Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest, encomendada pelo iFood, apontou que 58% dos profissionais entrevistados consideram que a cultura organizacional é deixada de lado quando as empresas enfrentam pressão por metas. Ao mesmo tempo, 89% acreditam que organizações com uma cultura forte alcançam melhores
O levantamento “Cultura na Prática” ouviu 1.406 profissionais de empresas brasileiras entre 13 e 17 de julho de 2026. Entre aqueles que conhecem os valores de suas organizações, apenas 36% afirmam vê-los aplicados constantemente no ambiente de trabalho.
O estudo analisou como esses princípios são considerados em decisões sobre metas, contratações, promoções e cortes de despesas, além da atuação das lideranças e da preparação para o uso de inteligência artificial (IA).
“Cultura não se prova quando tudo vai bem. Ela se revela quando a pressão aumenta e a empresa precisa decidir do que não abre mão”, afirmou Raphael Bozza, sócio e vice-presidente de Pessoas do iFood.
Pressão por metas afeta iniciativas de bem-estar e capacitação
Entre os 600 diretores e gerentes entrevistados, 65% afirmam que iniciativas de bem-estar e capacitação estão entre as primeiras a sofrer cortes em momentos de pressão por resultados.
Além disso, 41% dos 809 profissionais em funções de liderança admitem abrir mão de aspectos importantes da cultura empresarial para alcançar metas.
Os dados evidenciam uma diferença entre a importância atribuída aos valores organizacionais e sua aplicação nas decisões cotidianas, especialmente diante de pressões financeiras e operacionais.
Percepção da cultura organizacional varia conforme o cargo
A avaliação sobre a aplicação dos valores empresariais varia conforme o nível hierárquico. Entre diretores e executivos C-level, 60% afirmam que esses princípios são sempre colocados em prática. O percentual cai para 45% entre gerentes, 32% entre coordenadores e supervisores e 23% entre analistas e especialistas.
O conhecimento aprofundado da cultura também apresenta diferenças: chega a 69% nos cargos mais altos e recua para 36% entre profissionais de funções operacionais e técnicas.
Quando questionados sobre a distância entre discurso e prática, 60% mencionaram a alta e a média gestão. Entre diretores e gerentes, 44% apontaram especificamente a alta gestão. As relações entre áreas e colegas também foram citadas por 55% dos entrevistados.
Cultura organizacional nem sempre é tratada como estratégia de negócio
Entre os profissionais que conhecem a cultura de suas empresas, 57% afirmam que ela não ocupa uma posição central na estratégia de negócio. Por outro lado, 43% consideram que os valores organizacionais orientam decisões relacionadas à diretoria, aos produtos e à receita.
Já 40% associam sua aplicação principalmente ao clima organizacional e à convivência entre funcionários, enquanto 16% avaliam que ela permanece restrita ao discurso ou não existe na prática.
Nas empresas em que a cultura é percebida como parte da estratégia, 58% concordam totalmente que ela contribui para melhores resultados. Entre aqueles que não identificam essa integração, o percentual é de 45%.
O levantamento também abordou o papel do setor de Recursos Humanos (RH). Entre os 600 diretores e gerentes, 43% afirmam que a área participa sempre das decisões estratégicas antes de sua implementação. Já entre os profissionais que relatam essa participação constante, 92% consideram que o RH contribui para os resultados da organização.
Cultura das empresas influencia decisões de carreira
Segundo a pesquisa, 79% dos entrevistados afirmam que conhecer os valores de uma empresa e sua aplicação influencia ou influenciaria suas decisões de carreira.
Além disso, 73% relatam já ter tomado alguma decisão motivada pela cultura da organização, como recusar uma proposta de emprego, permanecer na empresa ou pedir demissão.
Entre os profissionais que consideram que esses valores são sempre aplicados, 89% afirmam que eles influenciam suas escolhas. O percentual cai para 66% entre aqueles que não percebem essa aplicação.
O estudo ainda aponta que 88% acreditam que uma cultura organizacional efetivamente praticada contribui para melhorar as condições de trabalho.
Inteligência artificial já faz parte da rotina de profissionais
Entre os participantes, 71% afirmam estar familiarizados com ferramentas de inteligência artificial e 45% relatam utilizá-las várias vezes ao dia.
Enquanto 69% se consideram preparados para usar a tecnologia, 60% avaliam que suas empresas estão prontas para adotá-la.
Segundo o levantamento, 57% trabalham em organizações que incentivam o uso de IA e disponibilizam as ferramentas necessárias. Outros 28% afirmam que há estímulo, mas não são oferecidos os recursos, levando os funcionários a buscar alternativas por conta própria. Entre coordenadores e supervisores, esse percentual chega a 38%.
Além disso, 55% dos entrevistados relacionam o uso de IA à cultura empresarial. Entre aqueles que percebem os valores da organização aplicados constantemente, a proporção sobe para 75%.
Apenas 25% dos líderes se consideram muito preparados para transformação com IA
Entre os profissionais em funções de liderança, 70% esperam ser cobrados para incorporar ferramentas de IA à rotina de suas equipes. Entretanto, apenas 25% se consideram muito preparados para conduzir essa transformação.
A pesquisa também mostra que 86% enxergam oportunidades de desenvolver novas formas de trabalho com a tecnologia, enquanto 42% acreditam que ela poderá reduzir o número de empregos.
Para Raphael Bozza, a mudança envolve mais do que a implementação de ferramentas. “A próxima fronteira da transformação por IA pode não ser tecnológica. Pode ser cultural”, afirmou.
iFood prepara livro sobre cultura organizacional para 2027
A pesquisa integra uma iniciativa do iFood voltada à discussão sobre cultura organizacional no ambiente corporativo. O tema também será abordado no livro “Código Aberto: O Jeito iFood de Trabalhar”, escrito por Raphael Bozza, com lançamento previsto para janeiro de 2027 pela Editora Gente.
A publicação reunirá práticas desenvolvidas ao longo dos 15 anos de atuação da empresa, com foco em gestão e cultura empresarial.
Segundo Bozza, a intenção é compartilhar experiências, sem apresentar o modelo do iFood como referência a ser reproduzida por outras organizações.
“Não fizemos a pesquisa para validar o nosso jeito, fizemos para abrir uma conversa. Cultura não se copia, ela precisa fazer sentido para cada organização”, declarou.
Pesquisa ouviu profissionais de empresas com mais de 100 funcionários
O estudo “Cultura na Prática” foi realizado pelo Instituto QualiBest, a pedido do iFood, por meio de entrevistas quantitativas online com 1.406 profissionais de todas as regiões do Brasil, entre 13 e 17 de julho de 2026.
Participaram pessoas com 18 anos ou mais, contratadas em regime CLT, como pessoas jurídicas (PJ) ou por outros contratos formais, que trabalham em empresas com pelo menos 100 funcionários.
A amostra foi composta por 40% de analistas e especialistas, 25% de gerentes, 18% de coordenadores e supervisores e 17% de diretores e executivos C-level. Os participantes em cargos de direção passaram por confirmação telefônica.
A margem de erro informada é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O número de respondentes varia conforme a pergunta: 1.379 profissionais que conhecem a cultura de suas empresas, 809 em funções de liderança e 600 diretores e gerentes.
