Na última segunda-feira (31), em um evento promovido pelo 55content Premium, os sócios do Chofer 46 — Anderson Hoffman, diretor de operações, e Mauro Roberto Petroski, sócio-administrador — contaram como um grupo de motoristas de aplicativo decidiu criar uma alternativa própria, hoje presente em 70 cidades brasileiras e com sede em Francisco Beltrão (PR).
A iniciativa surgiu em 2019 no sudoeste do Paraná. Na época, os fundadores atuavam como motoristas em um app regional e identificaram falhas na comunicação entre a administração e os condutores. Segundo Anderson, sugestões feitas pelos motoristas eram constantemente ignoradas. “O principal problema era que os administradores não se interessavam pelo que nós falávamos. A comunicação era quase zero”, afirmou.
O projeto ganhou forma após meses de planejamento e começou a operar oficialmente em 9 de setembro de 2019. Inicialmente restrita a uma cidade, a operação cresceu rapidamente, levando os idealizadores a adotar o modelo de franquias. Hoje, o Chofer 46 conta com operações em 70 cidades, embora o número de franqueados seja menor — já que alguns atuam em mais de uma localidade.
Como o app cobra os motoristas?
A estrutura de cobrança do aplicativo é um dos principais diferenciais em relação a plataformas tradicionais. Em vez de percentual sobre o valor das corridas, o Chofer 46 adota dois modelos alternativos: mensalidade fixa ou valor fixo por corrida. A decisão de qual modelo aplicar cabe ao franqueado, que também é responsável por definir o valor da corrida mínima e máxima, com base na concorrência local.
De acordo com Anderson, a proposta é oferecer mais previsibilidade e rentabilidade ao motorista. “O motorista sabe exatamente quanto vai pagar. Não tem surpresa no fim do mês com um desconto alto da plataforma”, explicou.
O valor da mensalidade varia entre R$ 200 e R$ 450, dependendo da cidade. Já na cobrança por corrida, os valores são estipulados por faixas — por exemplo, corridas de até R$ 10 podem gerar uma taxa de R$ 1,20; corridas de R$ 10 a R$ 15, uma taxa de R$ 1,50.
Mauro destacou que um dos maiores desafios ainda é fazer com que motoristas acostumados com a Uber entendam as vantagens financeiras do modelo proposto. “O mais difícil é convencer o motorista a fazer conta e perceber que, no final do mês, ele fica com mais dinheiro no bolso”, afirmou.
Com um modelo de gestão mais próximo dos motoristas e foco na rentabilidade dos parceiros, o Chofer 46 segue expandindo sua atuação pelo país.
Remuneração dos motoristas
Segundo os responsáveis, a remuneração dos motoristas pode ser bastante expressiva. Em meses de alta demanda, alguns condutores chegam a faturar entre R$ 15 mil e R$ 17 mil brutos. Há motoristas que utilizam o app como atividade principal, enquanto outros o veem como fonte de renda extra. A média de corridas finalizadas em Francisco Beltrão, cidade com cerca de 103 mil habitantes, é de 1.000 a 1.500 por dia.
Apesar dos bons números, os sócios apontam que convencer motoristas acostumados com outras plataformas ainda é um desafio. “Muitos não fazem a conta do que realmente sobra no final do dia. Eles só pensam na quantidade de corridas feitas, sem considerar os descontos”, afirmou Anderson Hoffman.
Para os passageiros, a plataforma oferece algumas facilidades como recarga de créditos diretamente no app, sistema de cashback e carteira digital. Essas ferramentas, segundo os sócios, vêm ajudando a atrair mais usuários.
Sobre faturamento geral da empresa em 2024, os dados consolidados ainda não estão disponíveis, pois a análise dos registros do servidor é feita semestralmente.
Desafios iniciais e modelo de expansão
O maior desafio, desde o início, tem sido mostrar aos motoristas que o modelo de mensalidade fixa ou valor fixo por corrida resulta em maior rentabilidade. Isso continua sendo uma das principais barreiras para o crescimento em novas cidades.
Em Francisco Beltrão, o aplicativo disputa espaço com mais de uma dezena de concorrentes. Apesar disso, a base de motoristas e passageiros tem se mantido fiel, segundo os sócios.
Atualmente, a expansão ocorre majoritariamente de forma orgânica. A maioria dos franqueados chegou até a empresa por meio de indicações ou eram motoristas que decidiram levar o modelo para suas cidades de origem. Apenas uma franquia foi adquirida por meio de anúncios ou contato direto via site.
Estratégias de engajamento e combate às “corridas por fora”
Em relação ao engajamento dos motoristas, o Chofer 46 adota uma política de flexibilidade: não remunera por hora logada para evitar vínculo trabalhista, permitindo que o motorista faça seus próprios horários. Em vez disso, a empresa aposta em parcerias com postos de combustíveis, lava-rápidos e empresas locais para gerar mais chamadas e benefícios indiretos.
Já o combate às chamadas “corridas por fora” é levado a sério. Quando há indícios, como queda repentina no número de corridas, comportamento suspeito no mapa do sistema ou denúncias, o motorista pode ser desativado da plataforma. “Deixamos claro desde o início quais são as regras. Se ele desrespeita, é desligado”, disse Anderson.
Chofer 46 reforça fiscalização e proximidade com motoristas
Hoffman voltou a destacar que o modelo de cobrança do app — por mensalidade ou valor fixo por corrida — reduz os incentivos para motoristas realizarem corridas por fora. “Como o motorista sabe exatamente quanto vai pagar, ele tende a manter tudo dentro da plataforma”, comentou.
Mesmo assim, há fiscalização. “Se notamos comportamento suspeito no sistema — como logar e deslogar repetidamente, ou queda brusca de rendimento —, investigamos. E se confirmado que está fazendo corrida fora do app, o motorista é desativado.”
Para fiscalizar e facilitar o uso por parte de idosos e clientes menos habituados com tecnologia, o app mantém grupos de WhatsApp com passageiros. A comunicação direta permite organizar corridas com mais agilidade, embora o risco de quebra de protocolo por parte dos motoristas ainda exista. “É nesse momento que o trabalho em cima da cultura da plataforma se faz necessário”, disse Anderson.
Gestão de oferta e controle de cancelamentos
Um dos maiores desafios enfrentados pelas plataformas regionais é manter o equilíbrio entre número de corridas e disponibilidade de motoristas. Para lidar com isso, o Chofer 46 adota um sistema de controle baseado na taxa de cancelamento. Caso as corridas canceladas ultrapassem 10% do total, a empresa libera mais motoristas na região. “Se falta motorista à noite, por exemplo, abrimos mais vagas. Isso reduz o ganho por corrida de quem só trabalha de dia e os incentiva a atender também em horários de menor oferta”, explicou Anderson.
O modelo se baseia na lógica de balanceamento automático: se a operação está equilibrada, novos motoristas não são adicionados. Se há excesso de corridas não atendidas, a empresa aumenta o número de condutores ativos.
Modelo de franquia e perfil dos franqueados
O Chofer 46 possui uma régua clara para a aceitação de novos franqueados. A preferência é por pessoas com experiência como motoristas de aplicativo ou que já tenham familiaridade com o sistema. É exigido conhecimento básico de informática e gestão financeira, além de capital de giro suficiente para manter o marketing local nos primeiros meses. “Nosso valor de franquia é baixo justamente para permitir que o franqueado continue investindo em divulgação e estrutura”, explicou.
Embora o contrato preveja um crescimento anual, a empresa se mostra compreensiva diante das dificuldades enfrentadas em cidades com presença de grandes concorrentes como Uber e 99. “A meta existe, mas avaliamos caso a caso. Não somos inflexíveis”, acrescentou Mauro.
Marketing local e bonificações para motoristas
A estratégia de divulgação com veículos de mídia local, que teve grande impacto no início da operação em Francisco Beltrão, segue sendo utilizada. A empresa investe em parcerias com rádios, jornais e redes de comunicação regionais para aumentar a visibilidade do app nas cidades onde atua.
Além disso, o Chofer 46 promove ações de engajamento com os motoristas parceiros. Já foram realizadas campanhas que premiavam os condutores com maior número de corridas ou com menos reclamações. Os vencedores ganhavam troféus, créditos para corridas ou benefícios como película lateral gratuita para o veículo.
“Também oferecemos bônus de R$ 50 em crédito para motoristas que participam de gravações com a imprensa local, sempre de forma voluntária”, comentou Hoffman.
Dinâmicas e diferenciais operacionais
Diferente de outras plataformas, o Chofer 46 não adota o sistema de preços dinâmicos como padrão. A decisão foi estratégica e construída com base no feedback dos motoristas, que preferem tarifas estáveis. “Dinâmicas constantes acabam incentivando o cancelamento em massa até que a tarifa aumente. Nós evitamos esse comportamento”, explicou Mauro.
A exceção são grandes eventos, como feiras regionais, onde a dinâmica é ativada apenas em áreas específicas, como forma de incentivo temporário aos motoristas.
Concorrência com Uber e 99: foco em fazer o básico bem feito
Quando questionados se consideram Uber e 99 concorrentes diretos, os fundadores afirmaram que sim, mas adotam uma abordagem prática. “Fazemos nosso trabalho bem feito e focamos no que sabemos fazer. Não tentamos atropelar motorista, nem competir deslealmente”, disse Anderson.
Uma das estratégias mais eficazes para competir com grandes players é mostrar ao motorista que ele pode ganhar mais com o Chofer 46. A nova funcionalidade da plataforma parceira Machine, que permite o pagamento do deslocamento até o passageiro, foi citada como um recurso com alto potencial para a entrada em grandes cidades. “O motorista vê que tem lucro e passa a trazer os próprios passageiros para a nova plataforma”, completou.
Franquias: critérios, valores e evolução do modelo
A primeira franquia do Chofer 46 surgiu informalmente, antes mesmo da estruturação jurídica do modelo. Um motorista que conheceu o app decidiu operá-lo em sua cidade e recebeu autorização de uso da marca. Posteriormente, com a transformação da empresa em franqueadora, o contrato foi ajustado.
Hoje, o valor da franquia é baseado no tamanho populacional da cidade. A média de corridas em Francisco Beltrão, cidade-sede da empresa, gira entre 1.100 e 1.200 finalizadas por dia, com cerca de 1.400 a 1.500 solicitações — o que representa uma taxa de perda de aproximadamente 10%.
Conselhos para novos empreendedores
Questionados sobre o que gostariam de ter ouvido no início da operação, os fundadores foram diretos: “Gostaria que tivessem me dito que seguidor não é passageiro. Teríamos começado o marketing com foco mais prático desde o início”, afirmou Anderson.
Também destacaram a importância de paciência como qualidade essencial para quem deseja gerir um app. “Você nunca vai agradar todos os motoristas. Sempre haverá insatisfeitos. É preciso ter calma para lidar com isso”, explicou.
O próximo evento do 55content Premium acontecerá na próxima segunda-feira (7).
Respostas de 18
Um novo app dará muitas oportunidades para todos. Estou ansioso para exprementa
Tem na capital de São paulo
Olá, quero mais informações.
Tenho interesse.
Olá me chamo Roberto, sou motorista de app em fortaleza e gostaria de ver essa plataforma funcionando aqui parabéns pela empreendedorismo.
Quando chegará em SP.
Hoje sou motorista de aplicativo, atualmente só atuo com a plataforma na Uber, pois, é umas das plataformas que me oferece uma melhor rentabilidade e retorno, óbvio, para os motoristas o meu objetivo não é números altos de corridas e muito menos corridas de valor altos, o foco é trabalhar e executar um excelente direcionamento é o principal e essencial, pois, trabalhar focando no direcionamento e saber selecionar as corridas, lógico sempre realizando um bom trabalho, meu maior desafio é o tempo, pois, optei em trabalhar como motorista de aplicativo, devido minhas necessidades, pois, tenho dois filhos especiais, dependendo totalmente de mim e da minha esposa, então foi esse o caminho que encontrei ara ser motorista de aplicativo, trabalhar por conta e com horários flexíveis.
Tem como enviar mais informações, pois a d manda é grande aqui na Praia Grande.
Quando chega no Rio de Janeiro
Quando chegará em sp estamos precisando de um aplicativo assim urgente . Se for preciso abriremos uma franquia em sp
Já tem em Goiânia
E tem demanda suficiente de chamadas?
Não adianta nada se a demanda de chamadas for baixa.
Vcs já tem interessados em trazer esse app pra Bahia.
Se não favor entrar em contato comigo.
Bom dia, sou motorista de app só utilizo a Uber. Eu resido no DF, onde trabalho. Já fiz mais de 25000 viagens com a Uber, e vejo que não somos reconhecido. Estou pensando em deixar a Uber. Gasolina cada vez mais cara, na da. Vocês estão atuando em quais estados. Acho que o mais importante e a divulgação na mídia , para que os passageiros conheça o app e passem a utilizar. O app da Uber e muito conhecido tem muitos usuários.
Bom dia!
Quando inicia-se a operação em Recife e regiões metropolitana de Recife?
Podem entra em contato com migo?
Tenho interesse em participar
Eu trabalho com o chofer 46. Excelente. Melhor q Uber e 99. Pena q a Qt de corridas ainda seja pouca.
Gostaria muito saber sobre a franquia
isso é conversa para boi dormir não consigo nem fazer manutenção no meu carro
17 mil mensais num aplicativo regional? Será que não é semestral? Kkkk Pô mano 1 de abril foi ontem kkkk. Esses apps novatos tão que nem muitos YouTubers jabazeiros vendidos, vendendo mentiras para atrair motoristas para as plataformas kkkkk. E um monte de trouxa cai comprando carro caro para trabalhar e depois se individa e não consegue pagar. Ifood vai começar a pagar bem por causa das manifestações. O negócio é comprar uma moto e fazer ifood futuramente.