A história do 71 Mob começou dentro de uma cooperativa de táxi. Rebert Moreira e o irmão, Robert Moreira, são gêmeos e trabalhavam na operação: um na área comercial e outro no conselho fiscal. Na época, as corridas ainda eram registradas por meio de vouchers de papel, preenchidos manualmente a cada viagem.

Ao perceberem que a tecnologia poderia melhorar esse processo, os irmãos buscaram um aplicativo para modernizar a gestão. A princípio, a ideia foi apresentada à cooperativa, mas a proposta foi negada por causa do custo de aquisição. Depois disso, os dois decidiram seguir a negociação de forma particular.

“A gente percebeu que dava para melhorar. Através da tecnologia, dava para melhorar alguns métodos”, afirma Rebert.

Nome faz referência ao DDD da Bahia

O nome 71 Mob faz referência ao DDD 71, da Bahia, combinado com a ideia de mobilidade. No início, a intenção era atuar no transporte urbano, em um modelo mais parecido com outras plataformas de mobilidade.

Logo depois do lançamento, no entanto, veio a pandemia. Com a mudança no cenário, os gestores decidiram direcionar a operação para o atendimento corporativo.

Hoje, o 71 Mob atende exclusivamente empresas. Passageiros comuns não conseguem solicitar uma corrida diretamente pelo aplicativo.

Aplicativo atende Salvador e região metropolitana

A operação atende Salvador e região metropolitana. A sede fica em Simões Filho, cidade vizinha, a cerca de 13 km do aeroporto de Salvador.

Atualmente, a empresa presta serviço para cerca de 10 empresas parceiras.

Tecnologia substituiu vouchers de papel

O principal problema que motivou a criação do aplicativo foi a gestão manual dos vouchers. Antes, cada corrida exigia o preenchimento de vias para o condutor, passageiro, cooperativa e empresa. Depois, tudo precisava ser conferido manualmente.

“Com o aplicativo, os clientes passaram a ter relatórios em tempo real, dados por cidade, custos, horários de maior demanda e acompanhamento das viagens. O uso da tecnologia trouxe melhor gestão e agilidade”, diz Rebert.

Empresas ganharam controle sobre transporte

No modelo corporativo, o aplicativo ajuda empresas a controlar melhor os custos e a operação de transporte. Segundo Rebert, muitas vezes a pessoa responsável por essa área também cuida de outras funções, como RH, alimentação e facilities. Por isso, a tecnologia ajuda a organizar processos que antes eram manuais.

Taxa atrativa ajudou na captação de motoristas

Para captar motoristas, o 71 Mob apostou em uma taxa mais atrativa. Segundo Rebert, alguns aplicativos chegam a cobrar percentuais entre 18% e 19%, enquanto a proposta do 71 Mob buscava ser mais interessante para os condutores.

Para as empresas, o diferencial foi a combinação de gestão, tecnologia e inovação.

Mudança de cultura foi uma das dificuldades

Uma das maiores dificuldades no início foi mudar a cultura dos clientes e motoristas. A operação vinha do táxi, com exigências específicas, como placa vermelha e carro sedan. A transição para o modelo por aplicativo exigiu adaptação.

“Também foi necessário educar colaboradores e gestores das empresas para deixarem de solicitar corridas por e-mail ou WhatsApp e passarem a usar a plataforma. Até eles se reeducarem para solicitar via aplicativo, foi um desafio enorme”, conta o gestor.

Gestão é dividida entre os irmãos

Rebert divide a gestão com o irmão Robert. Na operação, Robert cuida da parte financeira, enquanto Rebert atua mais na área comercial.

A empresa também tem uma base de apoio com atendimento 24 horas, formada por duas atendentes durante o dia e duas durante a noite.

Oficina própria dá suporte aos motoristas

Um diferencial da operação é a oficina própria. Segundo Rebert, a empresa percebeu que os motoristas não tinham prioridade em oficinas parceiras quando o carro apresentava alguma falha mecânica. Para resolver isso, o 71 Mob estruturou uma oficina voltada à manutenção dos condutores que prestam serviço para a plataforma.

“A prioridade é a manutenção dos motoristas que fazem parte da nossa operação”, afirma.

Investimento inicial foi de R$ 170 mil

O investimento inicial para criação do aplicativo foi de aproximadamente R$ 170 mil. Segundo Rebert, a operação começou a se pagar em cerca de dois anos e meio a três anos.

A empresa também prestou serviço ao Mercado Livre por cinco anos, experiência que trouxe visibilidade para a marca.

Primeira corrida fora do círculo de amigos confirmou a operação

O momento em que os gestores perceberam que o aplicativo poderia dar certo veio logo na primeira solicitação atendida por um motorista que não fazia parte do círculo de amigos. Para Rebert, esse foi o sinal de que a operação tinha potencial real.

“A partir da primeira solicitação atendida por um motorista fora do rol de amigos, aquilo já foi suficiente para entender que era certo”, lembra.

De dois sonhadores a uma estrutura própria

Ao falar sobre a trajetória, Rebert destaca a evolução da estrutura. No começo, eram apenas dois sonhadores, sem escritório, marcando encontros em cafés e restaurantes para tratar dos assuntos da empresa. Hoje, o 71 Mob tem base própria, frota própria e motoristas parceiros.

A frota própria conta com 23 carros, além dos condutores cadastrados na plataforma.

“No início, eram apenas dois sonhadores. Hoje temos uma base própria e uma frota própria”, afirma.

Plataforma tem mais de 1 mil motoristas cadastrados

O 71 Mob tem mais de 1 mil motoristas cadastrados. Em execução, ou seja, prestando serviço atualmente para as empresas parceiras, são cerca de 200 condutores.

A empresa atende 10 empresas parceiras.

Não há exclusividade, mas há compromisso

Rebert afirma que não existe exclusividade para o motorista trabalhar com o 71 Mob. O que existe é compromisso. 

“Não existe exclusividade. Existe compromisso. Como a operação atende empresas, o motorista precisa cumprir horários e demandas programadas.”, afirma.

Segundo ele, pontualidade e responsabilidade são diferenciais da empresa.

Motorista recebe média de R$ 1,93 por km

Na média citada por Rebert, o motorista recebe cerca de R$ 1,93 por quilômetro rodado.

O faturamento mensal dos motoristas fica entre R$ 6 mil e R$ 10 mil. O recorde já pago a um condutor foi de R$ 18 mil.

“Hoje o motorista fatura entre R$ 6 mil e R$ 10 mil. Já chegamos a pagar R$ 18 mil a um motorista”, afirma.

Cadastro exige documentos e treinamento

Para entrar na plataforma, o motorista precisa baixar o aplicativo, fazer o cadastro e enviar documentos como comprovante de residência, foto do rosto, antecedentes criminais, documento do carro e, se o veículo for a gás, selo do gás.

Depois da análise da documentação, que leva de 24 a 48 horas, o motorista ainda precisa ir até a base de apoio, conhecer a estrutura, passar por um breve treinamento e receber orientações.

O uso de camisa da empresa, calça e sapato fechado é obrigatório. A camisa é entregue gratuitamente.

Pagamento é mensal e pós-pago

A corrida já aparece para o motorista com o desconto da taxa. O pagamento é feito mensalmente: o motorista trabalha ao longo do mês e recebe no mês seguinte, geralmente no dia 7.

A taxa da empresa é de 15%.

71 Mob faz até 10 mil viagens por mês

A operação já chegou ao recorde de 317 corridas em um dia. Em média, considerando de 200 a 220 viagens por dia, o 71 Mob realiza entre 8 mil e 10 mil viagens por mês.

O ticket médio das viagens é de R$ 68, com acréscimos em casos de mais colaboradores, pedágio, paradas ou outras condições específicas.

Movimento mensal pode passar de R$ 500 mil

Com 8 mil viagens e ticket médio de R$ 68, a operação movimenta cerca de R$ 544 mil em um mês. Desse valor, a empresa retém 15%, enquanto a maior parte fica com os motoristas.

“A maior parte vai para o motorista. A cada R$ 1 mil, descontando 15%, R$ 150 ficam para a empresa”, explica.

Meta é chegar a R$ 800 mil por mês

A meta do 71 Mob é chegar a R$ 800 mil mensais até o fim do ano seguinte.

A empresa também pretende começar a disponibilizar a operação urbana a partir de janeiro, com testes de configuração para corridas comuns. Nesse modelo, o valor mínimo previsto é de R$ 7.

Padrão corporativo é um desafio

Como o 71 Mob atua no segmento corporativo, o padrão exigido dos motoristas é maior. Rebert afirma que alguns motoristas chegam com hábitos de plataformas urbanas, como dirigir de bermuda, sandália ou boné, mas isso não funciona no atendimento a empresas.

O motorista precisa estar de camisa da empresa, calça, sapato fechado e com o carro higienizado. Em caso de descumprimento, recebe advertência. Se houver reincidência, pode ser bloqueado definitivamente.

“No corporativo, isso não pode. Tem que ter o mínimo de padrão possível”, afirma.

Concorrência por preço baixo incomoda

O que mais incomoda Rebert no mercado é a disputa baseada em valores muito baixos. Ele afirma que já participou de cotações com viagem mínima de R$ 15, valor que considera incompatível com a estrutura oferecida pelo 71 Mob.

Segundo ele, a empresa oferece tecnologia, suporte, atendimento 24 horas e relatórios em tempo real. Por isso, prefere manter qualidade e padrão, em vez de competir apenas por preço.

Regionais precisam se profissionalizar

Na avaliação de Rebert, aplicativos regionais precisam se profissionalizar ao máximo para conquistar espaço. Isso inclui buscar conhecimento, entender a área de atuação, oferecer taxas atrativas e criar parcerias locais para ganhar visibilidade.

“A gente precisa entender em que área está atuando. Profissionalizar o máximo possível é fundamental”, afirma.

Excelência é o caminho para se diferenciar

Sobre o futuro dos aplicativos regionais, Rebert afirma que acompanha o mercado, mas prefere focar na excelência da própria prestação de serviço. Para ele, ser o principal concorrente de si mesmo é um bom caminho.

“A visão é que, depois de se consolidar no corporativo, a empresa mantenha o foco em qualidade, tecnologia e atendimento”, afirma.

Legado é ser referência

O legado que Rebert quer deixar é transformar o 71 Mob em uma empresa de referência, reconhecida pela excelência naquilo que se propõe a fazer.

“O nosso diferencial é priorizar a segurança, a mobilidade do nosso cliente e a excelência no que a gente faz”, conclui.

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Giulia Lang

Giulia Lang é jornalista formada pela Fundação Cásper Líbero e há três anos cobre o mercado de mobilidade urbana e delivery pelo 55content.