Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do 55content
O que é que os entregadores têm que falta aos motoristas?
Por que eles conseguiram, durante dois dias, paralisar a operação do iFood no Brasil, e os motoristas não conseguem uma paralisação nem de meio turno? Até hoje, nenhuma das paralisações organizadas pelos motoristas teve o peso daquela que os entregadores fizeram nos dias 31 de março e 1º de abril.
Não é de hoje, nem de ontem, que se notam grandes diferenças no dia a dia entre os entregadores e os motoristas. Veja, por exemplo, a solidariedade que os “motocas” têm quando veem um parceiro parado, com pneu furado ou com um problema mecânico. É muito comum vermos motociclistas empurrando a moto de outro. Aquele que está com tração encosta o pé na que não consegue se mover para ajudar o parceiro a chegar a um lugar seguro ou onde possa consertar a moto.
Veja também a solidariedade demonstrada quando ocorre um acidente ou algum problema com um dos entregadores — ou até mesmo com o pessoal da Moto Uber, Moto 99. Porque estamos falando de uma paralisação que aconteceu entre os entregadores, mas esse comportamento solidário, essa unidade, se vê em todos os motociclistas por aplicativo, sejam os de delivery, sejam os que transportam pessoas.
Mas analise comigo: assim como nós, motoristas, eles também não têm uma organização institucional por trás — entenda-se, sindicatos. Até existem alguns, mas nem de longe têm aquele poder de mobilização que, por exemplo, vemos entre bancários, rodoviários ou qualquer outra categoria com vínculo celetista, bem diferente de nós, que somos autônomos.
Portanto, se não há uma instituição coordenadora por trás, o que é que faz os motocas tão diferentes dos motoristas? Você tem uma opinião a respeito? Por favor, compartilhe nos comentários logo abaixo. Vai que essa sua opinião seja justamente aquela que ajude não só o Claudião, mas todos os demais a enxergarem uma luz no fim do túnel desse abismo que separa os motocas dos motoristas.
A verdade é que nós, motoristas, tomamos uma aula, uma lição de moral.
Os motoentregadores disseram: “Vamos parar em todo o Brasil durante dois dias.”
Não foram duas horas, não foi meio período, não foi um dia. Foram dois dias — e eles pararam.
Os restaurantes, através da ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), admitiram que o prejuízo daqueles que dependem do delivery foi de 100%.
E os restaurantes que conseguiram fazer entregas foram aqueles que contrataram diretamente os entregadores ou que recorreram a empresas de delivery de menor porte, as regionais.
Mas a lição que fica é que os entregadores, os Moto Uber, têm uma força, uma unidade, que infelizmente nós, motoristas, ainda não conseguimos ver.
Um forte abraço e até o nosso próximo encontro.