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Mesmo com aplicativo local que paga mais, 99 domina a preferência em Varginha

Ônibus pontuais, tarifas baratas da 99 e falta de união entre motoristas explicam o cenário dos aplicativos.

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Reportagem
Apuração aprofundada sobre um tema específico, com múltiplas fontes e contextualização completa.
Vista aérea de uma praça central em uma cidade, com prédios altos, uma torre com antena e uma estrutura circular moderna no primeiro plano.
Foto: Reprodução/ Internet

Varginha (MG), terceira maior cidade do Sul de Minas Gerais, com cerca de 142 mil habitantes, é conhecida nacionalmente pelo caso do ET de 1996, mas também se destaca como uma das maiores exportadoras de café do país e por ser banhada pelo Lago de Furnas, o “Mar de Minas”. No cotidiano urbano, porém, outro movimento chama atenção: o mercado de transporte por aplicativo.

Com a presença das multinacionais Uber e 99, além de plataformas regionais, o serviço se consolidou como uma opção prática para os moradores. No entanto, o transporte público é bastante utilizado e funciona de maneira satisfatória, fazendo com que os aplicativos não sejam imprescindíveis para a mobilidade. Nesse cenário, o uso dos apps aparece mais ligado à comodidade do que à necessidade.

Entre os relatos, um ponto se repete: as corridas seguem baratas, o que é bom para o usuário, mas traz prejuízo ao condutor. A equipe do 55content ouviu motoristas e passageiros para entender essa dinâmica. 

Transporte público segue como alternativa eficiente, mas limita a flexibilidade dos moradores

Apesar da praticidade e do preço acessível dos aplicativos de transporte, muitos moradores de Varginha ainda preferem recorrer ao transporte público. A avaliação é de que o sistema de ônibus, mesmo operando com horários limitados, é relativamente eficiente e pontual.

Segundo os usuários, a principal dificuldade é que as linhas circulam apenas de hora em hora, o que obriga a população a moldar sua rotina em função dos coletivos. “Se eu perder o ônibus das 6h da manhã, só vou ter outro às 7h. Aí entro atrasado no trabalho”, contou Gabriel Claudino, que todos os dias precisa acordar às 5h para não perder o primeiro ônibus do dia que o leva ao trabalho.

O estudante explicou ainda como funciona o sistema tarifário na cidade. “A passagem é R$ 5 para todo mundo. Só estudantes e idosos não pagam, com a carteirinha. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou no cartão, que a gente recarrega na rodoviária ou em alguns pontos no centro”, disse.

Segundo Gabriel, os ônibus saem da garagem por volta de 5h30 e começam a circular às 6h da manhã e funcionam até a meia-noite. “Normalmente eu pego o das 6h, na verdade 6h10 para ser mais específico. Quando atrasa, chega no máximo 6h15. Na volta, sempre pego o das 17h17. Só quando preciso sair mais cedo é que recorro ao aplicativo, porque tenho mais controle dos horários.”

Esse limite nos horários é apontado também pelos motoristas de aplicativo, que veem nos períodos noturnos uma demanda mais constante. “Se a pessoa precisa sair de madrugada, tem que ser o aplicativo ou carro próprio. Ou até a pé”, afirma Silvio Cesar dos Santos.

Os principais aplicativos de transporte da cidade são Uber, 99 e Metamov. A 99 é a mais usada pelos passageiros por ter preços mais acessíveis e também é onde os motoristas mais trabalham, já que oferece maior número de corridas. Enquanto o Metamov, que é da própria cidade, paga melhor aos motoristas, mas tem menos demanda.

Como a falta de união entre motoristas mantém as corridas baratas em Varginha?

Se há um ponto em que os motoristas concordam é que o problema da categoria em Varginha é a falta de união entre os condutores e a dificuldade de valorizar o próprio trabalho. Eles relatam que a aceitação de corridas muito baratas e a falta de diálogo entre os profissionais enfraquecem os aplicativos que pagam melhor, além de impedir avanços coletivos.

“Um novo aplicativo só seria interessante se existisse união dos motoristas na cidade. E não existe”, afirma Júlio César.

Silvio foi ainda mais direto: “Se ninguém trabalhasse com os outros aplicativos, um aplicativo da própria cidade seria interessante para todos os motoristas, mas como Varginha não existe união, isso é praticamente impossível.”

Ele lembrou que no início a união era possível e trouxe resultados. “Antes era só Uber aqui, aí a 99 chegou e num estalar de dedos a gente tirou a Uber daqui, porque era bem menos motorista, mas tinha união. Hoje, você pode oferecer taxa zero, dar almoço e janta para o cara, mas tem motorista que fala: ‘Eu só rodo na 99’. Eu já tentei muitas vezes unir o pessoal, mas foi perda de tempo”, conta.

Para ele, a solução não viria de dentro da categoria, mas da regulação externa. “Aqui, não tem jeito. O único jeito é a prefeitura ser firme no que ela quer, botar uma lei, regulamentação, dificultar. Porque tem muito carro de fora, motorista que não podia estar trabalhando e roda aqui”, afirma. Ele conta ainda que muitos aplicativos chegaram na cidade com boas propostas, mas não foram para frente porque os motoristas “não sabem trabalhar”.

Marcos Vinicius concorda e acrescenta: “Os motoristas são desunidos, eles não conversam entre si. Eu sempre falo para valorizarem o app da cidade, mas eles reclamam. Se eles não rodam, não tem como o app melhorar”. Segundo ele, enquanto a 99 chama 12, 13 corridas, o Meta chama duas, mas vale a pena. A corrida que a 99 paga R$ 7, o Meta paga R$ 12. “A diferença é grande, mas os motoristas não ajudam em nada”, pontua.

Ganhos que não compensam: a matemática desfavorável das corridas baratas

Silvio relata que muitos motoristas não valorizam aplicativos que oferecem melhores condições. “Tinha um aplicativo de Três Corações (MG) que pagava corrida mínima de R$ 10 para o motorista, sem taxa, só com uma mensalidade. Mesmo assim o motorista abandonou e foi para a 99. Isso porque não sabe fazer conta. O lema na cidade é: trabalhar, ganhar dinheiro é secundário”, diz.

Ele afirma já ter presenciado parceiros pedindo ao dono do app para baixar o preço para tocar mais corridas. “Parece que querem trabalhar, mas não querem ganhar”, declara.

Na avaliação de Silvio, a responsabilidade maior está nas mãos dos próprios trabalhadores. “Quem faz qualquer aplicativo é o motorista. Não é promoção, não é taxa baixa, nada disso. Se tivesse a união do começo, a gente poderia chegar no dono do aplicativo e negociar. Mas não tem união. Aqui não tem solução, a não ser que a prefeitura bote uma regulamentação ferrenha”, garante.

Marcos acrescenta que até mesmo benefícios oferecidos por alguns aplicativos passam despercebidos por muitos colegas: “Olha bem para você ver, o motorista do Uber é tão atrapalhado que muitos deles colocam o emblema do Meta, mas não rodam pelo Meta. Só colocam porque, além de tudo, eles têm parceria com o posto de gasolina e dão desconto no combustível para a gente”.

Ele afirma que só o fato de andar com o carro identificado como motorista do Metamov já é possível conseguir o desconto. Mas existem aqueles que abastecem com desconto do Meta para andar na 99.

“Por exemplo, o álcool, que eu uso mais, está a R$ 4,09. Aí eu vou lá e pago R$ 3,99 com desconto do Meta. A pessoa pode achar que é pouco, mas pra gente que enche o tanque é muito. No final dá uma diferença grande. Então, o mal dos motoristas aqui é isso: eles não entendem esse tipo de coisa”, destaca Marcos.

Passageiros se acostumaram a pagar barato, e motoristas dizem que não compensa

O valor baixo das corridas é uma questão para os motoristas em Varginha. “A corrida mínima da 99 é R$ 5,80. Ontem mesmo me ofereceram uma de R$ 4,70 para levar do meu bairro até o centro. Isso é corrida de moto, não de carro. É bom para o cliente e para a 99, mas para nós motoristas é horrível”, criticou Marcos Vinicius.

Ele destaca ainda que, em algumas viagens, o passageiro paga caro, mas o valor que o motorista recebe não condiz. “Levei do parque de exposições daqui até o outro lado da cidade, são quase 8 km. O passageiro pagou R$ 32,70, que é um preço bom, mas para mim caiu só R$ 19,75”, declara.

Já para Silvio, os valores baixos ajudaram a criar um costume entre os passageiros, que comparam o aplicativo com o transporte público. “O cara paga R$ 10 no Uber para levar a família inteira, quando de ônibus gastaria R$ 40. E ainda para na porta e na hora que quiser. Por isso, quando você cobra R$ 20, ele acha caro, mesmo sendo metade do que gastaria no coletivo. O problema é que já acostumaram a pagar barato”, explicou.

Corridas baratas não cobrem custos e deixam motoristas no prejuízo

A falta de cálculo financeiro faz com que muitos motoristas aceitem corridas baratas, o que compromete a renda no fim do mês. Na prática, eles relatam que os custos de combustível, manutenção e desgaste do carro superam o que se ganha nas plataformas. Afirmam que as vezes parece que estão “pagando para trabalhar”.

Marcos explica que muitas vezes os colegas não percebem que estão rodando no prejuízo. Ele cita como exemplo o preço pago por quilômetro, tendo como base o custo que ele tem com abastecimento no álcool a R$ 3,99: “Você pega uma corrida a R$ 1,23 o km, que é o que a 99 paga. Anda 5 km, gasta meio litro de combustível, quase R$ 2. Da corrida de R$ 5,90, o que sobra depois de combustível, pneu, óleo e seu trabalho? Quase nada. Os motoristas não fazem essa conta”, critica.

Segundo ele, mesmo quando faturam valores aparentemente altos, os custos corroem o resultado. “Tem motorista que fala: ‘Faturei R$ 4.700’. Tá bom, mas põe os gastos no papel.”

Silvio reforça que o problema não é novo. “Há muito tempo os ganhos não são suficientes. No começo até dava dinheiro, mas hoje eu não sei como alguém que paga aluguel de carro consegue sobreviver. O cara já começa a semana devendo R$ 600, R$ 700. Aí roda igual louco de 5 da manhã até 11 da noite em corrida barata. Se tirar R$ 200 de lucro na semana, já tem que agradecer.”

Ele lembra que até as corridas mínimas da 99 não se pagam. “Você ganha R$ 5,80, mas tem que rodar quase 6 km para isso. Aí dizem: ‘Ah, mas um litro de gasolina faz 11 km’. Só que não é só gasolina: tem óleo, pneu, freio e o desgaste do carro, que o passageiro não cuida. No fim, não compensa.”

Promoções atraem passageiros, mas deixam o prejuízo para os motoristas

As promoções oferecidas pelo app são vantajosas para os passageiros que buscam o preço mais acessível, mas alguém precisa arcar com a diferença e Marcos afirma que são os próprios motoristas que saem no prejuízo.

“A 99 dá muita promoção para o usuário, o que é ótimo. Só que eles são tão sem vergonha que descontam isso da gente. Fiz uma corrida de R$ 15,78 e deram um desconto de R$ 1,80 para o cliente. No fim, para mim caiu só R$ 14,08”, afirma.

Gabriel Claudino é passageiro e afirma gostar da 99 pelas promoções oferecidas: Fui fazer uma corrida da minha casa até o centro que custaria R$ 9. Com o desconto, paguei apenas R$ 2. Foram R$ 7 de desconto em uma corrida de R$ 9.”

Preço baixo divide opiniões: motoristas criticam colegas que aceitam e passageiros relatam dificuldade em conseguir carro

Apesar das reclamações de que motoristas aceitam corridas muito baratas, os passageiros reconhecem que as promoções tornam o serviço mais acessível. No entanto, justamente por isso, muitas vezes é difícil encontrar quem aceite determinadas viagens.

Gabriel Claudino contou que passou por essa situação recentemente. “Tive dificuldade de encontrar carro ou moto em um dia que precisava ir na casa de um amigo, a 10 km da minha casa. Devido ao valor extremamente acessível ficou difícil encontrar motorista, porque não compensa para eles aceitarem uma corrida tão longa por um valor tão baixo”, relata.

Ele disse que acabou desistindo do aplicativo naquele dia: “Isso aconteceu no final do mês passado. O preço era baixo demais e a distância longa, então os motoristas não aceitaram. É compreensível o lado deles, então eu tive que recorrer a um amigo que ia para o mesmo compromisso e me deu carona.”

A estudante Giovana Vincent também reconhece essa dificuldade. Segundo ela, fatores como preço e agilidade na resposta influenciam na escolha do aplicativo. “O que faria eu mudar de aplicativo seria o valor e, às vezes, a resposta mais rápida dos motoristas”, afirma.

Ela acrescenta que os momentos mais críticos costumam ser os horários de pico. “Quando eu tenho mais dificuldade de encontrar moto no aplicativo acaba sendo nesses horários, porque a demanda é muito grande. Aí fica mais difícil conseguir algum motorista disponível”, explica.

O problema da Uber em Varginha: aceitar corrida sem saber o valor final

Segundo o relato de Marcos, existe dificuldade em trabalhar pela Uber na região porque a plataforma não informa o valor da corrida antes da aceitação. Ele conta que isso acaba prejudicando os motoristas, que só descobrem quanto vão receber depois de finalizar a viagem.

“A Uber é muito boa, com toda seriedade. Só que aqui na minha cidade ela começou com um problema: para ajudar os passageiros e tirar o foco da 99, acabou ferrando com os motoristas. Não mostra o valor da viagem. A gente aceita no escuro”, afirma Marcos. Um dia saí de Varginha e fui até uma cidade próxima, uma corrida que normalmente é R$ 60 me pagaram R$ 13. Foram 43 km de ida e volta por R$ 13”, contou.

Ele afirma que a experiência foi decisiva para abandonar a plataforma. “Depois disso, nunca mais rodei na Uber. Fiquei só na 99 e no Metamov.”

Ausência de locais adequados para parada gera conflitos e insegurança

Silvio César também critica a falta de infraestrutura para os motoristas de aplicativo na cidade. “Até hoje algumas áreas da cidade não tem onde parar. E fora as brigas por causa desses pontos de parada. Fizeram uma obra no centro e não tem onde parar, tem que parar no meio da rua”, reclama.

Ele conta que procurou a prefeitura na época e recebeu orientação do secretário de transporte: “Mandou parar na porta da garagem dos outros. Eu falei: ‘Ué, mas isso aí no Código de Trânsito Brasileiro é passível de multa’.”

Essa falta de organização, afirma o motorista, acaba gerando insegurança tanto para quem trabalha quanto para os passageiros, que muitas vezes enfrentam embarques e desembarques em locais improvisados e pouco seguros.

Aplicativos regionais ainda enfrentam pouca adesão entre os próprios motoristas

Entre os motoristas, há quem questione o funcionamento dos aplicativos regionais em Varginha. Para Silvio, a realidade é marcada por contradições e falta de regras claras.

“É triste demais ver que aqui em Varginha é uma cidade bem maior do que as outras, tem um poder aquisitivo muito maior e você vai nas cidades vizinhas, o 99 nem funciona. É só aplicativo regional. E o valor de corrida é muito maior. Às vezes o cara roda bem menos na cidade menor e ganha mais do que a gente”, afirmou.

Ele critica ainda a falta de organização no acesso dos motoristas às diferentes cidades. “O Metamov funciona só em Três Corações e Varginha, mas o BoraCar tem em Alfenas, Paraguaçu, Três Pontas… Se eu sair daqui para ir trabalhar lá, eu não posso, que eu sou bloqueado. Mas o motorista de lá vem aqui e trabalha aqui. Entendeu? Então ainda tem essa bagunça, que aqui ninguém bloqueia nada. Vem quem quer, faz o que quer, ganha o dinheiro aqui e vai embora.”

Embora reconheça que alguns aplicativos regionais ofereçam melhores valores de corrida, Silvio aponta que a frequência é baixa e que os passageiros acabam se acostumando a pagar mais barato em serviços menos qualificados. “Tem app aqui que paga bem, mas toca pouco, porque o passageiro já acostumou com o motorista que não sabe trabalhar e sabe que vai achar mais barato. A 99 toca mais, por isso compensa. O BoraCar até paga melhor, mas toca pouquíssimo”, explicou.

Na avaliação dele, o Metamov até apresenta boas tarifas em horários específicos, mas não garante volume de corridas suficiente. “De madrugada, por exemplo, ele bota um preço excelente, uma dinâmica lá no alto. Só que chega final de semana ele fica brigando com a 99. E enquanto a 99 toca 30 corridas, o Meta vai tocar duas”, relata.

Motoristas executivos e corridas agendadas ganham espaço

Um segmento que tem crescido na região é o de motoristas executivos e viagens agendadas. Muitos profissionais estão deixando de lado os aplicativos para investir nesse modelo, considerado mais estável e rentável.

Camilo Rosa é um exemplo dessa mudança. Após perceber que rodar pelos aplicativos não estava mais sendo satisfatório, ele abandonou e passou a fazer viagens agendadas para outras cidades, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e cidades vizinhas. Hoje, fatura entre R$ 12 mil e R$ 16 mil por mês. “Pra mim esse modelo é mais vantajoso, eu mudei pelos preços das viagens e também pela disponibilidade. As viagens que eu faço são quase todas agendadas”, explicou.

Silvio Cesar também tem reduzido a frequência nos aplicativos, adquiriu uma van para trabalhar como motorista executivo no transporte de funcionários de empresas. “Hoje eu comprei uma van, faço fretamento de empresa”, conta.

Silvio afirma que parou de rodar diariamente nos aplicativos há cerca de dois meses e agora mantém uma rotina fixa de horários, transportando funcionários em diferentes turnos. “Atualmente eu faço um trajeto às 6h30, outro às 13h15, depois às 15h, às 18h e, por fim, às 23h. São seis viagens fixas por dia, fora os extras”, relatou. Segundo ele, os aplicativos só têm compensado em dias de festa ou eventos na cidade, quando a demanda é maior.

Regulamentação existe, mas sem fiscalização motoristas dizem que fica só no papel

A Prefeitura de Varginha regulamentou, por meio da lei ordinária nº 6773, de 22 de dezembro de 2020, o funcionamento dos aplicativos de transporte individual remunerado na cidade. Embora a lei esteja em vigor e determine critérios rígidos, na prática o resultado não é satisfatório. De acordo com os próprios motoristas, tal regulamentação “está só no papel”. Segundo Silvio, a ausência de fiscalização da prefeitura tem permitido a atuação de plataformas sem critérios claros de segurança.

Ele questiona, por exemplo, a exigência de residência na cidade. “Eu não sou daqui, eu sou do Rio de Janeiro. Meu título de eleitor estava cancelado porque eu não estava votando em ninguém”, conta. Com a regulamentação, ele foi obrigado a transferir a documentação para Varginha para que pudesse continuar trabalhando com os aplicativos. “Exigiram que o motorista tivesse título em Varginha para poder trabalhar aqui. A justificativa era de que o motorista não podia vir de fora, ganhar o dinheiro aqui e gastar na cidade dele”, ressalta Silvio.

Ele lembra que, à primeira vista, a medida parecia positiva: “Eu falei: ‘Bacana, vai acabar a bagunça’. Mas não acabou nada”, critica. Ele afirma ter reativado e transferido seu título eleitoral, cumprindo todas as exigências, mas segundo ele, não serviu de nada.

Silvio destaca também que os aplicativos exigem carros com até 10 anos de uso, além da obrigatoriedade do EAR (Exerce Atividade Remunerada), que envolve teste psicotécnico do Detran. De acordo com ele, o aplicativo da cidade não adota esses mesmos cuidados. “Esse Metamov bagunçou tudo, botou carro mais velho, motorista sem EAR, motorista ainda com permissão para dirigir e tá trabalhando. Não checa antecedente criminal”, afirma.

Lei municipal traz regras rígidas para apps de transporte

A lei nº 6.773/2020 estabelece que o serviço só pode ser realizado por empresas credenciadas e que a autorização para utilização do sistema viário será concedida pelo Departamento Municipal de Trânsito (DEMUTRAN).

Entre as exigências para os motoristas estão: possuir CNH com atividade remunerada, residir em Varginha, ter veículo emplacado na cidade com até dez anos de fabricação e apresentar seguro contra acidentes de passageiros. A lei também determina que o trabalho seja feito exclusivamente via aplicativo, sendo vedado “o aliciamento de passageiro, por meio direto ou indireto, em área pública ou privada”.

As operadoras de aplicativos, chamadas de OTTs, devem recolher impostos e um preço pelo uso das vias públicas, além de garantir transparência ao passageiro, disponibilizando previamente o valor a ser cobrado, a identificação do motorista com foto, a marca e o modelo do veículo e o número da placa de identificação.

O descumprimento das regras pode resultar em advertência, multa, suspensão por até 60 dias ou até mesmo cassação da autorização, sendo que quem operar sem credenciamento será enquadrado como transporte ilegal.

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