Dono de restaurante e graduando em Direito, Diego Luciano de Souza Oliveira é fundador da Connect Trip, plataforma de mobilidade que atua em Porto Velho (RO), Humaitá (AM) e está iniciando as operações em Montes Claros (MG).

Diego nasceu em Porto Velho, mas morou muitos anos em Minas Gerais e tem um carinho especial pela região. “Sou rondoniense de sangue e 50% do meu coração é mineiro”. Motivo esse que explica porque, mesmo a mais de 3 mil quilômetros de distância, está expandindo as operações de sua empresa para a região.

Aos seis anos, Diego morava na roça e vivenciou o que considera ser seu primeiro trabalho: tirar leite e separar o gado. Depois disso, já morando em uma cidade próxima a Montes Claros (MG), Diego começou a ajudar no comércio da família e passou por diversos trabalhos, desde padaria até porteiro e motoboy.

Aos 27 anos, Diego decidiu empreender: “Abri minha própria lanchonete, foi meu primeiro negócio e depois não trabalhei mais para os outros”.

O primeiro contato com os aplicativos de mobilidade urbana veio quando Diego conheceu uma plataforma e, a convite de um amigo, começou a investir para implantar a plataforma na cidade de Manaus (AM), juntamente com mais um sócio. No entanto, o projeto foi interrompido durante a pandemia após o adoecimento de um dos parceiros. “Nem eu, nem o outro sócio, tínhamos coragem de ir para a TV, fazer propaganda, aquelas coisas todas. Na época, chegamos a investir um valor considerável, tinha futuro, era promissor, mas eu não tinha essa capacidade”.

A ideia foi retomada, dessa vez individualmente, em 2024. Mesmo diante de um mercado já não tão novo e competitivo, Diego decidiu iniciar o projeto do zero.

Hoje, além de administrar, ao lado da esposa, um restaurante e a Connect Trip em três cidades, com a concorrência das multinacionais, Diego também está prestes a se formar em Direito, curso que sonhava em fazer desde criança.

O maior foco do gestor é oferecer segurança, qualidade e transparência para os motoristas e passageiros. Entre os planos para o futuro estão a expansão, com gestão própria, para outras cidades e a entrada no mercado de delivery.

Onde você nasceu? 

Diego: Eu nasci aqui em Porto Velho, sou beiradeiro como diz nosso linguajar, porque sou da beirada do rio. Mas fui criado em Minas Gerais, morei um período em uma cidade a 50 km de Montes Claros, mas falamos Montes Claros porque é a referência.

Morei lá até meus 16 anos e voltei para cá. Sou rondoniense de sangue e 50% do meu coração é mineiro.

Aqui infelizmente não tem muitas opções culturais, essas coisas, mas não aceito ninguém falar mal daqui. Aqui é onde muita gente vem de fora ganhar dinheiro, tirou muita gente da dificuldade, eu amo Rondônia e faço qualquer coisa pela cidade.

Antes da mobilidade você trabalhava com o que? Com quantos anos começou a trabalhar?

Diego: De seis para sete anos fui morar na roça. Lá eu já tirava leite, já separava o gado de manhã e com uns 10 para 11 anos eu comecei a ajudar na padaria do meu tio, ir para o mercado com o meu avô, já lá em Minas.

Com 11 e 12 anos eu trabalhei na tornearia da minha tia e madrinha que sempre foi minha paixão. Com 14 anos eu trabalhava na padaria, estudava e trabalhava na tornearia. 

Aí com 17 anos, já em Rondônia, eu trabalhei numa clínica, depois na usina, como vigilante, porteiro, motoboy, em lanchonete. Depois abri minha própria lanchonete, foi o primeiro negócio que abri e não trabalhei mais para os outros. Hoje eu trabalho com o restaurante e com o aplicativo. É um restaurante de comidinha brasileira.

Como você concilia os dois empreendimentos? Você tem sócios?

Diego: A minha esposa toca o restaurante. Eu ajudo também, mas ela que comanda e à noite nas horas vagas, quando ela tem tempo, me auxilia no aplicativo, responde o WhatsApp, ativa, desativa e se desdobra aqui. São dois turnos para cada. 

E eu também curso direito, estou no décimo período. Eu faço nove matérias para concluir o curso, porque eu devia duas e são sete no período normal. A gente vai empurrando, empurrando, chegou no último semestre não tem para onde correr.  

E ainda tem os cursos, as horas complementares que eu tenho que verificar, eu acho que não tenho nem 100 horas e são necessárias 200. Vou ter que fazer mais essas horas e eu me formo agora em junho de 2026. Tem dia que eu durmo, tem dia que não.

Você pretende atuar no Direito ou usar os conhecimentos na Connect Trip e no restaurante?

Diego: Eu pretendo continuar na mobilidade e no restaurante por enquanto. O curso de Direito, na verdade, era um sonho, uma coisa que eu tinha comigo e às vezes eu demoro, mas enquanto eu não concluo aquilo que eu ponho na cabeça, eu não paro.

Então assim, era um sonho mesmo desde garotinho, eu tinha vontade de fazer o curso de Direito. Tem hora que fico pensando: “Será que eu faço um concurso da Polícia Civil ou Federal?” Porque também já tive vontade, quando criança, de atuar nessa área e hoje os concursos que aceitam minha idade são para Civil, Federal e Penal, Militar não tem como por causa da idade.

De vez em quando eu falo: “Rapaz, acho que uma hora eu vou estudar, vou fazer um concurso desse. Acho que ainda tem mais duas horas no dia que dá para ocupar com alguma coisa”. Eu tinha um professor que, quando a gente falava que não deu tempo de fazer a atividade, ele falava: “Faça atividades de meia-noite às 6h”. 

Tem hora que dá um desgaste, mas se eu parar eu não acostumo mais. Ano passado fiquei só na mobilidade, então tinha hora que eu saía do escritório e não tinha aula, eu pensava: “Vou fazer o quê? Para onde eu vou? Para casa já?”, então fica estranho.

Como você entrou no mercado da mobilidade? Como surgiu a ideia de criar o próprio app?

Diego: Eu conheci uma plataforma e um colega me chamou para levarmos para Manaus. Só que na pandemia ele adoeceu e nem eu nem o outro sócio tínhamos coragem de ir para a TV, fazer propaganda, aquelas coisas todas. Na época chegamos a investir um valor considerável, tinha futuro, era promissor, mas eu não tinha essa capacidade.

Em 2024 surgiu de novo a ideia, a proposta de tentar de novo. Meio loucura, porque já não era mais um mercado novo, aqui na região já tinha 99, inDrive e outras.

Mas resolvemos tentar. Conversei com a minha esposa, era diferente do que a gente fazia, do que a gente trabalhava antes, mas mesmo assim ela topou e demos início. Contatamos a empresa de tecnologia, fizemos uma consultoria para ver como tudo funcionava e começamos do zero.

Comprou, fez a consultoria lá para saber como é que funcionava tudo e começamos do zero. Mas dessa vez foi sozinho, não foi com aqueles parceiros que a gente ia começar o outro aplicativo.

Como foi o início da operação?

Diego: A gente começou do zero mesmo e foi uma escola. Todo dia a gente aprende e a cada dia a gente vai se aperfeiçoando e melhorando. É uma coisa que leva tempo.

Vamos para a TV, não dá certo, vai na outra, testa o rádio. Todo teste que a gente faz é gasto, sempre tem um custo. Então a gente meio que paga para aprender. 

Quando a Connect Trip foi inaugurada oficialmente?

Diego: Em Porto Velho foi em junho de 2025, Humaitá começamos a divulgar em julho e abrimos em agosto. Montes Claros eu coloquei no final do ano passado o painel, comecei a divulgar  mas ainda nem oficialmente começamos a operar. Estamos, né, em fase de implementação, cadastro de motorista, cadastro de moto. 

Qual foi o investimento inicial? A plataforma já começou a se pagar?

Diego: No final do ano eu fiz um cálculo e eu já tinha gasto em torno de R$ 120 mil com TV, adesivo, rádio, painel de LED. Fizemos bastante campanha no Instagram também. Mas a gente está investindo até hoje.

Hoje já não temos mais esse gasto tão alto, mas não paramos. Hoje o foco é mais em tráfego pago para reforçar. Muita gente já ouviu falar em algum lugar.

Em que momento percebeu que o aplicativo estava dando certo? 

Diego: Nos primeiros dias deu um friozinho na barriga, foi meio preocupante, mas olhamos para os números. Fazemos isso porque o número nunca tem ponto de vista, ele é exato.

Então assim, a gente vê que todo mês entra passageiro, oscila as corridas, aumenta motorista, aumenta engajamento, então todo mês melhora um pouquinho. 

Sabemos que a qualquer momento pode ter uma virada de chave e trabalhamos muito para isso, para manter a qualidade e a partir do momento que o pessoal enxergar assim: “Opa, a plataforma está aí há um ano, um ano e meio. Essa aqui vai ficar mesmo”.

Porque eles têm muito receio no começo. Aqui já entraram, depois de mim, umas três plataformas e não aguentaram segurar um ano a operação. Acaba que perde a credibilidade.

Eu sabia desde o começo que poderia ser uma coisa que daria retorno rápido ou que talvez demoraria, mas eu falei: “Vou pagar para ver”. E leva tempo para ganhar a confiança. 

E eu falei: “Se em um ano e meio eu não conseguir nada, aí realmente é inviável”.

Em qual cidade a Connect Trip está atuando?

Diego: Porto Velho (RO), Humaitá(AM) e estamos em expansão para Montes Claros(MG). Todas são gestão própria. Montes Claros a gente até deu uma segurada porque é um pouco longe de Porto Velho. Humaitá fica a 200 km, então eu estou sempre indo lá pessoalmente. 

Montes Claros eu não vou muito porque é mais de 3 mil quilômetros. Mas estamos nos organizando para fazer um lançamento bacana lá. Já estamos cadastrando motoristas, passageiros, só que numa velocidade um pouco menor, porque lá o pessoal gosta do “tete a tete”, do contato.

Tem algum motivo em específico para estarem lançando o app em uma cidade tão distante como Montes Claros?

Diego: É porque eu tenho família em Montes Claros. Meu pai mora em Bocaiúva, que é do lado de Montes Claros, tenho família que mora lá. O motivo não é nem comercial.

Como foi a captação dos primeiros passageiros e motoristas da Connect Trip?

Diego: A gente começou a divulgação em grupo de WhatsApp. A gente se infiltrava ali no meio dos motoristas e conseguia entrar num grupo e já disparava mensagem. E no começo foi muito difícil porque os motoristas perguntavam: “tem demanda?” e a gente: “Não, não temos nem passageiro ainda, ainda nem liberou o aplicativo para IOS, estamos cadastrando motoristas”. 

E a gente indicava para os passageiros, eles entravam e falavam: “mas eu abri aqui e não tem motorista”. Sempre fomos transparentes. Não adiantava falar: já temos motorista”, a gente falava: “pode baixar que logo estamos fechando os motoristas”. Isso leva tempo e a transparência é o que dá credibilidade.

Tem algum tipo de seleção para os motoristas? Quais os pré-requisitos?

Diego: Normalmente os motoristas já vêm de outras plataformas, aí eles inserem a documentação. Muitos motoristas têm dificuldade em mandar certidão. Por quê? Porque as globais só pedem o CPF e elas mesmo têm mecanismos de consultas. A gente não tem acesso a esses recursos ainda. Então pedimos a certidão e verificamos o QR Code, para saber se é válida.

Nós também temos escritório, passamos o endereço e eles vão lá. A gente ensina, tira as fotos, auxilia. A gente monitora porque às vezes tem senhor que aceita a corrida e fica meio perdido, aí ligamos: “Olha, o senhor aceitou uma corrida. Verifique aí no endereço se o senhor está certo”. Então, acaba que ajuda, porque imagina essas pessoas que têm certa dificuldade com a tecnologia operando em outras plataformas sem esse atendimento.

Esse motorista vai atender errado, vai errar o endereço e vai acabar se frustrando. Às vezes, como regionais, a gente acaba absorvendo esses senhores que eram taxistas, que não tem outra profissão e acaba querendo se reinventar no sistema, mas tem dificuldade, então damos esse suporte e acaba se tornando um diferencial.

Vocês controlam a entrada de motoristas conforme a demanda? Quantos estão cadastrados e quantos ativos hoje?

Diego: Como a gente trabalha com um sistema de comissão, não de mensalidade, nem assinatura, a gente não tem um limite, porque muitos motoristas são vigilantes, só fazem corridas no fim de semana e nas horas vagas. Temos muito motorista que não roda todo dia, nem toda semana. Às vezes roda duas, três vezes no mês só para fazer um extra, uma ajuda de custo da gasolina.

Não temos esse limite, mas a gente sempre está monitorando e não rodamos muita campanha para cadastrar motorista, o foco é mais passageiro, até porque temos uma base boa de motorista. Hoje temos mais de 900 carros cadastrados e 400 motos. Então, nosso foco é sempre reativar e impulsionar os que já estão.

E de acordo com nosso sistema, temos uma média de 400 operantes mensalmente. Uns 400, 500 que fizeram pelo menos uma corrida no dia ao longo do mês.

Tem outros que fazem duas, três corridas no mês, porque provavelmente priorizou outra plataforma ou porque não trabalha no aplicativo constantemente.

E quantos passageiros já baixaram o aplicativo?

Diego: Hoje eu mais ou menos 6 mil no total. Humaitá tem uns 900 e pouco, Montes Claros pouco mais de 100 e uns 4 mil em Porto Velho.

Além disso, tem a chamada pelo WhatsApp, pelo robô. Eu tenho isso porque o público em Humaitá usa muito. Porto Velho já tem uma cultura mais do aplicativo, até porque a cidade é maior. Mas em Humaitá, como a cidade é pequena, o pessoal ainda tem muito o costume de ligar ou chamar os motoristas pelo próprio WhatsApp.

Aí os motoristas divulgam: “Olha, agora tem o número da Connect, é só chamar”. E a gente fica monitorando para ver se aquele número que entrou em contato realmente conseguiu solicitar a corrida. Tem essa atenção também.

O público lá gosta, porque a gente vê que o pessoal é bem atendido e com rapidez. 

O pessoal está gostando e graças a Deus fui bem aceito, bem querido e bem recepcionado. Os motoristas sempre me ligam: “Traz adesivo… meu irmão quer adesivar o carro”, “meu primo também quer adesivar”. Adesivamos quase 50% dos carros que estão cadastrados na Connect, em Humaitá.

Em Porto Velho os carros são adesivados?

Diego: Não muito. Aqui as grandes plataformas têm incentivo, oferecem dinheiro, crédito para os motoristas rodarem em troca de adesivar o carro. Então acaba que alguns adesivam porque realmente querem vestir a camisa, enquanto outros não gostam, principalmente porque acabaram de comprar um carro novo. E tem também aqueles que adesivam por causa de bônus ou crédito. Então existe essa dificuldade.

Humaitá é pequena, então só opera a Connect e uma outra plataforma local. Então, ou o motorista tem adesivo de uma ou de outra, mas sempre vai ter. Eles adesivam porque não existe incentivo das grandes. A 99, por exemplo, não fornece adesivo lá. Então eles acabam não tendo muita opção e acabam solicitando. Até para identificar o carro, o adesivo da plataforma ajuda muito. 

Você comentou que tem mais ou menos 400 motos cadastradas na plataforma. Vocês operam com mototáxi em todas as cidades? Quais são as categorias de corrida disponíveis?

Diego: Além da moto, em Porto Velho eu tenho a categoria Elétrico, que é só para carros elétricos, tenho a categoria Mulher, que ainda está em crescimento, mas já tem bastante mulheres cadastradas e temos a categoria Comfort, que é mais confortável, porta-malas grande.

O Elétrico eu criei porque teve uma época aqui que teve uma plataforma só de elétricos, aí os motoristas falaram que talvez o passageiro não ia saber que o carro era elétrico. Eu falei: “Não, se o problema for esse, está aí uma categoria de elétrico”. Se o passageiro achar que quer ir de elétrico, ele chama. E pior que às vezes eles chamam, tem muita gente que escolhe o elétrico porque não faz barulho, é ecológico, poluição zero. E porque não tem elétrico antigo, então ela já sabe que vai pagar ali R$ 1, R$ 2 a mais, mas vai em um carro novo.

Em Humaitá eu não tenho moto, por questões de definição do município. Eles me pediram para esperar, para segurar um pouco porque os mototaxistas não querem outra categoria e a ideia precisa ser amadurecida, mas a tecnologia é o futuro, não tem como correr disso.

Montes Claros eu tenho a categoria Mulher e a Comum, por enquanto. Criei a categoria Mulher para criar essa cultura de cadastrar as mulheres e ver que vai ter uma opção ali para elas.

E nessa categoria, sempre definir que é de mulher para mulher, porque não adianta cadastrar lá uma categoria mulher onde o homem tem opção de chamar, não faz sentido no meu ponto de vista.

E mulheres tem um tempo menor, porque normalmente todas as mulheres, mesmo que seja motorista de aplicativo em tempo integral, elas ainda cuidam da casa, cuidam de filho, de tudo, então elas fazem dupla jornada. Por isso precisamos cadastrar um número muito grande de mulheres para ter sempre ter motoristas online, operando.

Qual o valor da corrida mínima para o passageiro? Vai até quantos quilômetros?

Diego: Em Porto Velho, o carro hoje é R$ 8 e moto R$ 5. Vai até 2,5 km.

Montes Claros segue o mesmo preço no momento e Humaitá, que só tem carros, é R$ 14 a mínima, até 2 km.

Vai ser relativo à distância que o motorista está, mas está  cadastrado acima de R$ 2,30. Então, contando do ponto de partida do passageiro para o destino, o quilômetro é em torno de R$ 2,30, R$ 2,50. 

Das 21h, 22h até as 6 horas da manhã temos uma bandeira maior que é R$ 9,60 ou R$ 10 a mínima. Ao longo do dia, ali nos horários de pico entra a dinâmica automática e no final de semana entra a tarifa 2. No domingo é o dia todo com a mínima de R$ 10. Ela já começa um pouquinho mais alta e também o valor do quilômetro aumenta, porque diminui o número de pedidos, o número de motorista on-line e se não tiver um valor atrativo para o motorista buscar, o passageiro acaba se frustrando.

Também colocamos dinâmica quando tem chuva forte, com alagamento. Tem algumas ruas aqui que alagam, porque passa córregos próximo e aí colocamos um dinâmico um pouco alto para equilibrar e até para o motorista ver se viável fazer a corrida, porque o risco é maior.

Como funciona a cobrança do motorista? Qual o valor da taxa?

Diego: A gente trabalha com comissão, é por percentual, definimos em 12% agora. Até porque a gente incrementou alguns opcionais a mais para eles. Vamos colocar o Pix no próprio aplicativo para facilitar para os motoristas e isso acaba gerando um custo para nós. Então é melhor a gente ir arredondando para uma comissão de 12% e embutir essas cobranças.

Vocês intermediam o pagamento ou o passageiro paga direto para o motorista?

Diego: Hoje a nossa demanda de cartão no app é pouca, mas temos a opção. Temos a opção de cashback também. 

E se o motorista não tiver saldo, corridas em dinheiro não tocam para ele. Mas, se tiver saldo, qualquer corrida pode tocar. O motorista sem saldo recebe apenas corridas no cartão via app ou combinações de pagamento (bônus + dinheiro ou pix). Por isso, é melhor ter um saldo de cerca de R$10 e disputar todas as corridas do que filtrar. 

Em média, quantas corridas estão fazendo por mês?

Diego: Hoje a média de corridas solicitadas está em torno de 4 mil, finalizadas 2.500 ainda. Isso em Porto Velho. Em Humaitá está na casa das mil corridas e Montes Claros tem uma chamadinha outra, mas normalmente o motorista está longe, porque ainda tem poucos.

Qual o perfil de público que a Connect Trip atende? E o que movimenta as cidades?

Diego: Humaitá eu observei que temos um perfil mais jovem. A galera ali dos 25 aos 35 anos e dos 35+ é uma parcela pequena. 

Já em Porto Velho temos um público estudante, temos alguns servidores, comerciantes. É um público bem variado. 

Mas queremos focar também em atender o público corporativo.

Porto Velho é uma cidade em expansão. Aqui tem o agro, o serviço público que tem um movimento muito alto de servidor público, tanto federal, como estadual e municipal. E a gente tem que estar trabalhando, buscando uma fatia do bolo aí no mercado.

A Connect Trip tem parceria com estabelecimentos nas cidades?

Diego: Temos parceria com posto de gasolina, temos uma oficina de alinhamento, temos algumas outras parcerias que estamos negociando. Mas assim, queremos focar em um de cada segmento, para não ficar naquilo: “ ah o cara fecha parceria com todo mundo”. Então a gente preza por conseguir o máximo de desconto naquela parceria. Eu falo: “olha, eu fecho só contigo, mas eu preciso de um desconto diferenciado”, porque tem que fazer sentido a pessoa ser da Connect para ter aquele desconto.

E de evento eu já fechei o carnaval, por exemplo. A gente divulga muito, mas fechar a parceria é muito difícil porque o show acaba e todo mundo quer ir embora. O pessoal pega qualquer transporte, até o pirata, já está bêbado, está cansado e só quer ir embora.

Mas eu sou bem ativo nos eventos, nos rodeios, estamos sempre divulgando e tentando mostrar que o regional tem esse diferencial, de apoiar a cultura local, o desenvolvimento, a economia local. 

E a gente apoia a cultura, então, quando você gasta com divulgação, com material gráfico ali naquele local, você está investindo. Tentamos mostrar isso, não só para o passageiro, mas para o motorista também, porque são eles os maiores multiplicadores da plataforma. 

Então, a gente sempre tenta trazer essa parceria para mostrar para eles que a gente trabalha em prol de ser parceiro mesmo. Aqui somos parceiros do motorista.

Vocês têm algum tipo de ranking ou premiação para os motoristas que mais fazem corridas?

Diego: Eu ainda não planejei, mas eu sempre mando no próprio grupo de WhatsApp os top 10 da equipe. Tem um motorista que está comigo, que acho que ele foi o primeiro ou o segundo cadastro e ele está sempre no ranking. Ele está sempre em primeiro ou segundo. Isso é muito legal porque quando ninguém sabia se ia dar certo ou não o aplicativo, o cara não me conhecia e resolveu acreditar.

Quando fatura, em média, um motorista da Connect Trip?

Diego: Na minha plataforma, eles não têm muito ganho ainda, até porque é muito motorista para pouca demanda. Mas em média, não sei se é verdade, mas eles chutam em torno de R$ 10 mil a R$ 16 mil bruto.

Às vezes o carro é elétrico, aí ajuda um pouco porque o consumo é menor. Tem manutenção mas o consumo é um pouco menos.

O que você aprendeu em outros trabalhos que leva até hoje na vida de empresário?

Diego: Então, eu costumo falar que a concorrência acaba sendo boa no sentido de que ela motiva a gente, porque temos que estar sempre buscando ser melhor do que o concorrente.

Temos que estar preparados porque, nunca aconteceu comigo, graças a Deus, mas a gente vê em outros segmentos o jogo sujo, jogo ruim e ou você lida com aquilo ou você desce ao nível do concorrente. Então, temos que estar preparados.

Eu gosto e sempre gostei da concorrência, nunca tive problema, tanto que eu já tive restaurante, hamburgueria, outros segmentos, onde os concorrentes sempre andaram comigo. Sempre foi assim: “Vamos juntar todo mundo e comprar uma quantidade x de batata-palha para conseguir preço melhor”. Às vezes a gente viajava para comprar carne, filé mignon em interior que é mais barato, cidades que não tem muita saída desse tipo de carne. A gente juntava dois, três do mesmo segmento para comprar, para conseguir preço, para compensar a viagem também. Eu sempre vi isso com bons olhos e sou amigo de todo mundo do meu segmento. Ajudei alguns a entrar no segmento em que eu trabalhava, que era de lanche, restaurante e até hoje ajudo. Hoje eu até voltei com o restaurante para complementar a renda e continuar o meu projeto.

E então eu acho isso bom porque a gente tem que buscar melhorias como empresário, como investidor e como ser humano também.

Você pensa em expandir a Connect para delivery, para integrar com o seu restaurante?

Diego: Então, eu entrei em contato com a empresa que me fornece a tecnologia porque tenho interesse em fazer essa conexão, porque não queria abrir outro aplicativo.

A ideia era incluir esse módulo, porque existem algumas funcionalidades específicas do delivery, como faturamento, retorno para maquininha, código de entrega, entre outras. Hoje, como as plataformas já têm essas opções, acaba sendo ruim oferecer um serviço de entrega “por fora”. Eu sempre tento entrar no mercado com algo mais a frente.

E essa questão do código de entrega é muito importante, porque traz mais segurança. E hoje todas as plataformas de mobilidade que atendem delivery já têm essa funcionalidade. Como eu ainda não tenho isso, acabei não implementando por enquanto. Mas, futuramente, pretendo fazer parte desse mercado, seja desenvolvendo internamente ou firmando parceria com empresas do ramo, inclusive com pessoas do segmento de delivery que eu já conheço.

Além de Montes Claros, tem planos para entrar em outras cidades? Será no modelo de franquias, licenciamento ou gestão própria?

Diego: A minha meta é abrir mais cidades sim, só que sem franquear. Eu quero abrir pelo menos como sócio. Pela questão do padrão, da qualidade, da responsabilidade, do nome. Eu até pensei em franquear, aí depois que já tinha até gasto um dinheirão fazendo a formatação da franquia, que é cara, eu mudei de ideia e achei melhor não seguir por esse caminho. Porque a partir do momento que, mesmo com contrato, você vende a franquia, é o cara que acaba tendo domínio sobre ela, porque é dele.

E já aconteceu com alguns colegas meus da pessoa comprar a franquia, aprender a trabalhar e depois abrir um concorrente para ele mesmo, para afundar o próprio aplicativo. Ele acaba matando o aplicativo ali naquela cidade e você não consegue mais voltar depois, porque a marca fica queimada.

A Connect Trip tem um rosto, tem um CPF, tem uma personalidade e como eu foco muito no marketing, faço vídeos com uniforme, sempre vai estar marcado o meu nome lá. 

Franquear seria uma boa, porque faria um volume de dinheiro ali, faria um caixa e mesmo no momento precisando de caixa, eu preferi segurar e ir crescendo aos poucos. Porque quando eu chegar em outra cidade, eu não vou chegar do zero. Vou chegar com bagagem, com conhecimento.

Inclusive, até já apareceram pessoas interessadas em comprar Humaitá e eu não tenho interesse no momento, mesmo precisando de caixa, porque o mais difícil eu já fiz, que foi entrar, conquistar confiança e, como eu zelo muito pelo meu nome, eu dei minha palavra para eles que durante dois anos eu estaria presente com eles. 

Então, hoje, o meu interesse é expandir em sociedade, agora vender, não tenho interesse.

Quanto a Connect Trip movimenta financeiramente por mês? Tem uma meta financeira para atingir em 2026?

Diego: Eu vou falar de Porto Velho e Humaitá porque Montes Claros não tem volume ainda. Está em torno de R$ 30 mil, R$ 40 mil bruto por mês.

Eu queria amanhã já estar faturando uma média de R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões por mês, mas como a gente trabalha em cima de números plausíveis e razoáveis, até o final do ano quero estar batendo pelo menos na casa dos R$ 150 mil, R$ 200 mil em transações. 

Qual legado você quer deixar com a Connect Trip?

Diego: Hoje o meu maior foco é passar segurança e qualidade. A transparência já é primordial, mas assim, eu quero que a pessoa fale: “Baixa o Connect aí porque é seguro”.

Então, na hora que chegar nesse patamar, eu já vou diminuir meu marketing, porque eu vou ter marketing gratuito ali, que o próprio passageiro. Eu sempre falo para os motoristas que eles são um excelente marketing, porque ele traz o lead qualificado, cerca de 70% dos usuários, que usaram o app pelo menos uma vez, vieram através de indicação de motorista. Nós temos o “Indique e Ganhe” e temos acesso a isso.

Do que mais se orgulha nessa trajetória?

Diego: Eu acredito que estou no caminho certo, porque vejo melhorias constantes e recebo muitos elogios dos motoristas. Teve um rodeio em Humaitá em que fui voluntariamente ajudar a organizar o acesso exclusivo para motoristas de aplicativo e táxis. Participei de reuniões com a prefeitura, sugeri mudanças e acompanhei tudo de perto para garantir que funcionasse.

Mesmo sendo de fora, consegui organizar melhor o fluxo, evitando a desordem que acontecia antes. Isso fez com que muitos motoristas reconhecessem meu trabalho, inclusive de outras plataformas. Recebi várias mensagens dizendo que, em anos de evento, nunca tinham visto algo tão organizado.

No evento seguinte, consegui implementar ainda mais melhorias junto à organização. No final, deu tudo certo, e até hoje os motoristas valorizam esse trabalho. Hoje, inclusive, acredito que tenho mais motoristas que o concorrente, mesmo com uma demanda menor.

E hoje, a Connect tem motorista que veste a camisa de graça e fala: “Gostei, vocês trabalham de um jeito legal, vocês estão do lado do motorista, vocês são parceiros em tudo.” E, assim, a gente vai cativando, conquistando os motoristas. 

Temos passageiros fiéis que têm muitas corridas na plataforma, muitas mesmo.  O motorista já até sabe: “Ah eu conheço a ‘dona fulana’, eu conheço essa passageira, ela pede todos os dias”. 

É legal porque vamos fidelizando. É um trabalho pequeno, mas que onde a gente vai passando, vai fidelizando o motorista, vai fidelizando o passageiro e isso é gratificante.