridas e assim o lucro deles.
Exploram e vão continuar explorando, pq existem motoristas que não fazem o cálculo simples: Valor ofertado X Distância e Tempo à percorrer. É o motorista trouxa, desinformado e ignorante que faz essas plataformas continuarem a manter essa política de exploração por anos, apostando na desunião dessa categoria que não consegue pressiona-los, porquê não há mobilização e apoio aos protestos e manifestações que se espalham por esse país, dada a enorme insatisfação com essa política predatória.
Só seremos ouvidos se formos Unidos e Fortes!!