A ideia de criar o Atar Táxi surgiu da necessidade de modernizar o atendimento à população de Abaeté, município mineiro com aproximadamente 23,6 mil habitantes.
Natural de Belo Horizonte, Vagner Domingos da Silva mudou-se para a cidade em 2015 e começou a trabalhar como taxista. Desde então, passou a defender a utilização de um aplicativo para facilitar o contato entre passageiros e profissionais.
A proposta, entretanto, não foi aceita imediatamente pelos colegas de profissão.
“Foi uma luta de anos e anos, conversas e conversas. O aplicativo só veio a ser viabilizado depois que a gente já tinha um grupo de 26 pessoas”, relembra.
Segundo Vagner, as discussões começaram por volta de 2016. O projeto só saiu do papel em 2025, quando os taxistas conseguiram reunir os participantes necessários para colocar a plataforma em funcionamento.
Falta de transporte coletivo motivou criação do aplicativo
Um dos principais problemas identificados pelos taxistas era a demora no atendimento aos passageiros.
Abaeté não possui um serviço regular de transporte coletivo urbano, o que torna os táxis uma importante alternativa para os deslocamentos da população.
Antes da criação do aplicativo, os clientes precisavam entrar em contato diretamente com os profissionais, geralmente por telefone.
Quando o taxista procurado estava ocupado ou realizando uma viagem fora da cidade, o passageiro precisava tentar encontrar outro veículo.
“Às vezes, a pessoa ligava para o taxista de preferência e ele demorava muito. Eu estava viajando, então ela tinha que ligar para três, quatro, cinco. As pessoas acabavam perdendo compromissos”, conta.
A solução encontrada foi reunir os taxistas em uma plataforma que permitisse encaminhar solicitações de corridas aos profissionais disponíveis.
“Com isso, o passageiro deixou de depender exclusivamente do contato com um único motorista”, afirma.
Aplicativo atingiu em seis meses meta prevista para três anos
A aceitação dos passageiros surpreendeu os associados.
De acordo com Vagner, a expectativa inicial era alcançar mil downloads em um prazo de dois a três anos.
Entretanto, a marca foi atingida em aproximadamente seis meses.
O gestor afirma que a mudança na forma de solicitar corridas foi percebida rapidamente pela população, especialmente pela redução do tempo necessário para encontrar um taxista disponível.
“A partir do momento que a gente começou a ouvir elogios sobre a agilidade no atendimento, vimos que realmente o aplicativo era essencial”, relata.
O resultado incentivou os profissionais a ampliar a divulgação do Atar Táxi.
Mesmo com a adesão inicial, Vagner reconhece que parte da população ainda enfrenta dificuldades para baixar e utilizar a ferramenta.
“Inclusive, a associação já promoveu campanhas para orientar os moradores sobre o funcionamento do aplicativo”, diz.
Todos os 26 taxistas são donos da plataforma
Diferentemente de aplicativos administrados por um único empresário, o Atar Táxi pertence aos profissionais vinculados à Associação dos Taxistas de Abaeté e Região.
Atualmente, são 26 associados que participam das decisões sobre o funcionamento da plataforma.
Segundo Vagner, a associação possui presidente, vice-presidente e diretores, mas todos os integrantes têm direito a voto.
“Não tem um dono específico. A gente tem presidente, vice-presidente, diretor, mas todos têm o mesmo poder de voto. Qualquer decisão é tomada em conjunto”, explica.
O modelo permite que os taxistas participem diretamente das discussões sobre investimentos, divulgação e estratégias de crescimento.
Vagner também continua trabalhando como taxista, conciliando as corridas com as atividades de administração do aplicativo.
Investimento inicial foi de R$ 14 mil
Para colocar a plataforma em funcionamento, a associação investiu aproximadamente R$ 14 mil.
O valor foi utilizado na criação e implantação do aplicativo.
“Os profissionais se organizaram financeiramente para viabilizar a ferramenta, que foi pensada como um recurso de apoio ao serviço de táxi já existente na cidade”, afirma.
O gestor não informou em quanto tempo o investimento foi recuperado.
Ele destaca, porém, que o objetivo principal não era construir uma empresa para gerar lucro aos administradores, mas melhorar o atendimento e ampliar as oportunidades de corridas para os associados.
Taxistas pagam R$ 70 por mês e não têm desconto por corrida
O Atar Táxi utiliza um modelo de cobrança por mensalidade fixa.
Cada taxista associado paga aproximadamente R$ 70 por mês para utilizar a plataforma.
Não existe retenção percentual sobre o valor das viagens realizadas pelo aplicativo.
Segundo Vagner, a mensalidade é destinada principalmente às ações de divulgação, enquanto parte dos custos operacionais é coberta por patrocinadores.
“A mensalidade que os colegas pagam é mais para divulgação mesmo, para marketing. A gestão do aplicativo é feita com a ajuda dos patrocinadores”, afirma.
Entre as empresas que apoiam o projeto estão a JV Construtora e o Sicoob Cred Nacional.
Considerando os 26 associados e a mensalidade informada, a arrecadação potencial com essa cobrança é de aproximadamente R$ 1.820 por mês, caso todos realizem o pagamento.
O valor não representa lucro, já que a associação possui despesas relacionadas à manutenção e divulgação do serviço.
Atar Táxi realiza cerca de 900 corridas mensais
Atualmente, a plataforma registra aproximadamente 900 viagens por mês.
O volume varia conforme o período do ano e o movimento da cidade.
Segundo Vagner, em meses de maior demanda, como dezembro, a operação já chegou a realizar cerca de 1.200 corridas.
O gestor explica que esses números representam apenas as viagens solicitadas diretamente pelo aplicativo.
Isso porque os 26 associados já trabalhavam como taxistas antes da criação da plataforma e continuam atendendo clientes próprios, além de realizarem viagens particulares e deslocamentos para outros municípios.
“O aplicativo foi uma ferramenta criada para nos auxiliar. Todos os motoristas já são taxistas, já têm seus clientes e suas viagens para fora do município”, esclarece.
Portanto, o volume de corridas registrado pelo Atar Táxi não corresponde à totalidade dos serviços realizados pelos profissionais.
Corridas urbanas custam entre R$ 16 e R$ 24
Segundo Vagner, as viagens realizadas dentro de Abaeté costumam custar entre R$ 16 e R$ 24.
Os valores variam conforme o trajeto e as características do deslocamento.
Além das corridas urbanas, o aplicativo oferece três modalidades de atendimento: Táxi Cidade, Táxi Rural e Táxi Viagem.
A primeira concentra a maior parte da demanda atual.
Já as modalidades voltadas a deslocamentos rurais e viagens para outros municípios ainda possuem utilização menor.
“A associação pretende ampliar a divulgação desses serviços para incentivar os passageiros a utilizarem o aplicativo também em percursos mais longos”, conta.
Plataforma pode movimentar entre R$ 14 mil e R$ 22 mil por mês em corridas
Considerando a média de 900 viagens mensais e os valores urbanos de R$ 16 a R$ 24 informados por Vagner, o movimento financeiro estimado dessas corridas ficaria entre R$ 14,4 mil e R$ 21,6 mil por mês.
Essa é uma projeção baseada nos números apresentados pelo gestor, não um faturamento consolidado da plataforma.
O valor também não contempla necessariamente todas as diferenças tarifárias entre as modalidades disponíveis.
Como os taxistas não pagam percentual sobre as viagens, o movimento financeiro das corridas não corresponde à receita da associação.
A principal cobrança recorrente do aplicativo é a mensalidade paga pelos profissionais.
Associação prepara entrada de novos taxistas
Embora o grupo inicial seja formado por 26 associados, a associação pretende permitir a entrada de novos profissionais.
Segundo Vagner, essa ampliação depende de mudanças no estatuto da entidade.
O objetivo é criar regras que permitam admitir novos taxistas sem prejudicar os direitos daqueles que participaram da implantação do aplicativo.
O processo está sendo acompanhado pelo advogado responsável pelos assuntos da associação.
“Acredito que a ampliação do grupo poderá aumentar a disponibilidade de veículos e melhorar ainda mais o atendimento”, afirma Vagner.
Frota renovada e profissionais qualificados são diferenciais
Outro ponto destacado pelo gestor é a qualidade dos veículos utilizados pelos associados.
Segundo Vagner, os taxistas possuem formação específica para a atividade e procuram manter os carros em boas condições.
Ele afirma que a renovação da frota ocorre com frequência e que os veículos contam com seguro.
“Se você olhar a nossa frota, deve ter uns dois ou três carros mais velhos. Os outros são todos de frota nova”, relata.
Além da conservação dos automóveis, o gestor considera a cortesia e a qualificação dos profissionais características importantes para o atendimento aos passageiros.
“A experiência dos taxistas contribui para a qualidade do serviço oferecido pelo aplicativo”, avalia.
Excesso de demanda ainda é um desafio
Apesar dos resultados alcançados, Vagner reconhece que o Atar Táxi ainda enfrenta dificuldades para atender todos os passageiros.
“O principal problema ocorre nos momentos de maior demanda, quando não há veículos suficientes para responder rapidamente a todas as solicitações”, lamenta.
Para o gestor, essa é uma das situações mais frustrantes da operação.
“O que mais me incomoda é não poder atender todo mundo. Muitas vezes a gente deixa alguns clientes esperando, e eles ficam chateados por questão de excesso de demanda”, afirma.
A associação pretende melhorar a disponibilidade de veículos e aperfeiçoar o funcionamento da plataforma para reduzir essas situações.
Gestor defende respeito entre profissionais de diferentes aplicativos
Questionado sobre a concorrência com outras plataformas, Vagner afirmou que procura manter uma relação respeitosa com os demais motoristas.
Segundo ele, outros aplicativos já tentaram atuar em Abaeté, mas tiveram dificuldades para permanecer no município.
O gestor considera que cada profissional está buscando oportunidades de trabalho e renda.
“Todo mundo sai de casa para defender o seu pão”, destaca.
Vagner afirma que a associação procura cumprir as regras do setor e que, quando identifica situações que considera irregulares, encaminha denúncias aos órgãos responsáveis.
Entretanto, ressalta que não existem desavenças pessoais com motoristas de outras plataformas.
Para ele, o mercado precisa ser conduzido com respeito e profissionalismo.
“Esteja onde estiver, faça o seu melhor, sempre”, aconselha.
Quatro cidades demonstraram interesse no aplicativo
Depois de consolidar a operação em Abaeté, o Atar Táxi começou a despertar interesse de profissionais de outros municípios.
Segundo Vagner, taxistas de aproximadamente quatro cidades já procuraram a associação para conhecer a possibilidade de levar o aplicativo às suas regiões.
Apesar das conversas, ainda não existe uma expansão confirmada.
O gestor explica que a prioridade é resolver os desafios da operação atual antes de iniciar atividades em outros municípios.
“A ideia já está praticamente pronta para expandir. Mas estamos amadurecendo, conversando bem, para fazer uma coisa que ajude os colegas de outra cidade da mesma maneira que ajudou a gente aqui”, afirma.
A intenção é utilizar a experiência adquirida em Abaeté como referência para possíveis novas operações.
“Quem não se atualizar vai ficar para trás”
Para Vagner, a criação do Atar Táxi também representa uma mudança de mentalidade entre os profissionais da categoria.
Depois de anos trabalhando com solicitações por telefone, os taxistas passaram a utilizar uma ferramenta digital para organizar o atendimento.
O gestor considera que acompanhar as transformações tecnológicas será cada vez mais importante para permanecer competitivo.
“O mundo está ficando cada vez mais dinâmico. Quem não estiver atualizado vai ficar para trás”, afirma.
Segundo ele, a associação procura conhecer novas ferramentas e melhorar continuamente os serviços oferecidos à população.
Legado é melhorar o transporte e realizar sonhos dos taxistas
Ao falar sobre o legado que deseja deixar, Vagner destacou tanto a satisfação dos passageiros quanto o desenvolvimento profissional dos associados.
O gestor espera que o Atar Táxi continue oferecendo atendimento rápido e contribua para que os taxistas consigam melhorar suas condições de trabalho.
“Quero deixar uma população feliz, que tenha atendimento na hora que precisar, com a melhor rapidez possível”, afirma.
A expectativa também é que os profissionais envolvidos consigam alcançar seus objetivos pessoais por meio da atividade.
“Para os colegas, companheiros de trabalho, quero que consigam realizar todos os seus sonhos, prestando um serviço de qualidade e excelência para a população”, conclui.
