A Uber divulgou um balanço das iniciativas de enfrentamento à violência contra mulheres no Brasil, com destaque para projetos desenvolvidos em 2026. Segundo a empresa, as ações envolvem parcerias com órgãos públicos, instituições de pesquisa e organizações sociais, além de ferramentas de segurança disponíveis no aplicativo.
De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, citados pela companhia, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, aumento de 4% em relação ao ano anterior, além de 84.388 casos de estupro.
2026: parcerias e atendimento às vítimas
Entre as iniciativas mais recentes da Uber está um acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), que prevê a disponibilização mensal de vouchers de viagens para mulheres em situação de vulnerabilidade. Os deslocamentos poderão ser realizados entre delegacias, hospitais e outros serviços de atendimento. A Uber também ampliou a parceria com a Me Too Brasil, responsável pela capacitação das equipes de suporte para casos de assédio, violência sexual e discriminação, incluindo orientações de acolhimento e atendimento psicológico às vítimas.
A companhia apoiou ainda a pesquisa sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, e participou do 20º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em março, utilizou o aplicativo para divulgar a campanha “Todos Juntos Por Todas”, do Ministério das Mulheres.
2025: prevenção ao assédio e transporte para mulheres
Em 2025, a Uber lançou vídeos educativos para motoristas parceiros, desenvolvidos com a Me Too Brasil, abordando comportamentos inadequados durante viagens. A empresa também manteve parcerias para oferecer transporte a mulheres vítimas de violência na Bahia e no Distrito Federal. Em São Paulo, apoiou a campanha “Não Se Cale”, com distribuição de materiais informativos e divulgação de capacitações. Outra iniciativa foi a parceria com o UNICEF para orientar motoristas sobre possíveis sinais de violência contra crianças e adolescentes.
A companhia também apoiou pesquisas sobre segurança nos deslocamentos. Segundo levantamento dos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão, 98% das mulheres que saem à noite para lazer afirmaram sentir medo, enquanto nove em cada dez relataram já ter enfrentado alguma situação de violência nesses trajetos.
2024: campanhas nacionais e pesquisas
Em 2024, a Uber firmou parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para divulgar a campanha do Sinal Vermelho contra a violência doméstica. Também apoiou a divulgação do Ligue 180, canal nacional de atendimento às mulheres, e anunciou um acordo com o Instituto Maria da Penha, em Pernambuco, para facilitar o transporte de vítimas até serviços de proteção. A companhia ainda apoiou a atualização da plataforma EVA, do Instituto Igarapé, que reúne dados sobre violência de gênero. Pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, apoiada pela empresa, apontou que 97% das brasileiras entrevistadas sentiam medo de sofrer violência durante deslocamentos urbanos.
2023: transporte gratuito e autonomia financeira
Em 2023, a Uber firmou parceria com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil do Distrito Federal para oferecer transporte gratuito a mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa também incluiu a divulgação da assistente virtual Ângela, desenvolvida pelo Instituto Avon. No mesmo ano, a empresa aderiu à iniciativa Brasil sem Misoginia, anunciou ações voltadas à autonomia financeira feminina e manteve o apoio a pesquisas sobre violência de gênero.
2022: ampliação do suporte psicológico
Em 2022, a Uber ampliou o atendimento psicológico oferecido em parceria com a Me Too Brasil, passando a contemplar também vítimas de discriminação relacionada a raça, identidade de gênero, orientação sexual, religião e deficiência. A empresa apoiou pesquisas sobre assédio e violência doméstica, além de participar de debates promovidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
2021: atendimento e segurança nos deslocamentos
Em 2021, a Uber expandiu a parceria com o Instituto Avon para manter a oferta de viagens gratuitas a mulheres atendidas pela assistente virtual Ângela. Também lançou, em conjunto com a Me Too Brasil, um canal de suporte psicológico para usuários, motoristas e entregadores que relatassem episódios de violência de gênero na plataforma. Outra medida foi a disponibilização gratuita de divisórias de proteção para motoristas mulheres.
2020: mudanças no aplicativo e apoio durante a pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a Uber atualizou seu Código de Conduta e ampliou as opções de denúncia de assédio, discriminação e racismo pelo aplicativo. Em parceria com o Instituto Avon, apoiou o desenvolvimento da assistente virtual Ângela, destinada a orientar mulheres em situação de violência doméstica. A companhia também expandiu nacionalmente o programa Elas na Direção e a ferramenta U-Elas, que permite a motoristas mulheres optar por receber solicitações apenas de passageiras.
2019: início das parcerias e ações educativas
Em 2019, a Uber desenvolveu campanhas educativas para motoristas em parceria com o Instituto Promundo e apoiou pesquisas sobre assédio no transporte. A companhia também participou da criação da plataforma EVA, do Instituto Igarapé, voltada à organização de dados sobre violência contra mulheres, e lançou o programa Elas na Direção, em parceria com a Rede Mulher Empreendedora, com foco na autonomia financeira feminina.
Segundo a Uber, as iniciativas integram uma estratégia de prevenção, conscientização e apoio às vítimas. O balanço divulgado, porém, não apresenta indicadores consolidados sobre o número de mulheres atendidas ou os resultados das ações na redução da violência.
