A trajetória de Sylas Mahs na mobilidade começou antes do Bora Vale. Ele está há sete anos no setor e atuava como motorista em outra plataforma quando decidiu seguir o próprio caminho. Depois de quatro anos trabalhando em uma operação local, criou o Bora Vale em Registro, no Vale do Ribeira.
Segundo o gestor, a experiência anterior ajudou a entender os erros do mercado e a evitar que eles se repetissem na nova operação.
“A bagagem desses sete anos no ramo me fez aprender com os erros lá atrás para não persistir atualmente com os mesmos erros”, afirma.
Aplicativo nasceu para ter diferenciais locais
O Bora Vale foi criado para atender lacunas que Sylas identificava no mercado de Registro. Embora já existissem outros aplicativos na cidade, ele enxergou espaço para uma operação com diferenciais como cashback para clientes e uma categoria de atendimento exclusivo com motoristas mulheres.
A plataforma também apostou em tecnologia mais ágil, carros novos e uma base ampla de motoristas. Hoje, segundo Sylas, o app conta com mais de 30 motoristas mulheres.
“Quando pensei no Bora Vale, pensei que a gente tinha que ter um diferencial”, diz.
Marketing em eventos acelerou crescimento
A captação dos primeiros motoristas e passageiros foi favorecida pela experiência de Sylas na cidade. Por já estar há anos no mercado, ele tinha contato com clientes e motoristas, o que ajudou a apresentar o Bora Vale como uma nova possibilidade de ganho.
Além do relacionamento local, o aplicativo investiu em marketing agressivo desde o início. A empresa contratou uma agência, que segue com a operação há três anos, e passou a marcar presença nos principais eventos do calendário municipal.
“Em locais com grande circulação de pessoas, o Bora Vale montava estrutura com estande, brindes, balões e wind banners para incentivar o download do aplicativo.Onde tinha evento de grande circulação de pessoas, o Bora Vale estava introduzido. Isso trouxe uma escalada muito rápida”, afirma.
Registro é a sede da operação
A cidade sede do Bora Vale é Registro, considerada por Sylas a principal cidade do Vale do Ribeira. A região tem mais de 20 cidades no entorno, e o aplicativo já trabalha com expansão para outras praças do Vale.
Sylas é o único sócio-proprietário da empresa. Segundo ele, a construção da marca tem sido feita de forma independente, com foco em crescer e desenvolver a operação na região.
Investimento inicial foi de R$ 20 mil
Para lançar o Bora Vale, o investimento inicial foi de cerca de R$ 20 mil, considerando desenvolvimento, plataforma e marketing. O aplicativo começou a se pagar em aproximadamente seis meses.
Mesmo após atingir esse ponto, Sylas afirma que o plano de investimento foi pensado para cinco anos.
“Em seis meses ela já se pagou e já estava andando sozinha. Mas meu propósito de investimento é ao longo de cinco anos. Como a empresa está no terceiro ano, ele diz que segue reinvestindo constantemente na plataforma”, afirma.
Sylas dirigiu no próprio aplicativo no primeiro ano
No início, Sylas também atuou como motorista do Bora Vale. Durante o primeiro ano, além de comandar a equipe, ele ficou na rua para acompanhar a operação de perto e ajudar na transição dos clientes que já o conheciam da plataforma anterior.
Hoje, ele não dirige mais e se dedica à gestão da empresa.
Primeiros 30 dias mostraram potencial
O gestor diz que percebeu rapidamente que o aplicativo poderia dar certo. Com uma estratégia forte de marketing e uma base prévia de relacionamento, o Bora Vale já teve uma alavancada importante nos primeiros 30 dias.
Atualmente, Registro tem cerca de 65 mil habitantes, e a base do Bora Vale já reúne 25 mil clientes cadastrados.
“Com 30 dias você já tinha um crescimento muito grande. Até hoje eu ainda cresço e acredito que ainda há espaço para crescer dentro da própria cidade”, afirma.
Transição de motorista para proprietário foi desafio
Ao falar sobre a mudança pessoal após empreender, Sylas destaca a transição de motorista para proprietário como uma das maiores dificuldades. Segundo ele, sair da posição de condutor e assumir a gestão de uma empresa exigiu mudança de pensamento e adaptação.
Bora Vale tem 150 motoristas em Registro
Na cidade de Registro, o Bora Vale conta com 150 motoristas cadastrados e 25 mil clientes na base. A operação realiza, em média, 1 mil corridas por dia, o equivalente a cerca de 30 mil corridas por mês.
Taxa é de 15% por corrida
O modelo de cobrança do Bora Vale é baseado em taxa por corrida. Atualmente, o motorista paga 15% à plataforma. A corrida mínima é de R$ 10 e cobre um raio de 2 km ou até 5 minutos.
Segundo Sylas, o valor médio do quilômetro rodado fica entre R$ 2 e R$ 2,50, sem corridas abaixo de R$ 2 por quilômetro.
Motorista faz recarga mínima de R$ 50
O pagamento da taxa funciona por meio de créditos. O motorista coloca saldo na plataforma e, conforme realiza corridas, a taxa é descontada. A recarga mínima atual é de R$ 50.
Na conta apresentada por Sylas, com R$ 50 de crédito, o motorista consegue atingir cerca de R$ 500 em ganho bruto. Descontados os 15%, fica com aproximadamente R$ 425 líquidos.
Motorista de maior rendimento chega a R$ 24 mil
O melhor motorista da plataforma costuma faturar entre R$ 22 mil e R$ 24 mil por mês. Segundo Sylas, mais do que um recorde isolado, trata-se de uma constância mensal do condutor que mais performa no aplicativo.
A média varia conforme o perfil do motorista. Quem usa o app como renda principal pode ficar na faixa de R$ 10 mil a R$ 15 mil. Já quem roda para complementar renda costuma faturar entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.
“Para muitos motoristas, o Bora Vale é o ganho do dia a dia, o principal trabalho”, afirma.
Operação movimenta R$ 300 mil por mês
As cerca de 30 mil corridas mensais movimentam aproximadamente R$ 300 mil brutos por mês. Como a taxa da plataforma é de 15%, a receita da empresa fica em torno de R$ 45 mil.
“A meta inicial era atingir esse faturamento em cinco anos, mas o resultado chegou já no terceiro ano de operação. Agora, a empresa trabalha em novas metas ligadas à expansão para cidades do entorno”, conta Sylas.
Corridas por fora existem, mas são combatidas
O Bora Vale também enfrenta casos de motoristas que fazem corridas por fora. Segundo Sylas, o problema existe, embora não seja tão frequente. Quando a prática é identificada, o motorista é desligado imediatamente da plataforma.
Clandestinos são a maior preocupação
Mais do que as corridas por fora dentro da base, Sylas aponta os motoristas clandestinos como a principal preocupação da operação.
“A falta de uma legislação local mais forte e de fiscalização ativa permite que veículos irregulares disputem passageiros em pontos de ônibus e outros locais da cidade”, lamenta.
Expansão chegou antes do previsto
O plano inicial de Sylas previa que a expansão aconteceria no quinto ano de operação. Com o crescimento mais rápido do que o esperado, esse movimento começou já no terceiro ano.
O objetivo agora é configurar novas metas para levar o Bora Vale a cidades do entorno, mantendo o foco no Vale do Ribeira.
Mercado regional exige qualidade e atendimento
Ao falar sobre o futuro dos aplicativos regionais, Sylas afirma que há espaço para todos, mas poucos conseguem se manter. Em Registro, segundo ele, já houve oito concorrentes; atualmente, restam três ou quatro aplicativos.
Para o gestor, muitas pessoas entram no mercado achando que basta montar um aplicativo, mas não conseguem manter atendimento, qualidade e diferenciação.
“O sol brilha para todos, mas poucos conseguem uma sombra nesse sol”, afirma.
Bora Vale foi eleito melhor aplicativo de Registro
Sylas afirma que o Bora Vale recebeu, por três anos consecutivos, o reconhecimento de melhor aplicativo da cidade de Registro pelo Instituto UAM. Para ele, o resultado reflete o foco em atendimento diferenciado e qualidade.
Plataforma é semelhante a da Uber
Segundo Sylas, a plataforma é visualmente parecida com a Uber, mas ainda há melhorias possíveis, especialmente em recursos de inteligência artificial.
Ele afirma que faz apontamentos constantes para a empresa de tecnologia, buscando aproximar a experiência do app regional das grandes plataformas.
99 chegou a Registro, mas operação estabilizou
A 99 entrou recentemente em Registro, há cerca de três meses. Segundo Sylas, a chegada veio com uma demanda alta no começo, mas depois o mercado estabilizou. Ele afirma que o Bora Vale usa estratégias e tecnologia para competir de frente.
Diferencial está na logística da região
Para Sylas, aplicativos regionais conseguem disputar espaço com grandes plataformas quando conhecem bem a logística local. No Vale do Ribeira, o deslocamento entre bairros e a necessidade de retorno ao centro pesam no custo do motorista.
Por isso, o Bora Vale trabalha com uma precificação um pouco mais alta do que os padrões de Uber e 99, buscando compensar o motorista pela realidade das cidades menores.
“A grande sacada é entender a logística da cidade pequena. Às vezes o motorista faz uma corrida para um bairro distante e precisa voltar para o centro para conseguir outra”, explica.
Legado envolve atendimento, tecnologia e renda
Sylas afirma que o legado do Bora Vale está na construção de um atendimento diferenciado para Registro e o Vale do Ribeira. Entre os recursos citados estão atendimento para mulheres, cashback, agendamento e suporte para itens perdidos dentro dos carros.
“O meu aplicativo levou uma tecnologia de grandes centros para uma cidade menor, adaptada à realidade da região”, comemora o gestor.
Plataforma entrou no Move Brasil
Outro ponto destacado por Sylas é a entrada do Bora Vale no Move Brasil. Segundo ele, a plataforma regional conseguiu cumprir um processo de documentação rigoroso para oferecer aos motoristas a possibilidade de financiamento de veículo novo pelo programa.
“Fora Uber e 99, poucas plataformas no Brasil conseguiram essa habilitação. Esse é um legado importante para os motoristas da região”, afirma.
Motoristas são o principal desafio
Na reta final da entrevista, Sylas reforçou que a maioria dos motoristas usa o Bora Vale como principal fonte de renda. Segundo ele, em uma região com poucas indústrias e menos opções de trabalho, ver um motorista chegar a R$ 24 mil mensais é algo fora da realidade média local.
“Eu não digo que ganhei 150 filhos, mas tenho responsabilidade em manter essas pessoas. Os motoristas são o que fazem a plataforma funcionar”, afirma.
Para Sylas, divulgar a história do Bora Vale fora do Vale do Ribeira é uma forma de mostrar que aplicativos regionais também podem criar renda, estrutura e tecnologia em regiões menos lembradas.
“O Bora Vale é diferente dos iguais. Igual tem todo mundo; igual ao Bora Vale, só o Bora Vale”, conclui.
