A trajetória do Bibidriver começou a partir da vivência de Wilker Natanael Silva, de 46 anos, no próprio mercado de transporte por aplicativo. Antes de criar a empresa, ele já atuava como motorista em outra plataforma. Com o tempo, percebeu que algumas ideias sobre atendimento, preço e funcionamento do serviço não batiam com o que via no mercado.
O aplicativo é tocado por Wilker e pelo irmão, Wilderson de Arimatéia Silva. No início, os dois trabalhavam em uma franquia, mas, após três meses, concluíram que o modelo não entregava o que esperavam. Foi quando decidiram seguir com uma marca própria.
“A gente viu que não estava sendo satisfatório aquilo que esperava. Foi quando resolvemos aderir ao nome Bibidriver, que hoje é uma marca nossa mesmo”, afirma Wilker.
Atendimento foi uma das dores identificadas
A decisão de criar o aplicativo veio da percepção de que havia espaço para melhorar o atendimento ao passageiro e a relação com os motoristas. Segundo Wilker, o objetivo era oferecer um serviço com preço competitivo, bom atendimento e uma plataforma estável.
“Em três anos de operação, a plataforma teve poucas instabilidades e conseguiu atender bem a população de Campo Belo, cidade com cerca de 55 mil habitantes. A gente sempre preza pelo atendimento. Isso a gente não deixa de lado jamais”, diz.
Primeiros meses tiveram apenas os dois irmãos rodando
O começo foi marcado por uma operação pequena e intensa. Nos primeiros dois meses, Wilker e Wilder rodavam praticamente sozinhos, um de cada lado da cidade, tentando conquistar os primeiros clientes e fidelizar passageiros.
A primeira corrida aconteceu quatro dias depois do início da operação. Aos poucos, motoristas insatisfeitos com outra plataforma começaram a procurar o Bibidriver e a reforçar o time.
“Eu falei para eles: corrida tem para mim, para meu irmão e para nós três que estamos aqui. Para vocês, nós vamos ter que correr atrás”, lembra.
Primeiro mês teve 3.020 corridas
Mesmo com estrutura enxuta, o Bibidriver começou com volume relevante. A plataforma entrou em operação em 17 de julho de 2023 e, no primeiro mês, registrou 3.020 corridas finalizadas. No segundo mês, foram 4.200 viagens; no terceiro, 5.297.
Hoje, segundo Wilker, o aplicativo realiza aproximadamente 20 mil corridas por mês, embora o número varie conforme o período.
Aplicativo atua em Campo Belo e Candeias
A sede do Bibidriver é Campo Belo, em Minas Gerais. A empresa também começou a operar em Candeias, cidade vizinha e menor. Wilker afirma que a expansão é feita com cuidado, mantendo “pé no chão” antes de avançar para novas praças.
Atualmente, a operação conta com aproximadamente 65 motoristas em Campo Belo e cerca de 14 a 15 em Candeias.
Credibilidade foi o maior desafio inicial
Para Wilker, a primeira grande dificuldade foi conquistar confiança. Como todo aplicativo novo, o Bibidriver precisou construir credibilidade com passageiros e motoristas, enquanto enfrentava concorrentes já estabelecidos.
O crescimento veio principalmente pelo boca a boca, com apoio de amigos, passageiros e motoristas que começaram a recomendar o serviço.
“A partir do momento em que o nome começa no famoso boca a boca, as coisas vão acontecendo”, afirma.
Wilker e Wilder ainda dirigem
Mesmo como gestores, os dois irmãos continuam atuando como motoristas do próprio aplicativo. No dia a dia, Wilder fica mais ligado à parte de sistema, enquanto Wilker cuida da rua, dos motoristas e das situações operacionais.
Essa proximidade com a operação é uma das características da gestão. Para Wilker, estar na rua ajuda a entender melhor os problemas dos motoristas e passageiros.
Marca é motivo de orgulho
Depois de três anos, Wilker diz que um dos maiores orgulhos é ver a marca consolidada na cidade. Ele destaca a persistência como um dos pontos mais importantes da trajetória, principalmente diante da concorrência e das dificuldades do setor.
“Os objetivos não vêm do dia para a noite. Tem que ter persistência e perseverança”, diz.
Corrida mínima é de R$ 8,99
A corrida mínima do Bibidriver é de R$ 8,99 e cobre aproximadamente entre 1 km e 1,2 km, dependendo da dinâmica. O aplicativo também trabalha com bandeiras, e o valor pode mudar conforme horário, pico de demanda ou período de madrugada.
Na madrugada, por exemplo, a mínima pode chegar a cerca de R$ 16,44.
Motoristas pagam mensalidade de R$ 400
O modelo atual do Bibidriver é baseado em mensalidade. Em Campo Belo, o valor cobrado dos motoristas é de R$ 400. A empresa estuda, para o futuro, oferecer também a opção de porcentagem por corrida, mas hoje trabalha com pagamento mensal.
Em Candeias, a mensalidade é menor, por se tratar de uma cidade menor.
Motorista já faturou até R$ 17 mil
Segundo Wilker, o motorista recordista do Bibidriver costuma aparecer todos os meses entre os três primeiros colocados da plataforma. O maior faturamento já registrado ficou entre R$ 15 mil e R$ 17 mil.
Entre motoristas que trabalham com mais frequência, a média fica entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, dependendo da dedicação e do horário de atuação.
Operação movimenta cerca de R$ 200 mil por mês
Com aproximadamente 20 mil corridas mensais e uma base média próxima de R$ 10 por viagem, Wilker estima que o Bibidriver movimente cerca de R$ 200 mil por mês em corridas.
O valor é uma estimativa feita a partir do volume de viagens e dos preços praticados, já que há corridas de R$ 8,99, R$ 10, R$ 12, R$ 13, R$ 15 e valores maiores no período noturno.
Corridas por fora são combatidas
Uma das principais preocupações da gestão é evitar corridas por fora. Wilker afirma que o tema é reforçado com todos os motoristas que entram na plataforma, porque o particular enfraquece o aplicativo e tira segurança do passageiro.
“Motorista de aplicativo não tem que ter cliente. Quem tem que ter cliente é a plataforma, para que o giro de corridas beneficie todos os condutores”, afirma.
Tecnologia não é o problema
Ao falar sobre aplicativos regionais, Wilker avalia que a tecnologia não é necessariamente o principal problema, especialmente em cidades menores. Segundo ele, mesmo com aplicativos fáceis de usar, parte da população ainda tem dificuldade com celular e internet.
Por isso, a empresa mantém uma central de atendimento para alcançar idosos e pessoas que não conseguem ou não preferem chamar corridas pelo aplicativo.
Central ajuda idosos e pessoas com dificuldade no app
A central de atendimento foi criada para atender passageiros que não usam bem o celular, que têm dificuldade com internet ou que preferem pedir corrida por telefone. Para Wilker, essa adaptação é importante em cidades do interior, onde parte do público ainda não se sente confortável com aplicativos.
Concorrência é grande em cidade de 55 mil habitantes
Apesar de Campo Belo ter cerca de 55 mil habitantes, Wilker afirma que a cidade conta hoje com pelo menos 10 ou 11 aplicativos de transporte. Para ele, a disputa é intensa e exige estratégia, cautela e crescimento gradual.
Ele diz que existem planos de expansão, mas que a empresa prefere avançar com firmeza, sem colocar a operação em risco.
“Tudo tem que ter passo firme. Não é só pensar em ir para outro lugar, são vários fatores”, afirma.
Futuro dos regionais exige atenção
Wilker acredita que há espaço para todos os aplicativos regionais, mas que cada empresa precisa ter uma política clara, estratégia e atenção constante ao mercado. Segundo ele, qualquer descuido pode comprometer uma operação.
Para o gestor, o mercado é disputado, mas também formado por famílias e profissionais que dependem da atividade.
“O sol é para todos. Cabe a cada um buscar suas estratégias e sobressair no meio das turbulências”, diz.
Legado é lealdade, compromisso e honestidade
Ao falar sobre o legado que quer deixar, Wilker cita lealdade, compromisso, responsabilidade e honestidade. Segundo ele, esses valores são reforçados com motoristas, clientes e parceiros.
“A confiança da população é um dos pontos mais importantes do Bibidriver, especialmente em situações como transporte de filhos para a escola ou devolução de objetos esquecidos nos carros. Nosso compromisso é sempre com a verdade”, conclui.
