As características da mobilidade urbana brasileira podem colocar o país entre os mercados relevantes para testes e desenvolvimento de veículos autônomos, segundo avaliação de Yuri Misnik, CTO da inDrive.

Segundo dados do IBGE, 87,4% da população brasileira vive em áreas urbanas e a frota de motocicletas é de aproximadamente 38,4 milhões de unidades em 2026, de acordo com a Abraciclo.

Na avaliação da inDrive, a combinação de urbanização com a circulação de carros, motocicletas, ônibus, bicicletas, pedestres e veículos de entrega cria situações que exigem dos sistemas autônomos capacidade para interpretar diferentes comportamentos no trânsito.

A empresa também aponta a confiança dos usuários como um dos fatores que podem influenciar a adoção da tecnologia. Segundo dados do Monitor de Mobilidade 2026 da Ipsos citados pela companhia, 36% dos entrevistados globalmente dizem que se sentiriam seguros em um carro autônomo, enquanto outros 36% afirmam que não se sentiriam seguros.

Para Misnik, os resultados indicam que a adoção dos veículos autônomos dependerá, além do desempenho técnico, de fatores como percepção de segurança, transparência e adaptação às condições de cada mercado.

“O próximo salto da autonomia não será medido apenas pela capacidade de um carro operar em uma cidade bem mapeada, mas pela forma como ele reage a ruas que mudam, diferentes tipos de veículos e comportamentos locais. Se a tecnologia quiser ser global, os dados e os testes também precisam refletir essa diversidade”, afirma Yuri Misnik, CTO da inDrive.

Desafios da autonomia no trânsito brasileiro

Segundo o executivo, a aceitação de novas tecnologias automotivas também passa pela percepção dos benefícios para quem circula nas cidades. Recursos relacionados à segurança, à previsibilidade e à resposta a diferentes situações de trânsito precisam, na avaliação de Misnik, ser considerados no desenvolvimento dos sistemas.

Os veículos autônomos utilizam dados obtidos por câmeras, sensores, mapas e simulações para operar e aprimorar seus sistemas. De acordo com Misnik, um dos desafios é evitar que tecnologias validadas em um grupo restrito de cidades sejam desenvolvidas com o pressuposto de que as condições de trânsito serão semelhantes em outros mercados.

No caso brasileiro, a inDrive cita a presença de motocicletas como uma das características que precisam ser consideradas, além disso, situações envolvendo mudanças de faixa, travessias de pedestres e interações entre diferentes meios de transporte devem fazer parte dos cenários avaliados no desenvolvimento dos sistemas.

Outro ponto destacado pelo executivo é que obras, acidentes, chuvas, alagamentos e alterações temporárias na circulação podem modificar as condições encontradas pelos veículos e fazer com que mapas fiquem desatualizados em pouco tempo.

Entre as tecnologias citadas por Misnik estão mapas de alta definição associados a dados operacionais em tempo real, processamento de inteligência artificial no próprio veículo para selecionar informações e proteger dados pessoais, além de simulações baseadas nas características de cada cidade.

Segundo a inDrive, a expansão comercial dos veículos autônomos já inclui serviços de robotáxi, principalmente nos Estados Unidos e na China. Para Misnik, uma das próximas etapas será avaliar a capacidade desses sistemas de operar em mercados com infraestrutura, clima e padrões de circulação diferentes daqueles encontrados nas cidades onde as primeiras operações ganharam escala.

Motoristas entram na discussão sobre veículos autônomos

Na avaliação do executivo, cidades com diferentes condições de infraestrutura e comportamento no trânsito podem servir como ambientes de desenvolvimento de sistemas capazes de lidar com uma variedade maior de situações.

A empresa afirma ainda que a transição para veículos autônomos deve considerar os profissionais que atualmente trabalham com mobilidade.

“A adoção de veículos autônomos não deve pressupor que motoristas parceiros simplesmente deixem de participar da mobilidade. Acredito que precisamos criar caminhos para que eles também possam fazer parte dessa nova economia, inclusive em modelos ligados à operação e à propriedade de frotas autônomas. O ponto central é preservar a capacidade de escolha, permitindo que cada parceiro decida quando utilizar a plataforma e quais oportunidades considerar. A questão não é apenas o que será automatizado, mas quem poderá participar dessa transformação”, afirma o executivo.

Para Misnik, mercados como o brasileiro podem contribuir para avaliar como a tecnologia responde a diferentes condições de circulação.

“Se um veículo autônomo conseguir operar com segurança em situações encontradas em cidades como São Paulo, Delhi, Jacarta ou Lagos, terá aprendido algo que ambientes mais homogêneos dificilmente poderiam ensinar. O futuro da mobilidade autônoma será decidido quando a tecnologia conseguir funcionar onde o mundo realmente vive”, conclui Misnik.

Foto de Redação 55content
Redação 55content

O 55content é o maior portal de jornalismo sobre aplicativos de transporte e entregas do Brasil.