Uber e 99 viram que motoristas de app não precisam de aumento da tarifa já que eles aceitam todas as corridas

Apps mandam corrida pagando R$1,00 ou R$1,30 por km — às vezes até menos — e o motorista aceita. Para que eles vão melhorar esse valor e lucrar menos? 

Homem de óculos e camiseta cinza dentro de um carro, olhando seriamente para a câmera.
Foto: Marcelo Fora da Curva para 55content

Hoje é dia de paralisação dos motoristas de aplicativo. E é importante prestar atenção no motivo pelo qual as nossas manifestações e paralisações quase nunca dão certo. Eu participo de um grupo que reúne vários motoristas, incluindo influenciadores do meio. Um deles, o Rômulo — conhecido como Uber dos Guri — mandou um áudio no grupo que resume bem essa questão. Inclusive, se você ainda não segue ele no Instagram, vai lá agora e segue.

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A verdade é que o que acontece com os motoristas hoje é algo que eu já vi se repetir muitas vezes. Estou há nove anos nos aplicativos e participei de todas as paralisações até agora. Essa, especificamente, foi uma das que eu menos me envolvi. Digo isso porque, de alguma forma, eu sempre acabo paralisando: não rodo, vou para as minhas redes sociais — principalmente o Instagram, me segue lá no @marceloforadacurva — e expresso minha insatisfação por lá, chamando outros motoristas a pararem também. Mas dessa vez, me envolvi menos por causa desse tipo de situação recorrente. Em todas as paralisações que participei, sempre tinha alguém dizendo: “Ah, já que vão parar, vou aproveitar”.

É claro que eu entendo os dois lados. Gosto de olhar para as duas perspectivas. Tem colegas que dizem: “Eu não posso paralisar porque tenho contas a pagar”. E tudo bem, eu entendo. Mas se houvesse uma organização real, a gente definiria uma data para trabalhar e outra para parar. Todo mundo se organizaria. Só que a categoria não é organizada. Não temos uma união entre as lideranças para definir, por exemplo: “Vamos parar todo mundo tal dia para mostrar força para os aplicativos”.

A verdade é que os aplicativos estão pouco se importando. E agora vou dizer algo que talvez me faça ser cancelado por muita gente: nós não precisamos de aumento de tarifa. “Como assim, Marcelo? Que história é essa?” Pois é, não precisamos. E por quê? Porque os próprios aplicativos já perceberam isso. Eles mandam corridas ruins para os motoristas e os motoristas aceitam e fazem essas corridas mesmo assim. Qual é a mensagem que a gente passa para a plataforma quando faz isso? Que está tudo certo. Que, seja corrida boa ou ruim, nós vamos fazer do mesmo jeito.

Eles mandam corrida pagando R$1,00 ou R$1,30 por km — às vezes até menos — e o motorista aceita. Para que eles vão melhorar esse valor? Qual o sentido de a Uber, por exemplo, tirar da parte dela para pagar melhor se tem uma galera fazendo o trabalho de qualquer forma? Eles já recolhem uma fatia significativa do valor das corridas — muitas vezes 30, 40, até 50% dependendo do caso — e ainda assim têm motoristas dispostos a fazer essas corridas.

Por que a Uber ou a 99 aumentariam o valor da corrida para o passageiro ou reduziriam o percentual que retêm se o motorista, que investe no carro, gasta combustível, se desgasta no trânsito o dia inteiro, continua aceitando qualquer corrida, mesmo as que não compensam? Eles não querem saber se o carro do motorista faz dois por litro ou o quanto ele investiu para colocar o carro na pista. Se o motorista está aceitando, é sinal de que está bom. E aí, para a plataforma, não faz sentido mudar nada. Não precisa haver aumento, não precisa melhorar tarifa, não precisa mudar valor de corrida, porque tem um exército de motoristas fazendo qualquer coisa que aparece.

E aí, meu amigo, quero saber a tua opinião. Você participou da paralisação? Aproveitou a dos motoboys para parar também? Ou não parou? O que você fez? Comenta aqui embaixo, quero muito saber o que você pensa sobre isso. E se ainda não é inscrito no canal, se inscreve, porque aqui a gente discute assuntos polêmicos e tudo que envolve o universo dos motoristas de aplicativo.

Foto de Marcelo Ribeiro
Marcelo Ribeiro

Marcelo Ribeiro, conhecido como Marcelo Fora da Curva, é de Porto Alegre e iniciou sua carreira como vendedor. Em 2016, tornou-se motorista de aplicativo, usando sua experiência em vendas para oferecer um excelente atendimento ao cliente, o que lhe rendeu a nota mais alta entre motoristas da cidade e vários prêmios da Uber. Em 2017, criou um canal no YouTube para compartilhar suas experiências, que rapidamente se tornou popular, alcançando 300 mil inscritos e 92 mil seguidores no Instagram.

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