“Começamos com 400 corridas mensais pelo WhatsApp  e hoje ultrapassa 6 mil — chegando a 7 mil por cidade”, diz gestor do Rota 77

“Nas corridas pelo WhatsApp, a tarifa é ajustada: prática para emergências, sem competir com o preço do app”, diz gestor de app regional. 

"Fotos de Fábio Luís Schallenberger, CEO da IACONNECT SOLUÇÕES, e Carlos Henrique de Araújo, CEO do Rota77, em card de divulgação."
Foto: Acervo 55content

No cenário competitivo da mobilidade urbana no Brasil, dois nomes têm se destacado por abordagens diferentes: Carlos Henrique Araújo, CEO do Rota77, e Fábio Luís Schallenberger, CEO do IAGo Bot. Ambos participaram do evento online do 55content Premium “Como usar o WhatsApp para fazer mais corridas em 2025” no dia 16 de janeiro, onde compartilharam suas estratégias para aumentar a eficiência dos aplicativos e a satisfação de motoristas e passageiros.

Rota77: proximidade com motoristas e gestão ativa

Carlos Henrique Araújo contou como sua trajetória como motorista de aplicativo foi fundamental para a criação do Rota77, hoje presente em 40 cidades. Diferente de muitas plataformas que operam por meio de franquias, ele adotou uma gestão direta, com forte presença local. O modelo dispensa intermediários: o próprio CEO acompanha de perto a operação em cada cidade.

Segundo Carlos, essa proximidade faz a diferença. Ele participa ativamente dos grupos de WhatsApp com motoristas e mantém diálogo constante com os gestores regionais. Além disso, promove reuniões presenciais e confraternizações periódicas, nas quais ouve diretamente as demandas dos condutores.

“A metodologia do Rota não é vender franquias. Onde o Rota está, eu estou junto. Faço questão de ouvir e dialogar constantemente com os motoristas, algo que os grandes aplicativos deixaram de fazer”, destacou.

Carlos também relatou os desafios enfrentados pelo crescimento acelerado da empresa, como tentativas de descredibilização por parte da concorrência e até rumores maliciosos envolvendo o nome do aplicativo. Apesar disso, afirma que a dedicação ao atendimento direto e transparente mantém a operação sólida.

IAGo Bot: tecnologia humanizada para ampliar o público

Já Fábio Luís Schallenberger compartilhou como sua formação em administração e gestão de pessoas foi essencial para criar o IAGo Bot, solução que vem transformando o atendimento via WhatsApp para aplicativos de transporte.

A ideia surgiu para resolver um problema recorrente: muitos passageiros não têm familiaridade com aplicativos ou preferem solicitar corridas via canais mais simples, como o WhatsApp. Além disso, gestores de apps locais sofriam com a sobrecarga de atender manualmente essas demandas.

Foi então que Fábio estruturou um sistema automatizado para integrar o atendimento pelo WhatsApp de forma eficiente, sem perder a humanização do contato. O projeto piloto deu tão certo que, em menos de um mês, mais de 20 clientes já estavam utilizando a ferramenta. Hoje, o IAGo Bot evoluiu para um sistema robusto, com uso de inteligência artificial, permitindo que os aplicativos regionais ampliem sua base de usuários e gerem mais corridas.

“Nós identificamos uma dor comum a praticamente todas as operações: o público que prefere chamar corridas por WhatsApp. Com o IAGo Bot, ajudamos a resolver isso, facilitando a vida do passageiro e garantindo que o motorista tenha mais chamadas ao longo do dia”, explicou Fábio.

Convergência entre tecnologia e atendimento personalizado

Ambos os CEOs reforçaram que, para se destacar no mercado de mobilidade urbana em 2025, não basta apenas oferecer tecnologia; é preciso focar em proximidade, diálogo e estratégias adaptadas à realidade local. O uso inteligente de ferramentas como WhatsApp e o comprometimento direto com os motoristas foram apontados como diferenciais fundamentais para garantir um serviço eficiente e sustentável.

A estratégia do Rota77: WhatsApp como apoio, não substituição

Carlos Henrique, à frente do Rota77, revelou como equilibra o uso do WhatsApp para atrair mais corridas sem desvalorizar o aplicativo. Segundo ele, tudo começou centralizando as ligações dos motoristas para os passageiros em um número único de WhatsApp Business, integrando esse canal ao IAGo Bot.

O cuidado, no entanto, foi manter diferenciação clara entre as solicitações via aplicativo e via WhatsApp. Para evitar que passageiros migrassem exclusivamente para o WhatsApp — o que poderia comprometer o engajamento no app principal —, Carlos adotou uma política de preços diferenciados. Corridas solicitadas pelo WhatsApp têm uma tarifa ligeiramente mais alta, posicionando o canal como uma alternativa prática para situações emergenciais, como falta de internet ou problemas com outros apps.

“A categoria via WhatsApp tem um preço ajustado. O passageiro usa em último caso, quando precisa. Isso ajuda a manter a base do aplicativo forte, enquanto o WhatsApp absorve demandas pontuais”, explicou Carlos.

Com essa estratégia, o Rota77 viu um crescimento expressivo: das 400 corridas mensais no WhatsApp no início, hoje a operação chega a 6.000 ou até 7.000 corridas por cidade, sem perder relevância no app principal. Outro benefício destacado foi a redução de custos com atendimento humano: antes, a empresa mantinha 10 atendentes para chamadas; com a automatização do IAGo Bot, esse número caiu para dois.

O perfil do passageiro: por que diversificar os canais?

Fábio Luís Schallenberger complementou a visão trazendo uma análise baseada em dados coletados em operações de todo o Brasil. Segundo ele, a população urbana pode ser dividida em três grandes perfis:

  • 30% são usuários fiéis do aplicativo, que preferem a experiência digital completa, simulando preços, comparando opções e buscando o menor custo.
  • 40% não utilizam aplicativos regularmente, mas em situações específicas — como emergências ou falta momentânea de acesso ao app — acabam recorrendo a canais alternativos como o WhatsApp.
  • 30% têm resistência ou dificuldade com tecnologia, preferindo sempre meios mais tradicionais, como telefone ou mensagens pelo WhatsApp.

Fábio ressaltou que o uso do WhatsApp, longe de canibalizar o aplicativo, permite atingir uma parcela significativa da população que não seria alcançada por meios digitais convencionais. “A função do IAGo Bot é justamente facilitar o contato com esse público, sem comprometer a operação principal. O gestor pode, inclusive, precificar a corrida via WhatsApp com uma taxa de conveniência, preservando o equilíbrio entre canais”, pontuou.

Ele também destacou um benefício adicional: como o cadastro do passageiro no WhatsApp é atualizado em tempo real, a comunicação com o motorista tende a ser mais eficiente, evitando problemas comuns no app, como números desatualizados.

Um público diverso, sem idade definida

Segundo Carlos Henrique, o público que utiliza o WhatsApp para chamar corridas é bastante mesclado. Embora haja uma percepção inicial de que usuários mais velhos tendem a preferir o contato direto via mensagens, na prática, o cenário é mais variado. Jovens que não possuem planos de dados robustos também acabam recorrendo ao WhatsApp quando ficam sem internet para acessar o aplicativo principal.

“Muitas vezes, o passageiro já tem o aplicativo instalado, mas está sem conexão ou com problemas no acesso. A alternativa mais rápida acaba sendo o WhatsApp. Não dá para categorizar por idade ou perfil social, é uma solução que serve tanto para quem tem dificuldades tecnológicas quanto para quem busca uma solução emergencial”, explicou Carlos.

Ele também destacou um comportamento interessante: passageiros frequentemente interagem com o chatbot por meio de áudios, acreditando estarem conversando com um atendente humano. Ele prevê que em breve a inteligência artificial poderá interpretar esses áudios, tornando o atendimento ainda mais natural.

Regulamentação e combate às corridas clandestinas

Outro ponto abordado foi o papel do disparo automatizado via WhatsApp no cumprimento das regulamentações municipais e no combate às corridas clandestinas. Carlos esclareceu que, juridicamente, a utilização do IAGo Bot mantém o processo 100% legalizado, uma vez que todas as corridas passam pela plataforma oficial da Machine, integrando o passageiro à base de dados antes da solicitação.

“O que caracteriza a legalidade é que o passageiro precisa estar previamente cadastrado em uma plataforma digital, e a corrida ser intermediada por essa plataforma. Com o IAGo, isso acontece automaticamente. Não há risco de caracterizar transporte clandestino, mesmo em cidades onde a legislação municipal tenta restringir o uso do WhatsApp”, pontuou Carlos, reforçando que essa prática se alinha à Lei Federal 13.640/2018, que regulamenta os aplicativos de transporte em todo o Brasil.

Fábio complementou explicando que a plataforma foi pensada desde o início para atender integralmente as exigências legais. O sistema realiza um cadastro prévio do usuário antes de qualquer corrida, garantindo que todas as informações estejam registradas tanto no painel do IAGo quanto na própria Machine. “Tudo acontece em milésimos de segundo, mas o passageiro só consegue chamar a corrida após o cadastro, o que atende plenamente os requisitos legais”, afirmou.

Ele ainda destacou casos reais em que gestores conseguiram comprovar a legalidade do uso do IAGo Bot em audiências judiciais, mesmo em cidades onde leis locais tentavam restringir chamadas via WhatsApp.

Segurança digital e rastreabilidade

Por fim, Carlos trouxe à tona uma preocupação recorrente: a segurança no uso do WhatsApp para solicitação de corridas. Ele compartilhou um caso vivido por um motorista do Rota77 que foi vítima de assalto após uma corrida solicitada via WhatsApp. Apesar do crime, a polícia conseguiu identificar o autor após meses de investigação, utilizando o IMEI do celular cadastrado no número usado para solicitar a corrida.

“Ao contrário do que muitos pensam, não é porque a solicitação é feita pelo WhatsApp que não há rastreabilidade. Cada número está vinculado a um aparelho, e é possível, com quebra de sigilo judicial, identificar o responsável”, explicou Carlos.

Além disso, ele lembrou que a integração do IAGo Bot com o sistema da Machine registra todos os dados do passageiro, criando uma camada extra de segurança para motoristas e gestores.

Expansão cautelosa e estratégica do Rota77

Carlos Henrique revelou que, embora já atue em diversas cidades, incluindo algumas onde Uber e 99 operam, o objetivo para 2025 é expandir para novas localidades, principalmente em regiões litorâneas e cidades médias com forte presença industrial. Segundo ele, o diferencial competitivo da Rota77 permanece sendo a gestão direta e personalizada, sem o modelo de franquia.

Ele destacou que, apesar de já concorrer com as multinacionais em cidades como Erechim, Concórdia, Carazinho e Passo Fundo, o foco da Rota não está em enfrentar diretamente as gigantes do setor, mas sim em oferecer um serviço mais próximo, adaptado às demandas locais.

“Em muitas dessas cidades, os motoristas acabam não se conectando aos grandes aplicativos, exceto em horários de dinâmica. Nós estamos ali o tempo todo, ouvindo os motoristas, ajustando as estratégias, enquanto as multinacionais ligam e desligam o sistema conforme interesse. Nosso trabalho é constante, quase 24 horas por dia”, afirmou Carlos.

Com a retomada das atividades escolares e o fim do período de férias, ele planeja iniciar operações em pelo menos três ou quatro novas cidades nos próximos meses.

Evolução contínua do IAGo Bot e aposta em inteligência artificial

Fábio Schallenberger, por sua vez, destacou que 2024 foi um ano de consolidação para o IAGo Bot, e que 2025 será dedicado à evolução da plataforma, especialmente no aprimoramento da inteligência artificial. Um dos focos será atender uma demanda recorrente dos usuários: permitir que o chatbot interprete áudios enviados pelos passageiros.

“Hoje, tecnicamente, já temos capacidade para interpretar texto digitado de forma desestruturada, corrigindo erros e complementando informações antes de enviar para o Google Maps e acionar a corrida. A interpretação de áudio é o próximo passo natural, mas exige um tratamento cuidadoso, porque muitas vezes o passageiro envia áudios longos, misturando informações”, explicou Fábio.

Outro ponto de atenção para este ano será o desenvolvimento do sistema de monitoramento e alertas em tempo real, batizado de Thiago. O objetivo é garantir que possíveis problemas no painel do IAGo sejam detectados e solucionados rapidamente, sem a necessidade de grande equipe humana.

Além disso, Fábio reforçou que novas funcionalidades serão desenvolvidas com base nas dores dos próprios clientes. “O canal de comunicação com os gestores sempre estará aberto. Nosso foco é automatizar processos, melhorar a comunicação entre motoristas, passageiros e franqueados, e reduzir a necessidade de atendimento manual”, destacou.

Discussão sobre transparência para motoristas

Durante o evento, um dos participantes, Valdeci, levantou uma questão prática: a dificuldade enfrentada pelos motoristas ao não saberem previamente o destino das corridas solicitadas via WhatsApp. Isso, segundo ele, pode gerar insegurança e até desmotivação para aceitar chamadas, especialmente em situações onde é necessário deslocamento maior.

Fábio reconheceu a importância da demanda e explicou que o IAGo já passou por testes com exibição de endereço de destino, mas que, na época, a taxa de conversão de corridas caiu significativamente. Ele reiterou que a prioridade é sempre buscar equilíbrio entre uma experiência simples para o passageiro e atrativa para o motorista, e que em 2025 novas soluções podem ser implementadas para atender a essa necessidade, sem comprometer a eficiência do sistema.

Carlos Henrique também ressaltou que a estratégia da Rota77 para contornar essa questão está baseada em manter um bom volume de motoristas próximos aos passageiros, tornando os deslocamentos mais curtos e viáveis. “O segredo é ter sempre um motorista perto. Assim, mesmo que o destino não esteja visível, o deslocamento para buscar o passageiro será curto, e o motorista não perde tempo”, disse.

Perspectiva otimista para o ano

Tanto para o Rota77 quanto para o IAGo Bot, 2025 será um ano focado em crescimento responsável, inovação tecnológica e atenção às demandas práticas de quem está nas ruas. As empresas seguem apostando em soluções personalizadas e tecnológicas para garantir competitividade em um mercado dominado por gigantes, sem abrir mão do atendimento humanizado e da proximidade com motoristas e passageiros.

Construindo uma base sólida: mais de 9 mil motoristas cadastrados

Carlos revelou que o Rota77 conta hoje com quase 9 mil motoristas cadastrados, com uma média de 3 mil motoristas conectados simultaneamente nos horários de pico. Ele reconhece, no entanto, que manter essa base engajada não é simples, especialmente em períodos de baixa demanda, como o mês de janeiro.

Uma das principais táticas utilizadas é o ajuste estratégico das tarifas através do sistema de bandeiras, recurso oferecido pela plataforma Machine. Com ele, o aplicativo consegue variar os preços em horários de maior movimento, estimulando os motoristas a se conectarem exatamente nos momentos de maior fluxo de passageiros.

“O motorista quer faturar. Por isso, trabalhamos com as bandeiras nos horários críticos: 7h30 às 8h30, 12h30 às 13h30 e das 16h30 às 19h. O objetivo é garantir um ganho interessante para o condutor nesses períodos, evitando que ele migre para aplicativos concorrentes apenas quando há tarifa dinâmica”, explicou Carlos.

Ativação constante e proximidade com os condutores

Outro diferencial do Rota77 é a liberdade para ativar e desativar motoristas sem custos adicionais, o que permite uma gestão mais flexível. Segundo Carlos, o time realiza um ciclo de reavaliação mensal, buscando identificar motoristas inativos e constantemente ativando novos.

“Todo dia 5, reúno os gestores para analisar a base. Perguntamos: por que os motoristas não estão atendendo nossos concorrentes? Onde estão as defasagens? A ideia é agir de forma proativa para manter a operação saudável”, afirmou.

Treinamento e cultura: formando motoristas preparados

Além das estratégias operacionais, Carlos destacou a importância de formar motoristas que entendam não apenas como operar o aplicativo, mas também como prestar um bom atendimento. No início da operação do Rota77, ele mesmo produzia vídeos explicativos, utilizando sua experiência como jornalista e especialista em marketing. Hoje, a empresa conta com produtoras terceirizadas que desenvolvem materiais audiovisuais personalizados para orientar os condutores sobre o uso da plataforma e boas práticas no atendimento ao cliente.

No início de cada nova cidade onde o Rota77 inicia operações, Carlos faz questão de reunir grupos de motoristas para palestras presenciais. Ali, ensina desde aspectos técnicos, como iniciar e finalizar uma corrida, até questões financeiras, como planejamento de ganhos e cuidados com os custos operacionais.

“Ser motorista de aplicativo vai muito além de colocar uma camiseta e ligar o app. É preciso entender como lidar com pessoas, prestar um bom serviço e ter uma gestão financeira inteligente. Explicamos, inclusive, que não adianta fazer 70 corridas no dia se no final da semana o saldo real não compensa”, reforçou.

Ele também aposta em uma abordagem próxima, trabalhando diretamente com líderes informais dentro dos grupos de motoristas. “Sempre tem aquele motorista mais influente, que agita o grupo. Eu procuro trazê-lo para perto, explicar os benefícios, e ele acaba disseminando as informações entre os demais. É um trabalho de base, de construir confiança”, completou.

O papel da comunicação clara

Ao ser questionado sobre materiais de treinamento, Carlos revelou que, além dos vídeos institucionais, investe em uma comunicação direta e transparente. A ideia é garantir que todos os motoristas tenham clareza sobre os processos e saibam exatamente como operar dentro da plataforma, reforçando a cultura organizacional e evitando problemas futuros.

Para ele, a gestão de motoristas não pode se resumir apenas a tecnologia. “Lidamos com seres humanos, não com máquinas. Então, é preciso entender que cada motorista é um parceiro e que o sucesso do aplicativo está diretamente ligado ao sucesso deles”, concluiu.

Foto de Giulia Lang
Giulia Lang

Giulia Lang é líder de conteúdo do 55content e graduada em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero.

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