Uber lança opção de carros autônomos e passageiro não poderá escolher se quer um carro com motorista ou sem motorista

Sai muito mais barato para a Uber continuar pagando pouco para o motorista, do que pagar os custos de um carro autônomo.

Homem de barba e cabelo escuro, vestindo uma camisa polo vermelha, olhando diretamente para a câmera com expressão neutra. Ao fundo, parede cinza e prateleira com objetos decorativos.
Foto Daniel Piccinato para 55content (2)

Fim dos motoristas por aplicativo? A Uber inaugura serviço de carros autônomos nos Estados Unidos. Mas será que isso chega ao Brasil? Vamos entender melhor essa história.

Bom, galera, quem já viu na internet veículos autônomos? Vira e mexe aparece na internet, no YouTube, no Instagram, pessoas tanto nos Estados Unidos quanto na China solicitando carros por aplicativo, e aí chega aquele carro sem motorista nenhum. Você já viu algum vídeo desse tipo?

Pois é, agora a Uber buscou uma parceria com uma dessas empresas e os testes vão começar na cidade de Austin, no Texas. O serviço será realizado através do veículo Jaguar, que é um carro 100% elétrico e autônomo, operado pela empresa Waymo. A Waymo faz parte do grupo Alphabet, cujo principal acionista é nada mais, nada menos do que o Google, um gigante da tecnologia.

Como eu falei, é uma fase de testes em Austin, no Texas. O passageiro poderá solicitar uma corrida pelo aplicativo da Uber na categoria X ou na categoria Uber Green, que é a categoria de carros elétricos. Nesse momento, ao solicitar, pode ser que esse carro autônomo venha buscar o passageiro. O passageiro não poderá escolher se quer um carro com motorista ou sem motorista.

E se isso vier para o Brasil, será que o pessoal vai se sentir confiante em andar num carro sem nenhum motorista? Lembrando que aqui no Brasil temos um problema muito sério de infraestrutura. Existem lugares no Brasil que nem sequer têm asfalto. Pois é. Mas, e aí? Com trânsito cheio de buracos, mal sinalizado, cheio de imprevistos… Será que um carro sem motorista daria certo aqui no Brasil?

Outro ponto para se pensar: e o custo? Um Jaguar elétrico não é nada barato. Já pensou em substituir toda uma frota? A Uber teria que gastar bilhões. Mas calma, pessoal, por enquanto esse serviço não tem previsão de expansão. Está sendo testado apenas em algumas regiões específicas.

Além disso, nem todo mundo confia em um carro 100% autônomo. Já parou pra pensar? Tem gente que vai preferir andar com motorista de aplicativo, assim como tem gente que prefere andar de táxi. Eu, na minha opinião, acho que nem todo mundo vai ter coragem de andar num carro sem motorista.

O mais provável é que haja uma divisão: parte das corridas feitas por motoristas de aplicativo e parte por carros autônomos. E tem outro detalhe importantíssimo: um Jaguar elétrico não é nada barato, como já falei. Pare para pensar: substituir toda a frota exigiria um investimento gigantesco da Uber, bilhões e bilhões.

É claro que existem empresas poderosas — como eu disse, essa própria empresa ligada ao Google — que têm muito dinheiro, e a gente sabe disso. Mas, no final das contas, sai muito mais barato para a empresa continuar pagando pouco para o motorista, que assume todos os custos com carro, manutenção, combustível, enquanto a Uber apenas fica com a porcentagem dela. Que, aliás, não podemos dizer que é “apenas”, porque às vezes chega a 50% de uma corrida.

Ou seja, é mais barato para a empresa continuar explorando o motorista de aplicativo, que entra com todo o investimento, do que ter que gastar bilhões para colocar uma frota de carros autônomos e ainda correr o risco de acontecer algum acidente. Mesmo assim, eles continuam testando. Será que esse modelo realmente vai vingar? O que vocês pensam sobre isso?

Eu vou dar a minha opinião. Eu penso o seguinte: não é apenas o transporte de passageiros que interessa à Uber, ao Google, ou às empresas que operam com carros autônomos. Há muito mais por trás disso. Existe ali a inteligência artificial. Eles querem ganhar dinheiro com muito mais coisas.

O que vale muito é a informação. É o algoritmo aprendendo e estudando para vender informações para montadoras, para empresas, para muita gente. Eles vão lucrar muito dinheiro com esses estudos que estão fazendo. Então, se você acha que eles estão interessados apenas em substituir o motorista de aplicativo, pode ter certeza de que não. O que eles querem é ganhar muito mais com os dados coletados através das corridas.

E, sinceramente, falando sobre o Brasil, eu não acredito que isso chegue tão cedo, tá? Embora, quem diria um dia que, ao apertar um botão, um carro iria parar na porta da sua casa? Se eu falasse isso há 20 anos para você: “Você acredita que um dia vai apertar um botão e um carro particular vai parar na porta da sua casa?” Você provavelmente não acreditaria. Aconteceu. Isso realmente virou realidade.

Agora, de fato, eu acho que ainda vai demorar um tempo para isso acontecer por aqui. Talvez sejam necessárias muitas regulamentações pelo mundo. Pode haver intervenção do Estado sobre essas questões, porque estamos falando de vidas, e o carro autônomo já provou que, em alguns casos, houve acidentes. Esses veículos, especificamente, operam em uma região muito pequena. Então, acredito que, se isso vier para o Brasil um dia, será restrito a regiões pequenas, mais elitizadas.

Não acredito que isso chegue tão cedo. Mas nós sempre ficamos apreensivos e com um pouco de medo, né? Porque a máquina pode substituir o ser humano. É isso que a gente para pra pensar, né? Vendo matérias como essa e vendo com os próprios olhos que, sim, os carros já estão dirigindo sem pessoas, a gente começa a refletir: quando será que vamos ser substituídos pela máquina?

Deixe seu comentário, tamo junto e até o próximo artigo. Valeu, tchau!

Foto de Daniel Piccinato
Daniel Piccinato

Daniel começou a trabalhar como motorista de aplicativos em 2016, buscando maior estabilidade após sentir insegurança na empresa onde estava. Inspirado por conversas com o filho do dono, ele logo se uniu a outros motoristas em um grupo de WhatsApp, onde trocava dicas para melhorar seu desempenho. Em 2018, criou um canal no YouTube para compartilhar orientações sobre horários e estratégias de trabalho. Com o sucesso, expandiu para o Instagram em 2020, continuando a ajudar motoristas ao compartilhar sua experiência.

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