A TX Mobilidade se prepara para iniciar sua fase comercial após um período de aproximadamente quatro anos de desenvolvimento do projeto.
À frente da parte comercial está Diego Benetti, CEO e fundador da TX Mobilidade. Aos 43 anos, ele atua há cerca de duas décadas no mercado imobiliário, como corretor, consultor de negócios imobiliários e especialista em consórcio. Embora tenha chegado a se cadastrar na Uber em um momento de reinvenção profissional, em 2016, não chegou a atuar como motorista. Sua entrada no projeto aconteceu depois, ao lado do irmão, Thiago Benetti, responsável pelo desenvolvimento tecnológico da plataforma.
O aplicativo está disponível nas lojas há cerca de 12 meses e já foi testado em cidades da Grande Vitória, além da capital, Vila Velha, Cariacica e Serra. Mesmo sem divulgação comercial, a plataforma cadastrou motoristas organicamente, realizou corridas e passou por ajustes a partir da experiência de usuários e condutores. Agora, a empresa pretende lançar a operação de forma estruturada, com foco em cidades do interior, regiões menores e municípios que ainda não contam com aplicativos de mobilidade ou têm atendimento considerado defasado.
Segundo Diego, a estratégia da TX é atuar onde há uma “fragilidade do sistema”. Ele afirma que cerca de 70% dos municípios brasileiros não têm acesso adequado a tecnologias de mobilidade urbana. Por isso, o plano da empresa é crescer por meio de parcerias, franqueados e licenciados, dando a cada região um responsável local pela operação.
Tecnologia desenvolvida do zero por Thiago Benetti
O projeto da TX Mobilidade começou a ser desenvolvido por Thiago Benetti. Programador, ele passou a trabalhar na criação da tecnologia própria da plataforma a partir de 2021, desenvolvendo a estrutura do aplicativo do zero.
Diego acompanhou o processo desde o início, oferecendo apoio ao irmão durante a fase de desenvolvimento. Há cerca de um ano e meio a dois anos, os dois decidiram intensificar a parceria, consolidaram uma sociedade, abriram a empresa e dividiram as áreas de atuação.
A parte comercial, de expansão e comunicação ficou sob responsabilidade de Diego, justamente por sua experiência em vendas e negócios. Thiago permaneceu à frente da base tecnológica, cuidando da operação, atualizações e desenvolvimento da plataforma. A empresa também conta com um terceiro sócio, que atua como investidor anjo.
“Ele é meu sócio e meu irmão. Toda a base tecnológica está com ele. A parte comercial, estratégica e de comunicação ficou comigo. A gente discute muita coisa em conjunto, mas dividiu esses dois pilares”, explica Diego.
Para o CEO, o que existe hoje na TX é resultado direto da dedicação do irmão. Diego destaca que Thiago trabalha de forma intensa, muitas vezes de segunda a segunda, e aprendeu grande parte do processo de desenvolvimento por conta própria.
“O que tem pronto hoje, eu posso dizer que 90% é esforço dele”, afirma.
Quatro anos focados na base tecnológica
Embora o aplicativo esteja disponível nas lojas há cerca de 12 meses, Diego afirma que a empresa evitou fazer um lançamento comercial antes de concluir a base tecnológica. A decisão foi tomada porque, na visão dele, muitos aplicativos pequenos entram no mercado antes de terem uma estrutura sólida.
Ele compara o processo à construção de uma casa: antes de levantar paredes e telhado, é preciso ter uma fundação. No caso da TX, essa fundação seria a tecnologia.
“Nós entendemos que a nossa base, o nosso pilar principal, era a parte tecnológica. Então, os quatro anos iniciais foram 100% focados no desenvolvimento da tecnologia, na codificação, no background, em tudo”, afirma.
Durante esse período, a empresa testou o aplicativo de forma orgânica na Grande Vitória, sem lançamento oficial, sem divulgação em massa e sem ações comerciais amplas. A ideia era colocar o sistema para rodar, observar falhas, ouvir motoristas e usuários e fazer ajustes antes de entrar no mercado de forma mais agressiva.
Diego afirma que a plataforma passou por validações envolvendo usuário final, segurança, motoristas e usabilidade. Agora, segundo ele, a empresa entende que chegou ao “momento exato para rampar”.
Aplicativo disponível no país, mas sem lançamento comercial nacional
A TX Mobilidade pode ser baixada em qualquer região do Brasil, tanto na App Store quanto na Play Store. No entanto, isso não significa que a operação esteja ativa comercialmente em todas as cidades.
Diego explica que o aplicativo está disponível nacionalmente, mas a empresa ainda não iniciou a divulgação em massa nem ativou bases de motoristas em diferentes regiões. Por isso, um usuário pode baixar o app em qualquer localidade, mas provavelmente não encontrará veículos disponíveis se a TX ainda não tiver iniciado a operação naquela área.
“O aplicativo está disponível em todo o país. Você pode baixar tanto pela Apple quanto pela Play Store. Porém, nós não demos start na parte de divulgação. Se você baixar nesse momento, vai ver que ele está disponível, mas não vai ter motoristas disponíveis”, explica.
A estratégia, segundo ele, é iniciar a expansão em locais onde existe uma demanda não atendida. A prioridade não está nos grandes centros já dominados por Uber e 99, mas em cidades menores, microrregiões e municípios com pouca ou nenhuma oferta de mobilidade por aplicativo.
Foco em cidades menores e regiões com fragilidade no transporte
O plano de expansão da TX Mobilidade parte de uma leitura de mercado: os grandes centros urbanos já estão amplamente atendidos por plataformas como Uber e 99, enquanto muitas cidades menores seguem sem uma solução eficiente de mobilidade.
Diego afirma que cerca de 70% dos municípios brasileiros não contam com tecnologia de mobilidade ou possuem serviços defasados. Para ele, esse é o espaço que a TX pretende ocupar.
“O nosso foco de expansão é exatamente onde há uma fragilidade do sistema. Existem hoje cerca de 70% dos municípios no Brasil que não têm tecnologia, não têm mobilidade ou têm de forma defasada”, afirma.
A empresa pretende atuar nesses mercados por meio de um modelo descentralizado, com parceiros locais. A ideia é que cada região tenha um dono da operação, responsável por acompanhar motoristas, passageiros, qualidade dos veículos e estratégias comerciais.
Na visão de Diego, esse modelo também resolve uma carência existente no mercado. Como grandes empresas têm operações globalizadas, nem sempre conseguem fazer um controle próximo da frota em regiões menores. Com parceiros locais, a TX acredita que será possível acompanhar melhor critérios como qualidade dos veículos, atendimento e disponibilidade.
Expansão por franqueados e licenciados
A TX Mobilidade pretende crescer por meio de parcerias com franqueados e licenciados. Cada região teria um empreendedor responsável pela operação local, com acesso a painéis digitais para acompanhar indicadores como quantidade de carros logados, volume de corridas e desempenho da unidade.
A base da empresa fica na Enseada do Suá, em Vitória, no Espírito Santo. A estrutura central concentra a parte operacional e tecnológica, enquanto as unidades regionais terão acesso às ferramentas de gestão.
A empresa já mapeou algumas cidades no Espírito Santo e em Minas Gerais e iniciou conversas com empresários que tenham perfil para operar o negócio. A primeira unidade de lançamento já estaria predefinida, mas Diego afirma que a estratégia da empresa não é lançar em Vitória, e sim no interior.
O lançamento comercial deve acontecer até a segunda quinzena de julho, com uma unidade piloto usando a marca TX e toda a estrutura comercial da empresa.
Concessão bonificada para os primeiros parceiros
Para os primeiros parceiros, a TX pretende adotar um modelo de entrada mais flexível. Em vez de cobrar uma taxa alta de franquia ou luvas logo no início, a empresa quer ceder a tecnologia com exclusividade regional em troca de investimento local em marketing e lançamento.
A proposta é que o empreendedor parceiro invista na própria cidade, com mídia local, ações comerciais e divulgação da plataforma. Em contrapartida, recebe a concessão para explorar aquela região por um valor muito abaixo do que pagaria em uma franquia tradicional.
Diego afirma que a empresa quer iniciar a expansão com cerca de 10 investidores estratégicos, em um modelo de “ganha-ganha”.
“Em vez de você pagar para mim para ter uma franquia, eu vou te ceder ela com exclusividade naquela região. Você não tem investimento para compra de luvas; esse investimento é aplicado na sua própria cidade, com ações de marketing para tornar a plataforma referência na região”, explica.
Segundo o CEO, já existem conversas com empresários interessados em diferentes regiões, incluindo uma capital no Nordeste. Nesse caso, o parceiro arcaria com a implementação e o lançamento local, enquanto a TX cederia o acesso à plataforma de forma gratuita no início.
Testes na Grande Vitória e corridas orgânicas
Antes do lançamento comercial, a TX realizou testes na Grande Vitória, em cidades como Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. A empresa também fez uma parceria com uma companhia de transporte executivo, por meio da qual cedeu o aplicativo e utilizou motoristas para realizar corridas e validar a tecnologia.
Esse processo durou mais de seis meses e teve como objetivo identificar pontos de melhoria. A empresa analisou sugestões de motoristas e usuários, ajustou funcionalidades e fez mudanças antes de considerar a plataforma pronta.
“Foi um período de mais de seis meses de testes para fazer os ajustes necessários e concluir a plataforma”, afirma Diego.
Segundo ele, a empresa chegou a cadastrar cerca de 200 motoristas de forma orgânica, apenas por indicação e boca a boca, sem qualquer ação comercial estruturada. Em outro momento da entrevista, Diego menciona uma base orgânica mais controlada, com cerca de 250 a 350 usuários e aproximadamente 150 motoristas cadastrados. Como os números foram levantados durante uma fase de testes, sem lançamento formal, a empresa ainda não trata essa base como indicador de performance comercial.
O objetivo dessa etapa não era bater recordes de faturamento ou corrida, mas entender falhas, validar recursos e preparar a TX para o lançamento oficial.
Biometria, CPF válido e foco em segurança
Um dos principais diferenciais tecnológicos da TX Mobilidade, segundo Diego, é a segurança. A plataforma possui validação por CPF e biometria, recurso que pode ser habilitado ou desabilitado conforme a estratégia de cada operação.
Atualmente, a biometria está habilitada. Para solicitar uma corrida, o usuário precisa confirmar um CPF válido e realizar a leitura biométrica. A proposta é reduzir riscos de fraude e aumentar a segurança tanto para motoristas quanto para passageiros.
“Qualquer usuário, para chamar a TX, precisa confirmar o CPF e fazer a leitura biométrica. Isso dá segurança para o motorista e para ambas as partes”, afirma Diego.
Ele cita como exemplo a possibilidade de alguém roubar um celular, chamar uma corrida e usar o aplicativo para cometer um crime. Com a biometria, segundo o CEO, esse tipo de fraude se torna muito mais difícil.
Ao mesmo tempo, Diego reconhece que o recurso pode gerar resistência no início, especialmente porque a marca ainda não é conhecida. Por isso, a tecnologia pode ser desabilitada em determinadas situações. A intenção, porém, é manter a biometria como padrão quando a empresa estiver consolidada no mercado.
Retenção média de 15% a 20% e modelo sem mensalidade
A TX pretende trabalhar com uma retenção menor do que a praticada por grandes plataformas. Segundo Diego, a Uber muitas vezes chega a cobrar retenções de 50%, enquanto a TX deve atuar com média entre 15% e 20%, dependendo da região.
A empresa não trabalha com mensalidade fixa para os motoristas. O modelo será baseado em recarga e desconto por corrida. Primeiro, o condutor poderá experimentar a plataforma gratuitamente por um determinado número de viagens, como 10, 15 ou 20 corridas. Durante esse período, ficará com 100% do valor das viagens.
Após encerrar esse volume gratuito, o aplicativo será travado para o motorista até que ele realize uma recarga. A partir daí, a plataforma passa a descontar a retenção sobre as corridas realizadas.
“Ele vai ter o direito de experimentar primeiro. Depois, se ficou satisfeito, continua. Se não foi bom para ele, pode seguir”, explica Diego.
A retenção e os valores podem variar conforme a cidade, a concorrência, a demanda e o modelo de operação local. Regiões sem concorrência ou com características específicas podem ter percentuais diferentes. A empresa pretende fazer estudos individualizados para cada mercado.
Tarifa e corrida mínima serão definidas por região
A TX ainda não possui uma tabela única de corrida mínima para todo o país. Segundo Diego, a empresa pretende definir os valores de forma individualizada, levando em conta características de cada cidade.
O estudo deve considerar população, concorrência, existência ou ausência de mobilidade urbana, perfil dos deslocamentos e realidade econômica local. Uma cidade de 50 mil habitantes, por exemplo, pode ter uma dinâmica diferente de uma cidade de 300 mil.
“Não existe nada cravado. A cidade A pode ter um custo mais barato que a cidade B. Isso é muito flexível”, afirma.
Diego diz que a empresa segue referências como dados do IBGE e análises locais para definir a tarifa mais adequada. A ideia é que o preço seja justo para o passageiro, competitivo no mercado e viável para o motorista.
Durante os testes na Grande Vitória, houve corridas com valores variados, mas Diego não soube informar de cabeça a corrida mínima nem a taxa aplicada nos deslocamentos. Segundo ele, esses dados ficam nos relatórios operacionais acompanhados por Thiago.
Motorista recebe também pelo deslocamento até o passageiro
Um dos recursos destacados por Diego é a possibilidade de remunerar o motorista pelo deslocamento até o passageiro. Em algumas plataformas, o motorista só começa a receber a partir do momento em que o passageiro entra no carro. Na TX, a proposta é que o condutor também receba pelo percurso feito para buscar o cliente.
“O motorista recebe a corrida também no seu deslocamento. Se ele está saindo do ponto A para buscar o cliente a dois ou três quilômetros, ele já está ganhando”, explica.
Para a empresa, esse recurso pode ajudar na atração de motoristas, especialmente em cidades onde há maior distância entre bairros ou pouca densidade de chamadas. A remuneração pelo deslocamento reduz a percepção de perda de tempo e combustível antes do início efetivo da corrida.
Subrede própria para motoristas fidelizarem clientes
Um dos recursos que Diego considera mais importantes na TX é a possibilidade de o motorista criar a própria subrede de clientes. Na prática, o condutor pode cadastrar passageiros em sua microrregião e passar a ter preferência quando essas pessoas solicitarem corridas.
Funciona assim: se um passageiro cadastrado por determinado motorista chama uma corrida, esse condutor recebe 30 segundos de preferência para aceitar a chamada. Caso esteja indisponível, a solicitação passa para outro motorista vinculado àquela rede ou pode ser agendada para outro horário.
A proposta é permitir que motoristas construam uma base própria de clientes recorrentes, com 100, 200 ou até 400 passageiros fidelizados.
Diego cita exemplos de uso ligados à confiança. Um familiar pode preferir chamar sempre o mesmo motorista para levar uma mãe com deficiência ao supermercado ou buscar um filho adolescente na escola. Para o CEO, esse modelo cria um efeito de segurança para os dois lados: o passageiro confia no motorista e o motorista desenvolve uma carteira própria de clientes.
Cashback de 3% para igrejas e instituições
A TX também pretende trabalhar com parcerias comunitárias e instituições locais. Um dos projetos prevê que igrejas, associações e entidades possam estimular seus membros a utilizarem o aplicativo. Em troca, recebem cashback de 3% sobre o volume gerado a partir de seus links ou QR Codes.
Cada instituição teria um painel de controle para acompanhar o volume de corridas originadas em seu ecossistema. A proposta é criar um modelo em que usuários, motoristas e instituições se beneficiem da plataforma.
Diego afirma que esse é um diferencial da TX e que a empresa quer apoiar instituições carentes, igrejas e iniciativas com apelo social.
“Todo volume gerado naquele ecossistema, através do QR Code ou do link da igreja, gera um cashback de 3% para a instituição”, explica.
Voluntariado como pilar social da TX
Além do modelo comercial, Diego destaca que a TX nasceu com um pilar social ligado ao voluntariado. A inspiração vem da história do pai, que morreu há cinco anos e, segundo Diego, deixou um legado de serviço ao próximo.
Ele conta que, quando criança, viu o pai dar caronas, ajudar pessoas e até se deslocar por mais de 350 quilômetros para levar alguém a um tratamento médico em outra cidade ou estado. Essa memória ajudou a formar a ideia de criar um braço social dentro da plataforma.
“Meu pai sempre foi um homem que serviu. Ele já não está entre nós, mas deixou um legado sobre servir ao próximo”, afirma.
O plano da TX é desenvolver parcerias com órgãos públicos, prefeituras e estruturas governamentais para transportar pessoas que fazem tratamentos como câncer e hemodiálise. A ideia é usar a plataforma para conectar pacientes que precisam se deslocar com voluntários que já têm o hábito de viajar para determinada região.
Projeto B2G para transporte de pacientes
No modelo desenhado pela TX, prefeituras poderiam utilizar a plataforma para organizar deslocamentos de pacientes em tratamento médico. Hoje, segundo Diego, muitos municípios têm dificuldade para transportar pessoas que dependem de atendimento em outras cidades. O processo costuma envolver veículos próprios da prefeitura, motoristas públicos, custos elevados e baixa eficiência.
A proposta da TX é criar uma alternativa tecnológica. Quando uma pessoa agenda um tratamento, a corrida também poderia ser agendada automaticamente no aplicativo. A plataforma tentaria primeiro conectar o paciente a um voluntário que já faria aquele trajeto. Como incentivo, a prefeitura pagaria ao voluntário uma ajuda de custo equivalente a cerca de 30% do valor que pagaria a um motorista profissional.
Caso o voluntário falhe ou não compareça, a plataforma acionaria um motorista profissional como retaguarda.
A ideia ainda depende de validação legal. Diego afirma que já existe um projeto de lei em desenvolvimento, ainda não aprovado, mas com sinalização positiva de membros do serviço público e legislativo.
Para ele, essa frente pode abrir portas nos municípios, especialmente no interior, onde o transporte de pacientes para tratamento é uma dor recorrente.
A dificuldade de atender usuários e motoristas ao mesmo tempo
Durante os testes, a TX enfrentou uma dificuldade comum aos aplicativos de mobilidade: equilibrar a base de passageiros e motoristas. Segundo Diego, é relativamente fácil cadastrar usuários, mas muito mais difícil garantir motoristas disponíveis no momento em que o passageiro solicita a corrida.
Ele explica que, se uma pessoa baixa o aplicativo por curiosidade, tenta chamar uma corrida e não encontra motorista, provavelmente testará mais uma ou duas vezes antes de desinstalar o app. Por isso, o lançamento precisa atuar nas duas pontas ao mesmo tempo.
“O desafio é que, no momento em que fazemos uma ação, precisamos atender duas pontas: um determinado número de usuários e, simultaneamente, uma base de motoristas disponíveis”, afirma.
Nos testes, a empresa viu chamadas surgindo no painel, mas sem motoristas disponíveis na região para atender. A partir dessa experiência, a TX passou a planejar ações específicas para manter os condutores logados.
Entre as ideias estão incentivos por número de corridas, tempo logado, brindes, cashback em combustível e campanhas promocionais. A empresa também pensa em atacar pontos de demanda, como faculdades, com ações presenciais e veículos próprios identificados com a marca para gerar experiência e prova social.
Veículos elétricos e ações presenciais no lançamento
A TX pretende usar ações presenciais para estimular o primeiro uso do aplicativo. Uma das ideias é atuar em regiões com grande demanda de deslocamento, como faculdades, oferecendo abordagem direta aos usuários e veículos disponíveis para gerar as primeiras experiências.
Diego também menciona a possibilidade de usar alguns veículos elétricos pilotados com a marca da TX, não em grande volume, mas o suficiente para gerar prova social e fazer as pessoas testarem a plataforma.
A lógica é simples: a pessoa sai da faculdade, recebe uma abordagem sobre o aplicativo, baixa a plataforma e já encontra um veículo disponível para fazer a primeira corrida. Depois, a empresa pretende apostar no crescimento orgânico por grupos, indicações e incentivos aos motoristas para permanecerem logados.
Marketing será a próxima etapa
A TX ainda não investiu em marketing porque, segundo Diego, a empresa não queria “queimar cartucho” antes de ter domínio da tecnologia. Agora, com a plataforma pronta, a empresa já conta com uma parceira de marketing desenvolvendo ações de lançamento.
Diego afirma que muitos aplicativos investem primeiro no comercial e se apoiam em tecnologias de terceiros. Na TX, o caminho foi o inverso: primeiro a tecnologia, depois o mercado.
“A gente entendeu que precisava corrigir e ter 100% de domínio para fazer a ação comercial. Hoje temos liberdade para modificar todos os tipos de ações e implementações da nossa tecnologia sem depender de aval tecnológico de ninguém”, afirma.
A empresa também pretende levar o aplicativo para a TV aberta, além de buscar parcerias com associações de diferentes categorias para ampliar a capilaridade.
Abertura para investidores e parceiros
Diego afirma que a TX está aberta a conexões com investidores, parceiros regionais e empresas interessadas em tecnologia. Embora o core principal da empresa não seja ceder tecnologia para terceiros, ele diz que a possibilidade não está descartada.
Neste momento de crescimento, a empresa busca investidores que queiram entender o projeto, parceiros interessados em levar a plataforma para suas regiões e empreendedores que possam operar unidades locais.
Diego também menciona que a empresa teve reuniões recentes consideradas promissoras, inclusive com possibilidade de conversa com pessoas ligadas ao Shark Tank.
A proposta, segundo ele, é unir forças para acelerar a expansão, especialmente nos primeiros mercados.
O que mais incomoda Diego no mercado
Ao falar sobre o que mais o incomoda no mercado de mobilidade, Diego não cita apenas corridas por fora ou concorrência desleal. Para ele, existe uma dificuldade mais ampla: a falta de fidelidade do comportamento humano e a resistência em experimentar algo novo.
Ele afirma que passageiros querem sair do ponto A ao ponto B pagando o menor preço possível e tendo a melhor experiência. Já os motoristas querem transportar passageiros com a menor retenção possível. Cada lado, portanto, tende a olhar primeiro para o próprio interesse.
“Não esperamos fidelidade de ninguém. O passageiro quer pagar o menor preço e ter a melhor experiência. O motorista quer a menor retenção possível. Cada um está sempre puxando para a sua necessidade”, afirma.
Para Diego, o desafio da TX é fazer com que essas pessoas deem uma oportunidade para uma nova plataforma. Ele compara o hábito de usar Uber à associação automática que consumidores fazem entre refrigerante e Coca-Cola ou esponja de aço e Bombril.
“O aplicativo é a Uber. Mas isso não significa que isso é eterno”, diz.
Faturamento ainda não é foco, mas Diego vê potencial de escala
A TX ainda não tem números expressivos de faturamento porque optou por não lançar comercialmente a plataforma antes de finalizar os ajustes tecnológicos. Até agora, a prioridade foi validar a tecnologia, corrigir problemas e preparar a estrutura para o mercado.
Diego afirma, porém, que o faturamento é previsível quando se olha para a dor existente em cidades sem mobilidade adequada. Para ele, em um país com mais de 5.600 municípios e grande parte deles sem aplicativo de transporte, a oportunidade é ampla.
“É como vender água gelada no deserto. Você vai ter pessoas que vão querer comprar”, afirma.

