“A maioria dos entregadores está em uma situação muito cansativa”: usuária reflete sobre a dinâmica do trabalho nos apps

A imagem mostra um entregador de aplicativo de costas, vestindo uma jaqueta vermelha e carregando uma mochila térmica também vermelha. Ele está andando de bicicleta em uma área urbana, usando um capacete preto para proteção. O cenário ao fundo mostra carros estacionados e sinais de trânsito, indicando que ele está em uma rua movimentada.
Homem trabalhando como entregador em bicicletaFoto: Reprodução/Internet

Usuária frequente de aplicativos de delivery avalia experiências, desafios e sugere melhorias nas plataformas.

O uso de aplicativos de delivery se tornou parte da rotina de muitos brasileiros, com crescimento significativo nos últimos anos. 

A publicitária Raphaella Condeixa, em entrevista ao 55content, conta que utiliza os serviços com frequência, realizando entre três e quatro pedidos por semana, principalmente de comida. O iFood lidera suas escolhas, devido à praticidade e à possibilidade de experimentar novos restaurantes.  

Raphaella começou a usar os aplicativos por volta de 2017 ou 2018 e relata que sua frequência aumentou ao longo do tempo, especialmente durante a pandemia, quando a necessidade de isolamento social fez dos aplicativos uma solução essencial: “Passei a usar mais, principalmente por ter essa opção de procurar exatamente a comida específica que eu quero”, destacou.  

Apesar da experiência positiva na maior parte das vezes, a usuária aponta que atrasos são os problemas mais recorrentes, especialmente em horários de pico, como às 13h ou 20h: “No iFood, especificamente, não tem muito o que fazer. Você só pode aceitar que vai atrasar ou cancelar, mas normalmente não vale a pena cancelar”, explicou.  

Outras questões, como alimentos enviados com ingredientes errados ou em falta, são resolvidas com mais facilidade. No entanto, Raphaella acredita que os aplicativos poderiam oferecer compensações em situações problemáticas.  

A experiência com os entregadores, segundo a publicitária, é tranquila, com interações limitadas, já que os pedidos geralmente são deixados na portaria do prédio. “Já tive experiências positivas, como entregadores sendo cordiais e perguntando se estava tudo certo, mas nunca tive uma experiência marcante negativa”, afirmou.  

Ela também considera importante a avaliação de entregadores e restaurantes, mas acredita que o sistema atual dos aplicativos é limitado: “As opções para dar uma nota são meio engessadas, então isso limita o que você pode elogiar ou criticar”, avaliou.  

Clique aqui para receber todas as notícias do mercado dos aplicativos de transporte e entregas no seu Whatsapp.

Raphaella demonstrou preocupação com as condições de trabalho enfrentadas pelos entregadores de aplicativos. Segundo ela, muitos entregadores passam por situações exaustivas, o que a faz refletir sobre a dinâmica dos pedidos que realiza: “Eu, sinceramente, tenho uma relação conflituosa com isso. Apesar de utilizar bastante o aplicativo e o serviço, entendo que a maioria dos entregadores está em uma situação muito cansativa, o que torna o trabalho muito difícil para eles”, afirmou.

Essa percepção influencia suas escolhas ao realizar pedidos, especialmente na distância dos estabelecimentos selecionados: “Eu tento pedir de locais que não são tão distantes, principalmente de um shopping mais perto da minha casa. Acredito que, saindo de lá, há uma tendência maior de ter entregadores que estão de bicicleta, o que, para mim, parece muito mais cansativo do que para quem está de moto, por exemplo”, explicou. 

No entanto, ela destaca que essa preocupação não altera significativamente a forma como utiliza os aplicativos.

Além disso, expressou preocupação com a segurança de dados e a privacidade ao utilizar os aplicativos: “Procuro não passar mais dados do que o necessário, mas acabamos ficando um pouco ‘entregues’ no sentido de não ter muitas opções além de compartilhar algumas informações, como a nossa localização”, ponderou.  

A publicitária apontou melhorias que poderiam tornar os aplicativos de delivery mais eficientes para os usuários. Um dos principais pontos destacados foi a funcionalidade de busca: “A pesquisa por itens específicos poderia ser um pouco mais refinada. Muitas vezes, você coloca um item e o aplicativo entende que não tem em vários lugares, mesmo quando tem”, comentou.

Outra sugestão mencionada por ela envolve a organização das categorias dentro dos aplicativos: “Acho que uma divisão melhor de categorias ajudaria, mas nada muito elaborado. Realmente, seria só uma melhoria na interatividade com a plataforma”, completou. Essas mudanças, segundo Raphaella, poderiam simplificar a experiência do usuário, tornando-a mais intuitiva.

Foto de Anna Julia Paixão
Anna Julia Paixão

Anna Julia Paixão é estagiária em jornalismo do 55content e graduanda na Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Pesquisar