Miltermayer Macedo é formado em Direito, também atua como jornalista, apresentador de televisão e radialista, e conta que entrou no mercado de mobilidade depois de ouvir muitas reclamações de usuários e motoristas sobre as taxas cobradas por grandes aplicativos.
Segundo ele, familiares, colegas e motoristas que participavam de seus programas reclamavam de percentuais que podiam chegar a 20%, 30% ou até 40% em algumas corridas. A partir disso, Miltermayer passou a defender a criação de uma plataforma brasileira, com taxas menores e foco nos condutores.
“O Brasil tem que ter um aplicativo do Brasil para valorizar os motoristas brasileiros”, afirma.
Ideia é cobrar taxa menor dos motoristas
O objetivo inicial do Pop Mais era trabalhar com uma taxa abaixo de 15%, voltada principalmente à manutenção do aplicativo. Segundo Miltermayer, a proposta era criar uma alternativa às grandes plataformas e permitir que os motoristas ficassem com a maior parte do valor das corridas.
Em Porto Franco, no Maranhão, por exemplo, um grupo de motoristas adquiriu a franquia depois de pagar taxas consideradas altas em outras plataformas. Lá, o modelo funciona com mensalidade e cobrança de R$ 0,35 por corrida finalizada para a estrutura do Pop Mais.
“A meta era uma taxa baixa para ajudar na manutenção”, diz Miltermayer.
Primeira franquia foi em São Paulo
A primeira franquia do Pop Mais foi aberta com Rodrigo, responsável pela operação no estado de São Paulo. Segundo a entrevista, a parceria começou em 15 de janeiro de 2026.
No estado, Rodrigo passou a cuidar de seis cidades. Em três delas, o aplicativo já estava rodando com motoristas cadastrados; nas outras três, a operação estava em implantação.
O Pop Mais também tem atuação no Maranhão, com Júlio à frente da operação de Porto Franco e expansão para outras cidades do estado.
Pop Mais é diferente do Pop Gyn
Miltermayer também possui o Pop Gin, mas explica que as propostas são diferentes. O Pop Gyn tem foco em Goiânia e Goiás, enquanto o Pop Mais foi criado para ter alcance nacional, com possibilidade de franquias em várias regiões do Brasil.
A sede do Pop Mais fica em Goiânia, embora a operação ainda não atue na capital goiana. Segundo Miltermayer, a ideia é futuramente iniciar em Goiânia com taxa de R$ 1,50 por corrida, por um período promocional para alavancar o aplicativo.
Captação mistura redes sociais, panfletagem e boca a boca
A captação de motoristas e passageiros varia conforme a região. Rodrigo, responsável por São Paulo, afirma que o trabalho envolve redes sociais, Instagram, Facebook, panfletagem e WhatsApp. Para ele, em cidades do interior, muitas pessoas ainda têm o hábito de pedir corridas pelo WhatsApp, especialmente donas de casa e pessoas mais velhas.
No Maranhão, a operação também apostou em divulgação local e em uma influenciadora que se tornou embaixadora da marca em Porto Franco. Segundo Júlio, o lançamento ocorreu às 18h do dia 13 de julho e, cerca de 20 minutos depois, as corridas já começaram a tocar.
“No que lançou, já foi estouro. Vinte minutos depois, a plataforma já estava tocando”, conta Júlio.
Em Porto Franco, app resolveu falta de transporte à noite
Júlio afirma que, em Porto Franco e cidades próximas, uma das dores era a falta de locomoção, especialmente em horários em que táxis e mototáxis não rodavam. Antes, passageiros chegavam a esperar duas ou três horas até um táxi lotar com quatro pessoas para conseguir fazer determinado trajeto.
Com o Pop Mais, segundo ele, a população passou a chamar pelo aplicativo e ter atendimento em diferentes horários, inclusive de madrugada.
“A população abraçou o aplicativo. De madrugada, de manhã, qualquer horário, eles estão chamando a gente”, afirma Júlio.
Atendimento humanizado é visto como diferencial
Os participantes da entrevista apontaram o atendimento humanizado como um dos principais diferenciais do Pop Mais. Rodrigo citou o suporte rápido entre franqueados, motoristas e a central. Júlio destacou preço, agilidade e tratamento com as pessoas. Miltermayer reforçou que passageiros, motoristas e franqueados não querem ficar presos a robôs ou atendimentos impessoais.
“A pior coisa que tem é o cliente, o motorista ou o franqueado entrar em contato com a central e ficar falando com robô”, afirma Miltermayer.
Para Júlio, tratar bem o passageiro também é uma estratégia de crescimento. Ele afirma que orienta os motoristas a manterem calma mesmo em situações difíceis, porque o bom atendimento faz o cliente indicar a plataforma.
“Tratando bem, a gente sempre vai ter aquele passageiro que vai multiplicar”, diz Júlio.
“O motorista tem que ser valorizado”
Miltermayer defende que o motorista precisa ganhar bem porque arca com combustível, manutenção, óleo, pneus, desgaste do carro e tempo de trabalho. Para ele, o condutor não está fazendo caridade; está trabalhando.
“O motorista tem que ser valorizado. Se fizer uma corrida de R$ 100, ele tem que ficar com a maioria quase absoluta do dinheiro”, afirma.
Segundo o gestor, quando a taxa da plataforma é muito alta, a matemática não fecha para o motorista, especialmente em corridas maiores.
Franqueados vieram da experiência como motoristas
Júlio, responsável por Porto Franco, conta que já rodava por aplicativo em períodos de oportunidade, enquanto também trabalhava como maquinista de trem. A decisão de investir no Pop Mais veio da percepção de que motoristas precisavam de melhor tratamento, taxas menores e uma plataforma local.
“A gente não pode ser escravo da plataforma. A gente tem que ganhar com a plataforma”, afirma Júlio.
Rodrigo também veio do setor de aplicativos. Ele atuou como motorista e depois trabalhou com expansão em outra plataforma, até encontrar no Pop Mais uma oportunidade de construir uma operação própria no estado de São Paulo.
Modelo de franquia busca proteger o franqueado
Miltermayer afirma que o objetivo do Pop Mais não é tomar a operação do franqueado depois que a cidade começa a dar certo. Segundo ele, a renovação é prioridade, exceto se o franqueado não quiser continuar ou decidir repassar a operação.
A fala veio após relatos de casos em que donos de outros aplicativos teriam retomado operações após o franqueado investir e fazer a cidade crescer.
“Meu interesse não é tocar no lugar em que a gente vendeu a franquia. É 100% de renovação do franqueado”, afirma Miltermayer.
Investimento em Porto Franco ficou entre R$ 4 mil e R$ 5 mil
Em Porto Franco, Júlio estima que gastou de R$ 4 mil a R$ 5 mil para lançar a plataforma, incluindo influenciadores, divulgação e materiais. Segundo ele, a franquia teve custo facilitado em negociação com Miltermayer.
Na operação de São Paulo, Rodrigo afirma que o investimento é mais alto, porque custos com influenciadores, rádio, panfletagem e materiais são maiores. Ele ressalta que manter um aplicativo exige investimento diário, desde divulgação até motivação dos motoristas.
“Entrar dentro do carro e pôr um motorista para rodar pode ser simples no início. Mas manter exige manutenção diária”, afirma Rodrigo.
Em Porto Franco, cobrança é mensal
Em Porto Franco, o aplicativo já se paga, segundo Júlio. Lá, a operação cobra mensalidade de R$ 300 para motorista de carro e R$ 100 para motorista de moto. A escolha pelo modelo mensal busca reduzir o incentivo a corridas por fora.
Em São Paulo, Rodrigo afirma que o modelo precisa ser diferente porque os motoristas já estão mais acostumados à cobrança por porcentagem, em razão da presença de Uber e 99.
Cada franquia tem autonomia
Segundo Miltermayer, cada franquia tem sua particularidade e autonomia para definir seu modelo de cobrança. Algumas podem cobrar mensalidade, enquanto outras usam taxa percentual de 10%, 15% ou 20%, conforme o mercado local.
O Pop Mais não faz a gerência direta da operação local; o franqueado administra a cidade.
Porto Franco tem 16 motoristas cadastrados
Na operação de Porto Franco, havia 16 motoristas cadastrados. Em Amarante, outra cidade do Maranhão, a operação já tinha 11 cadastrados e mais um em análise. Em Senador La Rocque, havia um motorista, mas a equipe decidiu pausar o avanço para focar primeiro em Amarante.
Em São Paulo, Rodrigo informou 45 motoristas cadastrados nas seis cidades sob sua responsabilidade e média de 220 a 230 downloads cadastrados por cidade.
Corrida mínima varia por região
Em São Paulo, a corrida mínima citada por Rodrigo é de R$ 7,99 para 1 km. Já em Porto Franco, Júlio afirma que o valor mínimo é de R$ 10 no carro comum e R$ 11 no Comfort, categoria com veículos mais novos e espaçosos.
Segundo Júlio, a cidade é pequena, com cerca de 4,5 km de extensão em linha reta até a saída, o que ajuda a manter preços competitivos.
Mensalidade faz motorista receber todo o valor
No modelo de Porto Franco, como há mensalidade, todo o valor da corrida fica com o motorista. Júlio afirma que essa estrutura ajuda a reduzir corridas particulares e melhora a previsibilidade da operação.
“Como eu trabalho com mensalidade aqui, todo o valor é recebível pelo motorista. Ele recebe tudo”, afirma Júlio.
Corrida por fora é vista como risco
Tanto Júlio quanto Rodrigo alertam sobre riscos de corridas particulares fora do aplicativo. Júlio cita casos em que motoristas se complicaram com passageiros envolvidos em situações ilícitas. Por isso, defende que até corridas particulares sejam registradas dentro do app, com nome e CPF do passageiro.
Rodrigo reforça que, por uma economia pequena na taxa, o motorista pode se expor a um risco muito maior.
“Por causa de R$ 1, você perde tudo que tem”, afirma Rodrigo.
Aplicativo oferece cashback, motorista favorito e agendamento
Rodrigo destaca que o aplicativo oferece ferramentas que ajudam o motorista a fidelizar passageiros, como cashback, opção de favoritar motorista, agendamento de corridas e taxímetro. Para ele, esses recursos reduzem o incentivo para sair da plataforma.
Operação no Maranhão movimentou mais de R$ 40 mil em dois meses
Em Porto Franco, a operação completaria dois meses no dia 13 seguinte à entrevista. No período, segundo Júlio, foram mais de 2 mil solicitações e mais de R$ 40 mil movimentados.
Júlio também afirmou que ele próprio era o recordista de atendimentos, com 534 solicitações desde o lançamento. Um sócio da operação havia feito R$ 7,3 mil, enquanto a esposa dele havia alcançado R$ 5,4 mil.
Em São Paulo, início é mais gradual
Na região de Rodrigo, a operação ainda estava em início, com média de 10 a 15 corridas por dia em uma cidade de cerca de 70 mil habitantes. Ele atua mais no suporte e na expansão do negócio do que como motorista.
Guarulhos também estava nos planos da operação em São Paulo. Segundo Rodrigo e Miltermayer, a cidade seria a maior praça do Pop Mais, com mais de 1 milhão de habitantes.
Pop Mais mira expansão internacional
Miltermayer afirma que a ideia do Pop Mais é sair do Brasil. A empresa já avaliava operações em Maturín, na Venezuela, além de Paraguai e Bolívia. O aplicativo já conta com funções em inglês e espanhol e conversão de moedas como real, dólar e euro.
Concorrência com grandes plataformas é desafio
Para Miltermayer, um dos incômodos do mercado é a presença de grandes aplicativos estrangeiros que, segundo ele, ditam regras no Brasil e cobram taxas altas dos motoristas. Ele defende que o Pop Mais ocupe espaço com qualidade, atendimento humanizado, preço e valorização do motorista.
Rodrigo citou como exemplo campanhas de corrida extremamente baratas em cidades do interior, o que torna difícil competir apenas por preço.
“Nada muda se você não mudar. Você não vai ter resultado diferente fazendo as mesmas coisas”, afirma Rodrigo.
Pop Mulher é uma das modalidades
A operação também conta com a modalidade Pop Mulher, que permite que passageiras solicitem motoristas mulheres. Segundo Júlio, apenas cadastros femininos conseguem chamar essa categoria, que hoje conta com quatro motoristas mulheres na plataforma.
Mercado deve selecionar quem estiver preparado
Sobre o futuro dos aplicativos regionais, Miltermayer afirma que “o sol brilha para todos”, mas que a sombra fica para quem estiver mais preparado. Para ele, muitos aplicativos devem fechar porque o mercado tem custos altos e exige visão de longo prazo.
“Ninguém faz sucesso de um dia para o outro. Primeiro vem o trabalho, depois vem o sucesso”, afirma.
Segundo Rodrigo, qualquer mercado fica saturado para quem quer fazer sempre a mesma coisa. Para ele, o diferencial do Pop Mais é buscar uma proposta mais humanizada, com preço, ponto de apoio e atendimento.
Legado inclui ponto de apoio e atendimento a idosos e PCDs
Miltermayer afirma que um dos objetivos das franquias é ter pontos de apoio para motoristas, com água, café, internet e espaço para descanso. A ideia também inclui, no futuro, estrutura para cuidar dos carros dos motoristas.
Outro foco é oferecer atendimento mais humanizado para idosos e pessoas com deficiência. Miltermayer cita a experiência do próprio pai, que é cadeirante, para defender motoristas mais pacientes e preparados para esse público.
Em Porto Franco, legado é transformar a mobilidade regional
Júlio afirma que o legado do Pop Mais em Porto Franco é transformar a mobilidade da região, gerar mais oportunidades e ganhos para motoristas, além de conectar pessoas e lugares. Segundo ele, o app já realiza viagens para cidades próximas e até trajetos longos, como para São Luís, Belém e Imperatriz.
“Nosso legado é transformar a mobilidade da nossa região, gerar mais oportunidade para o motorista e conectar pessoas e lugares”, afirma Júlio.
Ao final, Miltermayer afirmou que grupos de motoristas de capitais como Fortaleza, Maceió e Porto Alegre já haviam demonstrado interesse em adquirir franquias do Pop Mais para fugir das taxas altas das grandes plataformas.
