Criado a partir da experiência prática nas ruas, o Mobilify nasce com uma proposta clara: valorizar os motoristas e oferecer uma alternativa regional às grandes plataformas.

O aplicativo foi lançado em dezembro de 2025 por Douglas Ribeiro, que já atuava como motorista e decidiu transformar sua vivência em negócio.

Atualmente, a plataforma opera em duas cidades do Piauí, com crescimento gradual de usuários e corridas.

Antes de falar do Mobilify, conta um pouco da sua trajetória. Você já era motorista?

Douglas: Sim, eu já atuava como motorista de aplicativo antes de criar o Mobilify. Inclusive, trabalhei no primeiro aplicativo que surgiu na cidade onde moro, então tive uma visão muito próxima da realidade desde o início.

Foi nesse período que começou a surgir em mim a vontade de criar o meu próprio aplicativo. No dia a dia, convivendo com corridas, passageiros e entregas, fui entendendo de verdade como funciona a rotina de quem está na rua.

Percebi que muitos aplicativos focam apenas na lucratividade e acabam deixando de lado o bem-estar dos motoristas. E essa realidade pesa muito: desgaste do veículo, custos altos de manutenção e até momentos em que o motorista precisa parar de trabalhar por problemas no carro.

Foi aí que enxerguei uma necessidade clara no mercado: criar uma plataforma que não olhe só para o financeiro, mas que também valorize o motorista e ofereça mais suporte.

Quando o aplicativo foi criado e qual foi o investimento inicial?

Douglas: O aplicativo foi criado oficialmente no dia 13 de dezembro de 2025. A ideia já vinha sendo construída há algum tempo, mas foi nessa data que o projeto realmente saiu do papel.

O investimento inicial foi de aproximadamente R$ 2.500. Foi um valor pensado com bastante cuidado, focando no essencial para colocar o aplicativo no ar e validar a ideia.

Como foi o início da operação?

Douglas: O começo foi desafiador, mas muito motivador. Como eu já conhecia o mercado, consegui iniciar com mais clareza.

Foi um processo de muito aprendizado e ajustes até o aplicativo começar a ganhar espaço.

Como você conseguiu os primeiros motoristas e passageiros?

Douglas: Os primeiros motoristas vieram do meu próprio contato com a categoria. Como eu já trabalhava na área, consegui apresentar a proposta diretamente para eles.

Os passageiros vieram de forma orgânica: divulgação local, redes sociais, indicações e boca a boca.

Em quanto tempo você percebeu que o app estava dando certo?

Douglas: Nos primeiros meses já deu para perceber uma boa aceitação. O aumento de corridas e cadastros mostrou que estávamos no caminho certo.

Quantos motoristas e passageiros vocês têm hoje?

Douglas: Hoje temos cerca de 27 motoristas ativos e quase 500 passageiros cadastrados.

Mas também temos muitos usuários que solicitam corridas via WhatsApp, então esse número é ainda maior. Somando tudo, já temos cerca de 1.000 usuários.

Quantas corridas o app realiza por mês e onde ele opera?

Douglas: Hoje temos uma média de 800 corridas mensais.

O aplicativo está operando em duas cidades: São João do Piauí e São Raimundo Nonato.

Como funciona o modelo de monetização do app?

Douglas: A plataforma cobra uma taxa de 11% sobre cada corrida.

O pagamento vai direto para o motorista. A gente não recebe o valor das corridas, apenas das recargas feitas pelos motoristas.

As recargas começam a partir de R$ 10. A partir de R$ 12, o motorista ganha 10% de bônus — algo que considero um diferencial no mercado.

Quanto os motoristas conseguem faturar no app?

Douglas: Hoje, um motorista fatura em média entre R$ 3.500 e R$ 4.100 por mês.

Já tivemos casos de motoristas que faturaram R$ 1.200 em uma semana e até R$ 526 em uma única madrugada.

E qual é o faturamento do aplicativo atualmente?

Douglas: Ainda é um faturamento inicial. Temos meses com movimentação entre R$ 2.000 e R$ 2.300.

Nosso maior faturamento mensal até agora foi de R$ 2.200.

Quais foram os principais desafios ao criar o app?

Douglas: Um dos maiores desafios foi encontrar a plataforma certa que atendesse às expectativas.

Além disso, enfrentei muitas críticas, inclusive de pessoas próximas. Muitos diziam que não daria certo criar um aplicativo na região.

Você enfrentou resistência no início?

Douglas: Sim, bastante. Algumas pessoas diziam que nada do que eu fazia iria para frente.

Também houve desconfiança, com gente achando que o aplicativo era para coletar dados — o que não tem nada a ver com o objetivo real.

Quais são seus maiores medos hoje?

Douglas: Um dos receios é a falta de aceitação em algumas regiões, algo que já aconteceu.

Também existe o medo do projeto não ter continuidade em determinados locais.

O que mais te incomoda no mercado de mobilidade?

Douglas: Alguns aplicativos trabalham com preços muito abaixo do mercado, o que dificulta o crescimento.

Além disso, vejo que grandes plataformas estão perdendo credibilidade com os motoristas, principalmente por conta das taxas e da falta de valorização.

O que os apps regionais precisam fazer para crescer?

Douglas: Precisam focar na valorização dos motoristas, não apenas no lucro.

Quando você valoriza o motorista, ele trabalha melhor e o aplicativo cresce naturalmente.

Como é sua rotina hoje como gestor?

Douglas: Hoje minha rotina é focada em ajustes e melhorias no sistema.

Não estou mais rodando como motorista. Preferi parar para focar totalmente na gestão e no suporte aos usuários.

Quais são os planos para o futuro do Mobilify?

Douglas: Queremos expandir para outras cidades e estados.

Também temos planos de criar uma sede própria, com estrutura para motoristas: descanso, alimentação e suporte.

Outro projeto já em andamento é o lançamento do módulo de delivery, semelhante ao iFood.

Do que você mais se orgulha na sua trajetória?

Douglas: De não ter desistido. Passei por muitas dificuldades, mas continuei firme.

Isso me dá a certeza de que o aplicativo pode se tornar uma referência.

Que legado você quer deixar?

Douglas: Quero deixar um projeto que valorize os motoristas e ofereça um serviço justo para todos.

E também mostrar que, com fé e persistência, é possível construir algo mesmo com dificuldades.

Que conselho você daria para quem quer criar um app de mobilidade?

Douglas: Precisa ter muita fé, resiliência e entender que não é fácil.

Vai enfrentar críticas, dificuldades e concorrência, mas se realmente acreditar no projeto, vale a pena.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.