A Uber anunciou um investimento de US$ 500 milhões na Argentina e o relançamento do Uber Eats no país. A informação foi confirmada pelo CEO global da empresa, Dara Khosrowshahi, em entrevista ao La Nacion, neste domingo (05), durante visita que marcou os 10 anos de operação da plataforma no mercado argentino.

Segundo o executivo, o país ocupa uma posição de destaque dentro da companhia: “A Argentina é um dos nossos mercados de mobilidade mais bem-sucedidos do mundo”. Ele acrescentou que o país está entre os cinco maiores mercados da Uber em número de viagens e entre os dez em volume financeiro.

Khosrowshahi classificou a Argentina como um “mercado estrela”, grupo que reúne países prioritários para investimentos. “É um mercado que performa muito acima do seu tamanho”, disse.

Crescimento acelera e impulsiona novos investimentos

De acordo com a empresa, mais de 20 milhões de argentinos já utilizaram a plataforma, enquanto mais de 1 milhão de pessoas geraram renda por meio do aplicativo. Atualmente, a Uber afirma ter cerca de 90% de cobertura no território nacional.

O CEO destacou o ritmo de expansão da operação. “Nosso negócio está crescendo de uma maneira extraordinária, muito rapidamente”, afirmou.

Segundo ele, esse desempenho motivou a decisão de ampliar os aportes. “Queremos acompanhar esse sucesso com mais investimentos.”

Aposta no modelo multiproduto

O relançamento do Uber Eats representa uma nova etapa da estratégia da empresa no país. A proposta é integrar diferentes serviços em uma única plataforma, incluindo mobilidade, entrega de refeições, mercado e outros itens.

“Queremos ser a plataforma que você usa todos os dias para tornar sua vida mais simples”, afirmou Khosrowshahi.

A empresa também aposta no modelo multimodal. Na Argentina, o aplicativo já reúne opções como carros, táxis e motocicletas. Em Buenos Aires, quase um terço das viagens ocorre com táxis cadastrados na plataforma.

Ambiente econômico influencia decisão

Khosrowshahi relacionou o novo ciclo de investimentos ao cenário econômico argentino. Ao comentar o governo de Javier Milei, afirmou que as mudanças em curso são relevantes para o ambiente de negócios.

O CEO da Uber também comentou o cenário político e econômico do país. “Acho que as mudanças que o governo de Milei está promovendo são espetaculares”, afirmou. Ele ponderou que as medidas envolvem riscos, mas reforçou que apoia as reformas: “Apoio muito o que está acontecendo com o governo”.

Segundo o executivo, reformas recentes, incluindo a trabalhista, contribuem para aumentar a confiança de empresas globais. “Esse ambiente permite investir de forma mais agressiva e expandir nossas equipes.”

Tecnologia e IA no centro da operação

A Uber já utiliza inteligência artificial (IA) em diferentes etapas da operação, como definição de preços, recomendação de serviços e logística.

“Tudo o que você vê na plataforma já é, em grande parte, impulsionado por IA”, afirmou o CEO.

Com a evolução dos modelos, a expectativa é ampliar a eficiência interna e acelerar o desenvolvimento de novos produtos: “A IA vai transformar nossos funcionários em ‘super funcionários’”.

A empresa também avalia novas formas de geração de renda na plataforma. Entre elas, a participação de motoristas no treinamento de modelos de inteligência artificial. “Podemos expandir as oportunidades de trabalho para além das corridas”, afirmou.

Autonomia e drones para o futuro

Para os próximos anos, a Uber projeta expansão territorial e avanços tecnológicos. A meta é atingir 100% de cobertura no país e acompanhar transformações do setor até 2035.

“O mundo vai mudar muito até 2035”, afirmou Khosrowshahi.

Entre as tendências, o executivo citou veículos autônomos e entregas por drones: “Em algum momento, você poderá pedir comida e receber por meio de um drone”. Segundo ele, a empresa já investe nesse tipo de tecnologia, embora ainda em escala limitada.

Desafio global: padronização e adaptação local

Khosrowshahi também destacou o desafio de operar em escala global. A Uber está presente em mais de 70 países, com realidades urbanas distintas.

“É difícil construir um serviço que funcione da mesma forma em cidades tão diferentes, mas que também seja relevante localmente”, afirmou.

Segundo o executivo, a empresa busca equilibrar consistência global com adaptação às particularidades de cada mercado.

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