Durante o 99 Tech Summit, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Rio de Janeiro, a 99 apresentou tecnologias de inteligência artificial (IA) utilizadas para reforçar a segurança de motoristas e passageiros. O evento reuniu executivos da empresa, especialistas e jornalistas para discutir o funcionamento das ferramentas e apresentar atualizações sobre as operações da plataforma.

Entre as soluções apresentadas está a telemetria, tecnologia que utiliza os sensores do celular para identificar padrões de condução dos motociclistas cadastrados na plataforma.

De acordo com Maria Luiza Marcolan, gerente sênior de Prevenção e Percepção de Segurança da 99, a ferramenta foi desenvolvida com base em pesquisas e conversas com os motoristas. O objetivo é identificar comportamentos associados a um maior risco de acidentes, como excesso de velocidade, curvas acentuadas, acelerações e frenagens bruscas.

Com os dados coletados, a plataforma disponibiliza aos motociclistas um relatório sobre a condução, uma nota de direção e orientações para melhorar o desempenho.

Segundo Maria Luiza, comportamentos de risco recorrentes podem resultar em restrições de acesso ao aplicativo por períodos de cinco a 30 dias ou até mesmo em bloqueio permanente.

No Rio de Janeiro, a nota mínima exigida é de 60%, segundo a executiva. Os motociclistas que ficam abaixo desse índice recebem um alerta e têm 15 dias para melhorar a avaliação. De acordo com Maria Luiza, mais de 60% dos profissionais notificados conseguem elevar a pontuação antes de sofrer restrições.

IA identifica sinais de acidentes e agiliza atendimento

Além do monitoramento da direção, a 99 apresentou o Suporte em Tempo Real, ferramenta que utiliza inteligência artificial para identificar sinais de possíveis acidentes de trânsito e agilizar o atendimento aos envolvidos.

“Através de inteligência artificial, a gente consegue detectar sinais que mostram que aconteceu um acidente de trânsito. Esse sinal gera um alerta para o nosso time da 99, que é especializado em segurança e funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Esse time entra em contato com o motociclista ou com o passageiro para fornecer suporte, fornecer ajuda, ou seja, ligar para o SAMU, tentar acionar o seguro e tudo mais”, explica Maria Luiza.

Segundo a gerente, os dados da telemetria também podem auxiliar no acionamento do seguro de acidentes pessoais oferecido pela plataforma. Uma redução repentina da velocidade a zero, por exemplo, pode indicar uma possível colisão e fornecer informações para ajudar na comprovação da ocorrência junto à seguradora.

A tecnologia de suporte também está em funcionamento no México, onde a empresa realiza testes para identificar possíveis casos de violência sexual durante as viagens.

De acordo com Maria Luiza, essa funcionalidade busca enfrentar a subnotificação desses casos por meio da identificação de padrões de viagens que possam indicar ocorrências. A partir dos sinais detectados, a plataforma poderá entrar em contato com os usuários para oferecer acolhimento e suporte.

A executiva afirmou que a funcionalidade voltada à identificação de possíveis casos de violência sexual ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Já a ferramenta de detecção de acidentes de trânsito está em fase de testes no país.

Segurança das mulheres e prevenção ao assédio

A 99 também utiliza inteligência artificial em ferramentas voltadas à segurança das mulheres durante as viagens.

Uma delas é o Pítia, algoritmo que prioriza motoristas com melhores avaliações em solicitações feitas por passageiras em situações consideradas de maior risco, como corridas durante a madrugada ou nas proximidades de bares e casas noturnas.

“Quando a gente identifica mulheres nessas situações, a gente naturalmente já vai direcionar essas corridas para os motoristas mais bem avaliados”, explicou Maria Luiza.

O Pítia atua em conjunto com a Atena, ferramenta que envia mensagens aos motoristas sobre as políticas de prevenção ao assédio da plataforma.

A 99 também utiliza inteligência artificial para identificar mensagens inadequadas enviadas pelo chat do aplicativo. Segundo a gerente, dependendo da situação, o sistema pode impedir o envio das mensagens e cancelar a corrida.

Para as motoristas, a plataforma oferece o Modo Mulher, funcionalidade que permite receber apenas solicitações de passageiras ou aplicar um filtro para passageiros homens, considerando as avaliações e o histórico de viagens dos usuários.

Verificação de identidade e prevenção de fraudes

A inteligência artificial também é utilizada na verificação de identidade dos usuários e na identificação de possíveis tentativas de fraude.

Durante o evento, Vinicius Miranda, gerente de Produtos da Unico ID, empresa parceira da 99Pay na verificação de identidade dos usuários da conta digital, explicou a importância dos mecanismos de autenticação para a segurança das empresas e dos usuários.

A parceria, anunciada em dezembro de 2025, utiliza biometria facial e prova de vida para reforçar a segurança das transações e prevenir fraudes.

“Eu estou garantindo que eu tenho uma sessão segura, no caso aqui de mobilidade, que também o motorista seja uma pessoa verificada, conhecida”, explicou o executivo.

Segundo Miranda, a Unico ID evitou 13 milhões de fraudes no primeiro semestre de 2026, o equivalente a R$ 19 bilhões em perdas potenciais, considerando os 23 setores atendidos pela empresa.

O executivo também destacou a necessidade de combinar diferentes mecanismos de segurança e tornar os processos de verificação mais claros para os usuários, para que sejam compreendidos como medidas de proteção.

De acordo com Miranda, a Unico ID trabalha com quatro camadas de reação para lidar com possíveis ameaças digitais.

Especialista alerta para riscos da IA e defende supervisão humana

O uso da inteligência artificial na segurança também apresenta desafios, especialmente em relação à confiabilidade dos sistemas e à necessidade de supervisão humana.

Durante o evento, Amanda Graciano, fundadora e sócia da Trama, consultoria estratégica especializada em inteligência artificial, inovação e transformação de negócios, explicou que os sistemas podem apresentar falhas e reproduzir vieses presentes nos dados utilizados em seu desenvolvimento.

Segundo a especialista, a IA permite identificar situações suspeitas com maior rapidez, especialmente diante do volume de viagens realizadas pelas plataformas. No entanto, o atendimento aos usuários e a avaliação de ocorrências sensíveis também dependem da atuação de profissionais preparados.

Amanda alertou ainda para o chamado viés de automação, que ocorre quando as pessoas passam a confiar excessivamente nas decisões de sistemas automatizados.

Por isso, defendeu a definição de responsabilidades entre a tecnologia e as equipes humanas, além da manutenção de mecanismos de revisão das decisões.

“A gente precisa tomar muito cuidado, porque o viés de automação é algo que existe muito e que a gente acaba negligenciando. E quando a gente fala de segurança, no final, a gente pode estar falando de muito mais do que uma vida só. A gente pode estar falando de muitas vidas”, finalizou Amanda.

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