Júnior Abel Ferreira tem 40 anos e começou no setor como motorista de aplicativo em Recife. A partir dessa experiência, decidiu criar uma plataforma própria em Carpina, cidade de Pernambuco localizada a cerca de 54 km da capital. Segundo ele, o município tem aproximadamente 80 mil habitantes.

A motivação principal foi reduzir o peso das taxas cobradas dos motoristas. Júnior afirma que, enquanto outros aplicativos chegavam a cobrar percentuais de 30% a 40%, o 24 Horas Driver nasceu com taxa de 10% sobre as viagens.

“Eu fiz o 24 Horas Driver na intenção de ajudar os motoristas. A gente só tira 10% das viagens para manter o aplicativo”, afirma.

App foi pioneiro na região

O 24 Horas Driver foi criado em 2020 e legalizado em 2021. Segundo Júnior, quando a operação começou, ainda não havia aplicativos de mobilidade na região de Carpina; esse tipo de serviço estava mais concentrado em Recife.

“A captação inicial foi feita com panfletagem, divulgação no Instagram e boca a boca. Com o tempo, outros aplicativos chegaram à cidade, aumentando a concorrência. Em 2021, não tinha aplicativo por aqui. Era só a gente mesmo”, diz.

Primeira dificuldade foi ter motoristas

No início, a principal dificuldade era a falta de motoristas. Hoje, segundo Júnior, a situação se inverteu: há uma base maior de condutores, mas a concorrência entre aplicativos tornou o mercado mais disputado.

Outro desafio inicial foi ensinar os passageiros a usarem o aplicativo. Em algumas cidades, a adaptação foi mais difícil, mas o gestor afirma que hoje o público já entende melhor o funcionamento de plataformas de mobilidade.

Júnior já teve sócio, mas hoje toca o app sozinho

O 24 Horas Driver já teve sociedade, mas Júnior afirma que a parceria não deu certo. Hoje, ele administra a operação sozinho.

O investimento inicial envolveu a compra do aplicativo, que custou mais de R$ 30 mil na época, além de gastos altos com divulgação. Segundo o gestor, apenas em publicidade, o investimento chegou a aproximadamente R$ 70 mil a R$ 80 mil.

“O que mais gastou foi divulgação. No começo, a divulgação era grande mesmo, e valia a pena”, lembra.

Retorno começou após cerca de um ano

Segundo Júnior, o aplicativo começou a dar retorno financeiro depois de aproximadamente oito meses a um ano de operação mais intensa. Ele afirma que o período inicial foi marcado por forte investimento em divulgação e pela tentativa de consolidar o serviço nas cidades atendidas.

“O momento em que percebi que o app estava dando certo veio quando o volume de chamadas começou a crescer, especialmente em períodos de festas, como o São João. Foi quando aumentou o pico de chamada”, afirma.

Orgulho é ter legalizado a operação

Para Júnior, uma das maiores conquistas foi conseguir deixar o aplicativo legalizado e funcionando corretamente em Pernambuco. Ele afirma que, no começo, teve dificuldades para entender qual empresa contratar para desenvolver a plataforma e como estruturar o aplicativo.

A primeira plataforma usada não deu certo, e ele precisou migrar clientes para uma nova tecnologia.

“Eu pensei que não ia conseguir. Foi complicado no começo, porque eu não sabia qual empresa ia montar o aplicativo”, conta.

Gestor ainda roda como motorista

Mesmo à frente do 24 Horas Driver, Júnior continua atuando como motorista quando tem tempo. Ele afirma que gosta de estar no meio dos condutores, acompanhar a operação de perto e participar de reuniões com a base.

“O app precisa olhar tanto para motoristas quanto para passageiros, mas minha atuação é muito próxima dos condutores. Eu estou sempre do lado deles (motoristas), acompanhando tudo”, afirma.

Plataforma tem até 25 mil passageiros cadastrados

Com a plataforma atual, o 24 Horas Driver tem cerca de 8 mil passageiros cadastrados. Na base antiga, ainda em processo de migração, havia aproximadamente 18 mil usuários. Somando as bases, Júnior estima algo em torno de 24 mil a 25 mil passageiros.

A base de motoristas cadastrados fica em torno de 3 mil.

O 24h Driver trabalha com categorias como Comfort e Pop. Hoje, aceita carros a partir de 2014, mas o gestor afirma que o ideal é elevar o padrão para veículos de 2016 em diante.

App chegou a fazer até 12 mil corridas por mês

No melhor momento, o 24 Horas Driver chegou a realizar entre 10 mil e 12 mil corridas por mês. Hoje, o volume caiu, segundo Júnior, principalmente pela chegada de outros aplicativos à cidade.

Ele afirma que Carpina, apesar de pequena, já conta com seis aplicativos, o que tornou o mercado mais difícil.

Corrida mínima é de R$ 10

A corrida mínima no 24 Horas Driver é de R$ 10 e cobre até 1,8 km. Em corridas de distância, o valor por quilômetro pode ficar em R$ 1,80 ou R$ 2. Já para zona rural, chamada localmente de sítio, o valor é de R$ 2,60 por quilômetro.

A taxa cobrada dos motoristas é de 10% sobre as viagens.

Motorista recordista fez quase R$ 6 mil

O maior faturamento citado por Júnior foi de um motorista chamado Roberto, que fez cerca de R$ 5,5 mil a R$ 5,6 mil em um mês, chegando perto de R$ 6 mil.

O gestor afirma que, em períodos de maior movimento, motoristas que rodam com mais intensidade podem chegar a R$ 9 mil ou R$ 10 mil. Ele próprio diz já ter faturado R$ 10 mil em um mês como motorista.

Movimento atual caiu com a concorrência

Júnior afirma que o movimento atual está mais fraco. Em uma estimativa, cita valores de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil, com a plataforma ficando com 10% sobre as corridas.

“A queda ocorreu após a chegada de novos aplicativos e a migração de tecnologia, que ainda exige esforço para reconstruir a base e retomar o volume anterior”, explica. 

Meta é chegar ao Recife

Para os próximos anos, o objetivo de Júnior é levar o 24 Horas Driver para Recife. 

“Eu quero subir. Estou tentando levar ele para Recife. Chegando em Recife, melhora a situação”, afirma.

Mercado ficou mais sofrido, avalia gestor

Sobre o futuro dos aplicativos regionais, Júnior acredita que o mercado pode ficar mais difícil, mas não necessariamente vai inviabilizar todas as operações. Para ele, a chegada de vários aplicativos em cidades pequenas torna a disputa mais “sofrida”.

“Na disputa com Uber e 99, caso eu consiga chegar a Recife, pretendo manter a taxa de 10% enquanto for possível, justamente por enxergar as taxas altas das grandes plataformas como uma dor para os motoristas”. 

Tecnologia usada é limitada

O 24 Horas Driver migrou para uma nova plataforma há cerca de oito meses.

Júnior avalia que ainda existem pontos em que a tecnologia dos regionais fica atrás das grandes plataformas. Um exemplo é o funcionamento do aplicativo para motoristas com iPhone, que ainda não está disponível, embora passageiros consigam usar.

“Há diferenças em recursos de desconto e bônus: nas grandes plataformas eles funcionam de forma mais automática, enquanto no app regional dependem da criação de cupons”, conta. 

Legado é confiança e qualidade no atendimento

Ao falar sobre o legado que deseja deixar em Carpina e na região, Júnior cita qualidade de atendimento, confiança, pontualidade e responsabilidade. 

“Chamou a corrida, tem que ter carro disponível por perto. Se não tiver motorista, a turma já não vai querer chamar mais”, afirma.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.