Criado em 20 de junho de 2023, em Sapé, no interior da Paraíba, o CarVip nasceu para atender uma dor antiga da cidade: a falta de transporte em uma região onde o mototáxi era, por muitos anos, praticamente a única alternativa de mobilidade urbana. À frente da operação estão Enio Joab Macedo da Cunha e Alison Viegas, responsável pela parte de marketing e construção da marca.
A ideia surgiu a partir da própria experiência de Enio como motorista de aplicativo em João Pessoa e como morador de Sapé, cidade de cerca de 60 mil habitantes localizada a aproximadamente 50 km da capital paraibana. Depois de atuar por anos com representação comercial, vendas, setor público, política e mobilidade, ele decidiu criar uma plataforma regional que oferecesse transporte na cidade e melhores condições para motoristas.
Além de Sapé, o CarVip funciona em Mari, Sobrado e Riachão do Poço, reunindo um público potencial de cerca de 100 mil habitantes na região. A plataforma tem aproximadamente 280 motoristas e motoboys cadastrados, sendo cerca de 180 a 190 motoristas de carro, além de mais de 5 mil passageiros cadastrados. Em meses comuns, realiza entre 1.500 e 2.500 corridas; em períodos de pico, como São João e Natal, chega a 3 mil viagens mensais.
“Eu não tenho muita cabeça de empresário, tenho cabeça de motorista. Então eu penso muito no motorista”, afirma Enio.
Da representação comercial ao setor público
Antes de criar o CarVip, Enio construiu sua trajetória no setor comercial. Começou a trabalhar jovem, aos 18 anos, na Ambev, e depois passou por diversas empresas e segmentos na área de vendas, representação comercial e atendimento ao cliente.
Com o tempo, sentiu-se saturado desse mercado e decidiu mudar de área. Entrou no setor público, participou de experiências em gestões municipais, estaduais e federais e também atuou na política.
Mais tarde, decidiu voltar a morar em João Pessoa, onde passou a rodar como motorista de aplicativo para fazer uma renda extra. A experiência, que começou como complemento, ganhou força durante a pandemia. Como o transporte por aplicativo seguia autorizado a funcionar, Enio passou a se dedicar integralmente à atividade.
“Na época da pandemia, a coisa deu aquela travada. Só tinha o carro para fazer uma renda e até para espairecer a mente. Fiquei naquele período me dedicando 100% a isso. Virou minha renda principal”, conta.
Foi nesse período que ele passou a conhecer melhor o funcionamento das plataformas, os algoritmos, a rotina dos motoristas e as dificuldades da categoria.
Atuação em associação de motoristas
Durante o período em que atuou como motorista de aplicativo, Enio também participou de uma associação de motoristas na Paraíba e chegou a fazer parte da diretoria da entidade.
Essa vivência ajudou a aprofundar sua compreensão sobre o mercado. Ele passou a observar como os aplicativos trabalhavam, quais eram as principais reclamações dos motoristas e como funcionava a relação entre plataformas, condutores e passageiros.
Ao mesmo tempo, começou a pensar em uma solução para Sapé, sua cidade, que não tinha transporte público estruturado. A presença do mototáxi era forte, algo tradicional em muitas cidades do interior do Nordeste, mas não havia uma alternativa de transporte por aplicativo com carros.
Para Enio, essa ausência era uma deficiência importante. Como usuário, também sentia na pele a dificuldade de locomoção. Aos poucos, essa percepção se transformou na ideia de criar o CarVip.
Sapé, cidade polo e terra do abacaxi
Enio nasceu em Mari, cidade vizinha a Sapé, também na Paraíba. Saiu de Mari por volta dos 10 anos e passou a morar definitivamente em Sapé, onde estudou e construiu grande parte de sua trajetória.
A região é formada por várias cidades próximas, e Sapé funciona como uma espécie de polo local. O município é conhecido nacionalmente como a terra do abacaxi e tem cerca de 60 mil habitantes.
Além de Sapé e Mari, Enio também morou em João Pessoa, Patos e Guarabira, acompanhando oportunidades profissionais. Como representante comercial, viajou por várias regiões da Paraíba, o que contribuiu para sua visão sobre comércio, relacionamento com clientes e diferentes realidades econômicas.
Infância marcada pelo trabalho e pela feira livre
A relação de Enio com vendas começou cedo. O pai era professor, a mãe também, mas a família tinha um comércio na feira livre, vendendo charque, ou carne seca, como é chamada em outras regiões.
Desde os 12 anos, Enio ajudava o pai nas feiras aos sábados. Também vendia sal, macaxeira (mandioca/aipim) em carrinho de mão, vela e flores no Dia de Finados, na porta do cemitério.
“Eu sempre tive essa iniciativa de buscar. Vendia vela no Dia de Finados, vendia flor. Sempre fui muito de tomar iniciativa, de correr”, relembra.
Na infância, não pensava necessariamente em empreender ou abrir uma empresa, mas já tinha uma relação natural com vendas e trabalho. Para ele, essa vivência ajudou a formar sua disposição para lidar com pessoas, buscar soluções e não ter vergonha de trabalhar.
Uma ideia para voltar a morar em Sapé
A ideia do CarVip surgiu quando Enio ainda morava em João Pessoa e queria voltar para Sapé. O desafio era encontrar uma forma de se manter financeiramente na cidade sem depender de um emprego tradicional.
Rodando como motorista de aplicativo, começou a pensar em como poderia criar uma alternativa local. Inicialmente, a ideia era simples: montar um aplicativo para que ele e mais quatro ou cinco amigos conseguissem trabalhar e sobreviver na cidade.
A proposta cresceu quando ele compartilhou a ideia com Alison Viegas, amigo formado em marketing e dono de uma empresa da área. Alison gostou do projeto e aceitou entrar como sócio, ficando responsável pela parte de marca, identidade visual e comunicação.
“Eu disse a ele que não tinha dinheiro para pagar nada. Ele falou: ‘Eu entro, você me dá uma participação no negócio. Quando começar a dar rentabilidade, eu ganho dinheiro’”, conta Enio.
Marca, cor e identidade pensadas para Sapé
A criação da marca CarVip foi feita em conjunto por Enio e Alison. Eles pensaram em nomes, cores e identidade visual buscando fugir de referências óbvias a grandes aplicativos já existentes.
A ideia era criar algo original, que não parecesse cópia de Uber, 99 ou outras plataformas. A cor azul foi escolhida também por ter relação com a bandeira de Sapé, criando um vínculo local com a cidade.
“Tudo que nós pensamos foi com ideias originais. A cor, por exemplo, a gente não queria nada parecido com o que já tinha de grande no mercado. Criamos um azul, que também é a cor da bandeira da cidade”, explica.
Até hoje, a empresa de Alison segue responsável pelo marketing do CarVip. Para Enio, essa parceria foi fundamental, porque permitiu ao aplicativo nascer com uma comunicação mais profissional.
Marketing como um dos maiores custos
Enio afirma que o marketing é uma das maiores despesas do aplicativo. Mesmo tendo Alison como sócio e parceiro, ainda é necessário investir em divulgação, peças, campanhas e ações promocionais.
O lançamento do CarVip foi feito durante o período junino de 2023, aproveitando o São João de Sapé, uma festa tradicional da cidade. A estratégia foi usar o movimento dos festejos para apresentar o aplicativo à população.
A empresa montou ponto de divulgação, distribuiu materiais e fez ações presenciais. Enio lembra, emocionado, que parte dos panfletos acabava jogada no chão após a distribuição, o que dava a sensação de estar literalmente vendo dinheiro descartado. Ainda assim, a ação ajudou a colocar a marca na rua.
“O lançamento foi um sucesso. A cidade abraçou, os amigos abraçaram, muita gente abraçou”, afirma.
Investimento inicial de cerca de R$ 100 mil
Enio estima que o investimento inicial no CarVip tenha ficado em torno de R$ 100 mil, considerando tecnologia, marketing, divulgação, estruturação da marca e operação.
O valor não foi aplicado de uma só vez. Ele usou recursos que tinha guardado, vendeu o próprio carro e chegou a passar cerca de um ano rodando com carro alugado para colocar o negócio de pé.
“Eu vendi meu carro e joguei tudo dentro do negócio”, afirma.
O investimento ainda não foi recuperado integralmente como empreendimento. Segundo Enio, o aplicativo se paga porque ele também trabalha na operação e tira renda dela, mas o retorno total do capital investido ainda está em construção.
Primeiro ano foi o mais difícil
O primeiro ano do CarVip foi o período mais difícil. Depois do lançamento no São João, muita gente achou que o aplicativo havia sido criado apenas para funcionar durante a festa. Passado o movimento inicial, veio a dificuldade de consolidar motoristas e passageiros.
Nos primeiros seis meses, havia pouca estabilidade. Em alguns dias, o aplicativo fazia poucas corridas. No primeiro ano, segundo Enio, nenhum mês passou de 500 viagens. Havia meses com 200, 300 ou pouco mais de 500 corridas.
“Eu fiquei praticamente zerado, sem dinheiro. Tinha investido tudo. Pensei: ‘Esse negócio deu errado’”, relembra.
A situação ficou tão apertada que um amigo chegou a emprestar o carro por dois meses para que Enio conseguisse se reorganizar. Mesmo assim, ele não desistiu.
Segundo ano marcou o início da engrenagem
Depois de um primeiro ano difícil, o CarVip começou a engrenar no segundo ano. A base de motoristas ficou mais estável, o público começou a entender melhor a proposta e o aplicativo passou a ter corridas com mais regularidade.
Hoje, no terceiro ano de operação, Enio considera que a plataforma entrou em uma fase mais profissional. O aplicativo realiza entre 1.500 e 3.000 viagens por mês, dependendo do período.
Nos meses mais fracos, fica entre 1.200 e 1.500 corridas. Em meses fortes, como São João e Natal, pode chegar a 3 mil viagens.
“Hoje não tem mês que a gente tenha menos de 1.200, 1.300, 1.500 viagens. Já tem constância”, afirma.
Contrato com Secretaria de Saúde ajudou a consolidar operação
Um dos marcos para o CarVip foi o contrato com a Secretaria de Saúde de Sapé. A prefeitura precisava transportar pacientes para tratamentos fora do domicílio, especialmente para Recife, Natal e João Pessoa.
Para João Pessoa, a gestão municipal já tinha ônibus, vans e carros próprios. Mas, para viagens com menor demanda e maior distância, como Recife e Natal, o custo de deslocar um veículo público era alto, com motorista, diária, manutenção e logística.
O CarVip apresentou uma proposta com planilha de custos e conseguiu mostrar que a terceirização sairia mais barata para a prefeitura em determinados casos.
Há cerca de um ano, o aplicativo atende essa demanda. Segundo Enio, esse contrato ajudou a viabilizar a operação e a recuperar parte do investimento.
“Hoje, praticamente, eu tirei o investimento em cima desse contrato”, afirma.
Enio ainda atua como motorista
Mesmo sendo gestor, Enio ainda trabalha como motorista, especialmente nas viagens da área da saúde e em momentos de maior demanda. No dia a dia do aplicativo, ele tem rodado menos e assumido mais o papel de administrador, incentivando motoristas, acompanhando operação e garantindo que não faltem carros.
Quando a demanda aumenta, entra na pista para ajudar. Mas sua principal atuação hoje está na gestão e nas viagens intermunicipais e interestaduais contratadas.
A rotina é dinâmica. Enio não tem escritório físico e resolve a maior parte das demandas de casa, do carro e pelo celular. Ele afirma que consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas reconhece que isso também traz estresse, especialmente por misturar a vida familiar com a gestão do aplicativo.
Existe um projeto de abrir um escritório até o fim do ano, mas a empresa adiou essa despesa enquanto consegue operar remotamente.
5 mil passageiros e 280 motoristas e motoboys cadastrados
O CarVip conta com cerca de 5 mil passageiros cadastrados. Do lado dos prestadores, são aproximadamente 280 motoristas e motoboys, sendo algo em torno de 180 a 190 motoristas de carro e o restante de motos.
O foco principal da plataforma, no entanto, é o carro. A demanda de mototáxi existe, mas a cidade já possui tradição forte de pontos de mototáxi, chamadas por telefone e grupos de WhatsApp. Por isso, o aplicativo não forçou a migração desses profissionais.
Entre os motoristas de carro, cerca de 40 a 50 costumam estar mais ativos. No dia a dia, a quantidade online varia conforme horário, dia da semana e perfil do condutor. Há motoristas que rodam mais à noite, outros durante o dia, alguns nos fins de semana e outros apenas nas folgas.
Segundo Enio, entre 10 e 15 motoristas vivem hoje principalmente do CarVip.
Chegada da 99 aumentou downloads do CarVip
A chegada da 99 ao interior da Paraíba, há cerca de três ou quatro meses, foi um momento de tensão para o CarVip. A grande plataforma entrou nas cidades médias da região com promoções agressivas, cupons, viagens gratuitas e incentivos para motoristas e passageiros.
No início, houve preocupação entre os motoristas e queda em alguns momentos. Mas Enio decidiu enfrentar a concorrência com inteligência de mercado. Alguns motoristas de confiança rodaram na 99 e repassaram informações sobre a operação, as promoções e as estratégias usadas.
“Se você não tem o poder financeiro da empresa que está lhe desafiando, tem que ter pelo menos um poder de inteligência maior”, afirma.
O resultado surpreendeu. Depois da chegada da 99, o CarVip ganhou cerca de 1 mil novos downloads de passageiros e aproximadamente 50 downloads de motoristas. Segundo Enio, a operação voltou ao normal, com mais motoristas ativos e chamadas em crescimento.
“A 99 chegou e eu acho que foi o que consagrou de vez o aplicativo”, diz.
Informações completas para o motorista aceitar corrida
Um dos diferenciais do CarVip está na quantidade de informações exibidas ao motorista antes de aceitar uma corrida. Na tela de chamada, o condutor vê o nome do passageiro, quantidade de corridas feitas por ele, avaliação, endereço de origem, distância até o passageiro, distância até o destino e valor por quilômetro.
A ideia é permitir que o motorista aceite apenas corridas que realmente deseja fazer. Com isso, o aplicativo tenta reduzir cancelamentos e melhorar a experiência do passageiro.
“O motorista tem 100% das informações. Ele só aceita a corrida se ver que é realmente boa para ele”, explica.
O CarVip também cobra taxa de cancelamento de motoristas e passageiros. A cobrança é pequena, mas serve como forma de evitar cancelamentos sem motivo. A exceção ocorre em situações de segurança, quando o motorista chega ao local e se sente inseguro, ou em casos como passageiro molhado saindo de piscina ou praia.
Tarifas: R$ 9,90 durante o dia, R$ 11,90 à noite e R$ 17,90 na madrugada
O CarVip trabalha com três bandeiras tarifárias. Das 6h às 19h, a corrida mínima é de R$ 9,90. A partir das 19h, passa para R$ 11,90. Da meia-noite às 6h, a tarifa mínima sobe para R$ 17,90.
Os valores cobrem até 2 km. Depois disso, a corrida passa a ter acréscimo conforme quilometragem e tempo, em sistema semelhante ao de outros aplicativos.
A tarifa mais alta da madrugada foi criada para incentivar motoristas a ficarem online em horários de menor oferta e maior necessidade de segurança, especialmente para passageiros que saem de bares, eventos ou festas.
Segundo Enio, o valor do quilômetro pode variar muito conforme a bandeira e a dinâmica. Em média, dentro de Sapé, fica em torno de R$ 2,80 por km, mas em horários de madrugada ou eventos pode ser muito superior. Em alguns momentos, já passou de R$ 20 por km em corridas curtas.
Dinâmica automática e manual
O CarVip usa dinâmica automática e manual. A dinâmica automática entra quando há quatro passageiros chamando para cada motorista online. Nesses casos, o sistema ajusta o valor conforme a demanda.
Em situações específicas, como chuva ou picos de chamada, Enio prefere aplicar dinâmica manual. Ele pode aumentar 10% ou 20% para equilibrar a demanda e incentivar mais motoristas a atenderem.
“Quando está chovendo e a demanda aumenta, eu não deixo só a automática. Jogo uma dinâmica manual”, explica.
A estratégia ajuda a evitar que o aplicativo fique sobrecarregado e busca garantir que o passageiro tenha carro disponível.
Motorista recebe direto do passageiro
No CarVip, o pagamento da corrida é feito diretamente ao motorista. O passageiro pode pagar em dinheiro, Pix ou cartão, mas o cartão é passado na maquininha do condutor, não em cadastro dentro do aplicativo.
A empresa não arrecada diretamente do passageiro. O motorista recebe o valor integral da viagem e depois repassa ao aplicativo a taxa correspondente, conforme o modelo escolhido.
Esse formato é comum em muitos aplicativos regionais e permite que o motorista tenha o dinheiro da corrida imediatamente.
Taxa de 15% ou mensalidade de R$ 150
O CarVip possui dois modelos de cobrança para motoristas. O primeiro é a taxa de 15% sobre as corridas. Nesse formato, o motorista precisa ter créditos no aplicativo para receber chamadas. Ele faz um Pix para o CNPJ da empresa, envia o comprovante para Enio e recebe os créditos manualmente.
Se o motorista está sem crédito, a chamada toca, mas aparece uma mensagem informando que ele não pode realizar a corrida por falta de saldo.
O segundo modelo é a mensalidade de R$ 150. Ele foi criado antes de grandes plataformas começarem a testar modelos de pagamento antecipado. Nesse formato, o motorista paga R$ 150 no início do mês e fica com tudo o que fizer no restante do período.
Há uma condição: para ser mensalista, o motorista precisa ser exclusivo do CarVip e não rodar na concorrência.
“O motorista que fatura acima de R$ 1 mil e entra para a mensalidade já está na vantagem. Se ele fatura R$ 1 mil, 15% dá R$ 150. O que passar disso é lucro”, explica.
Quem não quiser exclusividade pode continuar pagando 15% e rodar em qualquer plataforma.
Taxímetro ajuda motoristas com clientes particulares
O CarVip também oferece uma ferramenta de taxímetro dentro do aplicativo. Ela permite que o motorista inicie uma corrida sem disparo tradicional, especialmente quando atende passageiro na rua ou cliente particular.
O sistema calcula a viagem com os mesmos critérios do aplicativo. Segundo Enio, há motoristas mensalistas que rodam mais pelo taxímetro do que pelas chamadas disparadas pela plataforma.
Esse recurso ajuda a trazer corridas particulares para dentro do sistema, mantendo cálculo padronizado e maior controle da operação.
Aplicativo movimenta R$ 20 mil por mês e chega a R$ 40 mil em períodos fortes
Em meses normais, o CarVip movimenta em torno de R$ 20 mil em corridas. Em períodos de maior movimento, como dezembro e festas, o valor pode chegar perto de R$ 40 mil.
A empresa ainda não definiu uma meta formal de faturamento para 2026, especialmente porque o ano foi marcado pela chegada da 99 e pela necessidade de adaptação à nova concorrência.
Para os próximos anos, Enio pretende estruturar melhor a operação, abrir escritório, criar serviços de apoio ao motorista e planejar metas mais claras.
Cashback, indicação e cupons para passageiros
O CarVip trabalha com ferramentas de incentivo ao passageiro. Uma delas é o cashback: em cada viagem, o passageiro recebe 2% de volta. O valor acumula na conta e pode ser usado a partir de R$ 1, com limite de R$ 15 por corrida.
A plataforma também tem programa de indicação. Quando um passageiro indica outro, o novo usuário ganha R$ 5 de cashback na primeira viagem e quem indicou recebe R$ 2 após a corrida ser realizada.
No São João, o CarVip lançou o cupom “São João CarVip”, com 10% de desconto. A promoção teve limite de 200 cupons, mas cada passageiro podia usar o código mais de uma vez até o limite total da campanha.
Peças, oficina e proteção veicular
Além da operação de corridas, o CarVip começou a desenvolver serviços de apoio aos motoristas. A plataforma já compra peças diretamente de distribuidoras, evitando que os condutores paguem valores muito mais altos em lojas de autopeças.
Enio afirma que já viu peças custarem R$ 700 em lojas e serem compradas por R$ 150 direto com distribuidor. Essa diferença motivou a criação de um projeto de oficina própria.
A ideia é abrir um escritório que também tenha uma oficina para manutenção dos veículos parceiros. Outro plano é criar uma proteção veicular própria para motoristas do CarVip, taxistas, alternativos e particulares da região.
Hoje, a empresa já tem parcerias com seguradora e rastreador. No caso do rastreador, Enio e a empresa parceira pagam a instalação, enquanto o motorista arca apenas com a mensalidade.
Expansão ainda é planejada com cautela
O CarVip tem planos de expandir para outras regiões, mas Enio afirma que esse movimento precisa ser feito com cautela. Há cidades próximas onde ele tem amizade com gestores de outros aplicativos regionais, o que faz com que evite entrar em disputa direta por enquanto.
Ele cita o exemplo de Guarabira, onde já existem aplicativos regionais há anos. Segundo Enio, esses aplicativos sentiram mais a chegada da 99 porque já disputavam entre si por preço e motoristas, em vez de se fortalecerem juntos.
“Quando a 99 chegou, jogou em cima da fraqueza deles”, avalia.
Para Enio, a expansão do CarVip depende principalmente de custo e marketing, que encarecem o processo. Ainda assim, está dentro dos planos da empresa.
Aplicativos regionais ainda têm espaço
Na visão de Enio, os aplicativos regionais têm um futuro promissor, principalmente em cidades pequenas e médias. Ele acredita que a dinâmica do interior é diferente da realidade das grandes metrópoles.
Ao mesmo tempo, demonstra preocupação com o avanço da tecnologia, especialmente carros autônomos. Para grandes cidades, vê esse movimento como algo mais próximo e capaz de tirar o trabalho de muitos motoristas. No interior, acredita que a transição será mais lenta.
“Para o meu caso específico, acho que esse ramo ainda leva um tempo. Ainda temos muito tempo para faturar com ele”, afirma.
Relação humana como diferencial contra Uber e 99
Para Enio, o principal diferencial dos aplicativos regionais frente às grandes plataformas é a relação humana. Ele conhece os motoristas, os passageiros, as famílias e as histórias de cada um.
Essa proximidade permite resolver problemas de forma mais direta. Em um caso recente, um passageiro passou mal e acabou sujando o banco do carro de um motorista. Enio orientou o motorista a deixar o passageiro em casa e pagar a lavagem do banco, dividindo o prejuízo para que ninguém ficasse desamparado.
“A Uber não sabe quem é o José, não sabe quem é Antônio. A 99 também não. Eu sei. Eu sei onde ele mora, conheço a filha, o filho, a mulher”, afirma.
Ele também lembra que alguns passageiros chegaram a ligar para justificar que estavam usando a 99 porque tinham corridas gratuitas, mas que voltariam ao CarVip depois. Para Enio, esse tipo de relação mostra a força da marca local.
Legado: a primeira empresa de transporte de Sapé
Ao falar sobre legado, Enio afirma que acredita já ter deixado uma marca na cidade. Em uma conversa com amigos, ouviu que já havia entrado para a história de Sapé por ter criado a primeira empresa de transporte por aplicativo do município.
“Um amigo disse: ‘Você foi o cara que trouxe a primeira empresa de transporte da cidade. Quando forem contar a história de Sapé, você não pode mais estar fora’”, relembra.
Para ele, o CarVip nasceu não apenas como negócio, mas como uma solução de mobilidade para uma cidade que não tinha transporte público estruturado. O objetivo sempre foi criar uma fonte de renda, mas também gerar bem-estar coletivo.
“Não foi pensando só como empresário para ganhar dinheiro. Foi pensando no geral, em ter algo para sobreviver financeiramente, mas também pensando num bem-estar coletivo”, afirma.
Hoje, Enio se orgulha de ter construído um projeto que gera renda, atende passageiros, transporta pacientes e fortalece a mobilidade de uma região que antes tinha poucas alternativas.

